Março 2009


vista aérea do liceu e da esplanada
vista da praia grande… pouco antes do ‘fim’ da esplanada

A esplanada por excelência… Ficava (desapareceu nos anos 90) junto ao Hotel e mesmo em frente ao antigo liceu da praia Grande (lado direito). Ao fundo vê-se o Hotel Sintra.

Estúdio Jim Ching em Macau
Estúdio Man Fook em Macau

Na transição do século XIX para o século XX, dois estúdios de fotografia (e respectivos fotógrafos, Jim ching e Man Fook) ocuparam lugar de destaque em Macau. A eles se deve a grande maioria das imagens daquela época. Com especial destaque para Man Fook. É dele a colecção “Levantamento Arquitectónico de Macau”.

Rua Camilo Pessanha em Macau

Com o Governador Tamagnini Barbosa

Considerado por um dos governadores de Macau como “o único intelectual que vivia naquelas longínquas paragens”, Pessanha era invariavelmente convidado para participar em todos os actos públicos importantes que se passavam naquele território. Não havia acontecimento em que não estivesse presente, participando activamente com os seus discursos e intervenções. Era chamado a dar a sua opinião sobre diversos assuntos, participando assim na tomada de decisão dos sucessivos governadores. A sua morte, ao contrário de alguns depoimentos deturpadores, foi muito sentida em Macau, cidade que lhe prestou homenagem atribundo-lhe o nome de uma Rua, o seu rosto foi ainda colocada numa nota de 100 patacas – já fora de circulação – para além de lhe ter sido eregida uma estátua em 1999. A estátua em tamanho natural é da autoria de Carlos Marreiros, ergue-se no Jardim das Artes. O monumento inclui também homenagem ao companheiro inseparável de Camilo, o seu cão Arminho, foi inaugurado pelo último governador de Macau sob administração portuguesa, em Dezembro de 1999.
apontamentos de Pessanha para as aulas

no liceu (segunda fila, primeiro da esquerda… como cão ao colo)

Inaugurou o Liceu de Macau, conjuntamente com Wenceslau de Moraes e João Pereira Vasco, em 1894. Foi professor de Filosofia (1894) Língua e Literatura Portuguesa (1896), História e Geografia (1909, 1921 a 1925). Leccionou ainda Economia Política, Direito Comercial e História da China, nos anos de 1900, 1903 e 1909, no Curso de Comércio. Segundo o testemunho de muitos dos seus alunos, era um professor que se aproximava deles, os fazia participar activamente nas aulas e fazia apelo à inteligência, secundarizando as capacidades de memorização vazia. Preparava com cuidado as suas aulas, embora, nas mesmas, saísse muitas vezes do tema para divagações que cativavam os alunos.

Com João Pereira Vasco, também professor no liceu

Pessanha em Macau com o seu cão ‘arminho’

Pessanha teve um mestre de língua chinesa e um amigo, o sinólogo José Vicente Jorge, tradutor da Embaixada de Portugal em Pequim, Chefe da Repartição de Expediente Sínico em Macau, grande coleccionador de Arte Chinesa e autor do livro Notas sobre a Arte Chinesa, que o introduziu no conhecimento da Arte e da Literatura chinesas e com quem publicou um livro de Leituras Chinesas o Kuoc Man Kao Fo Shu.
Os seus conhecimentos de língua chinesa permitiram-lhe traduzir as Elegias Chinesas. Sobre esses mesmos conhecimentos esclarece Danilo Barreiros que Pessanha saberia cerca de 3.500 caracteres chineses. No que respeita à Arte Chinesa, Pessanha coleccionou um apreciável conjunto de peças que adquiriu durante a sua longa estada em Macau e que ofereceu a Portugal, estando agora depositadas no Museu Machado de Castro, em Coimbra.
No seu ensaio Camilo Pessanha, José Vicente Jorge e as Elegias Chinesas, escreve Danilo Barreiros: … é de referir ter sido publicado em 7 de Fevereiro de 1915 no semanário O Progresso o seguinte convite: “O Governador da província de Macau e D. Berta de Castro e Maia têm a honra de convidar as pessoas das suas relações a visitar hoje, pelas 16 horas, no palácio do Governo, a exposição de preciosidades chinesas da colecção do Exmº. Sr. Dr. Camilo de Almeida Pessanha”. O malogrado governador Carlos da Maia, pessoa de grande cultura e bom gosto, jamais promoveria esta exposição se as peças apresentadas o não merecessem.
Pessanha foi ainda professor, juíz e poeta!

É uma das imagens de marca de Macau, em especial do Largo do Leal Senado. Foi criada em 1920.

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