Abril 2009


No final de 1996 Macau viveu um dos eventos mais tensos da sua história em todo o século XX… ficou para a história como o ‘Motim 1-2-3′. Para enquadramento histórico, e aqui ganha especial relevo, importa dizer que na China, Mao Tsé Tung empenhava-se como nunca na Revolução Cultural.

Causas

Em 1966 os residentes chineses da ilha de Taipa esforçaram-se para obter uma licença do governo português para a construção de uma escola privada. Como não obtiveram resposta, iniciaram por conta própria a construção.
Em 15 de Novembro de 1966 os trabalhadores da construção, responsáveis e demais colaboradores além de residentes simpatizantes da iniciativa e jornalistas foram violentamente perseguidos e presos. O acontecimento serviu de pretexto para que a imprensa chinesa e grupos pró-comunistas da região atacassem o governo de Macau, de modo a sugerir este acontecimento como exemplo do mal que havia no domínio estrangeiro em toda a China.
A constante menção e debate do acontecimento serviu para que surgisse o descontentamento entre os chineses de Macau. No dia 30 de Novembro ocorre um protesto de operários, donas de casa e professores diante do palácio do governo.

Os eventos
Em 3 de Dezembro a situação agrava-se devido à invasão de militantes comunistas ao gabinete do governador. No caminho, frases de efeito maoístas e canções revolucionárias eram entoadas; o grupo foi expulso pela polícia, porém uma multidão já descontente com os desmandos acumulados de tempos anteriores juntou-se aos radicais.
Iniciou-se um motim no mesmo dia. Monumentos, prédios e arquivos foram vandalizados. Foi declarada lei marcial pelo governo colonial e as tropas entraram em cena. Saíram mortos 11 e feridos cerca de 200 deste protesto.
O motim recebeu o nome de 1-2-3 em alusão aos dias em que se deram os protestos.

Consequências

O problema é que a situação na melhorou após os acontecimentos. A revolução cultural continuava a servir de inspiração para o descontentamento embora não houvessem mais manifestações. Os residentes europeus migraram para Hong Kong e Portugal.
Em 11 de Dezembro uma delegação dos manifestantes liderada por Leong Pui encontrou-se com o governador, à época, o brigadeiro José Manuel de Sousa e Faro Nobre de Carvalho, que cedia às pressões dos manifestantes.
O problema é que muitos desses manifestantes estavam ligados a regiões vizinhas chinesas, como Cantão (Guangdong), e representavam na verdade interesses da China comunista. Diante de tamanho problema as autoridades portuguesas cogitaram seriamente a entrega de Macau ao governo da República Popular da China.
Curiosamente o governo comunista mostrou-se neste momento simpático aos interesses do Estado Novo português, contribuindo para que Macau continuasse como província portuguesa, impedindo, por exemplo a invasão do exército vermelho chinês ao território, algo que assustaria a administração inglesa de Hong Kong, sua metrópole, o Reino Unido, e seu poderoso e fiel aliado, os Estados Unidos.
Delegações de intermediários diplomáticos de ambos os lados (China e Portugal à época não tinham relações diplomáticas). Enquanto as árduas discussões e negociações entre os dois lados ocorriam, a população adotava a política dos “três nãos”: não pagar impostos, não prestar serviços ao governo e não vender produtos aos portugueses.
Tal atitude fez com que a situação do governo de Macau ficasse extremamente complicada, pois esta se via pressionada por Lisboa e pela população macaense local.
Por fim, a 29 de Janeiro de 1967 o Governo de Macau e a RPC chegaram a um acordo resultando num pedido de desculpas do governador à comunidade chinesa. Ficava ainda proibido o apoio das autoridades de Macau aos nacionalistas chineses de Taiwan (Formosa). Um dos protagonistasprincipais deste acontecimento foi o comendador Ho Yin, que com o seu controlo sobre a comunidade chinesa e a sua orientação política anti-comunista foi decisivo para que Macau continuasse como território português. A origem da revolta até é atribuída a uma momentânea perda de controlo do comendador sobre a comunidade chinesa de Macau.
Este evento marcou para sempre a comunidade local. Está na base de um dos mais significativos movimentos de emigração de macaenses. Brasil, Austrália e Canadá foram os principais destinos. Antes tinha ocorrido movimento semelhante aquando da 2ª Guerra Mundial; depois, pouco antes da transferência de soberania, em 1999.


Foi concebido com o propósito de integrar a Expo’98 e nela representar de forma autónoma o Território de Macau. O pavilhão tinha como fachada uma réplica mais pequena da fachada da Igreja de S. Paulo, e passava pelas várias facetas de Macau, incluindo o jogo (era dada à entrada do pavilhão uma ficha para as slot machines que se encontravam no interior). No espaço central havia uma réplica de um jardim chinês. O fim da visita continha um filme em ecrã panorâmico sobre a região. Durante o genérico final, uma maquete da skyline de Macau surgia de um aquário colocado à frente do ecrã.
O pavilhão continuou a operar durante vários meses após a reabertura do recinto em Novembro como Parque das Nações. Posteriormente foi desmantelado, tendo a sua estrutura e respectiva fachada sido reconstruídas no Parque da Cidade, em Loures, onde alberga o IPJ e serve ainda como espaço de exposições temporárias.

Exposição do Mundo Português. A exposição decorreu de 23 de Junho a 2 de Dezembro de 1940. A sua realização integrou-se nas “Comemorações Centenárias” ou do “Duplo Centenário”, um conjunto de manifestações de natureza várias, destinadas a comemorar os centenários da Fundação de Portugal e a Restauração.
Implantada na zona ribeirinha, ocupando 450 mil metros quadrados na Barra do Restelo, em Belém, tinha como objectivo constituir uma síntese da civilização portuguesa e da sua projecção universal.

O Pavilhão de Macau ficava na chamada “secção colonial” onde hoje fica o Jardim Colonial, do lado direito do Mosteiro dos Jerónimos. Num post anterior (é só pesquisar…) tenho mais detalhes sobre o tema.

imagem mais recente no actual Jardim Colonial

A exposição foi inaugurada em 23 de Junho de 1940 pelo Chefe de Estado Marechal Carmona, acompanhado pelo Presidente do Conselho Oliveira Salazar e pelo Ministro das Obras Públicas Duarte Pacheco. Os responsáveis da exposição foram: Augusto de Castro (Comissário-Geral), Sá e Melo (Comissário-Geral-Adjunto), José Leitão de Barros (Secretário-Geral) e Cottinelli Telmo (Arquitecto-Chefe). A Exposição do Mundo Português incluía pavilhões temáticos relacionados com a história, actividades económicas, cultura, regiões e territórios ultramarinos de Portugal. Incluía também um Pavilhão do Brasil, único país estrangeiro convidado. Na Expo’98 foi outra história e Macau também esteve representado… mas isso fica para outro post.

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