Novembro 2009


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Mapa e gravura de Macau do final do século 17

A 25 de Novembro de 1840 aportou a Macau o primeiro vapor de aço que chegou ao Extremo-Oriente, sob o comando do capitão Hall. Haveria de participar na I Guerra do Ópio na qual a armada britânica afundou boa parte dos obsoletos juncos da frota imperial. Pelo tratado de paz de 1842, a China abriu diversos portos ao comércio britânico, cedeu por 100 anos a ilha de Hong Kong ao Reino Unido e desistiu de reprimir o contrabando da droga. Na segunda Guerra do Ópio (1856-1860), franceses e britânicos esmagaram os chineses e obtiveram novas concessões

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427 páginas nesta primeira edição de 1957 num “esboço” que vai do século 16 ao século 19

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Pedro Manuel Pacheco Jorge Barreiros, nasceu em Macau em 1943 e foi muito novo para Portugal.
Licenciado pela Faculdade de Medicina de Lisboa, ingressou no quadro de Oficiais Médicos da Força Aérea Portuguesa em 1968. Foi chefe do Serviço de Medicina do Hospital da Força Aérea, Director do Hospital da Força Aérea, Director do Instituto de Saúde da Força Aérea, Director de Saúde da Força Aérea e Presidente do Conselho Coordenador de Saúde Militar. É Major General Médico da Força Aérea e tem o grau de Consultor de Medicina Interna. Foi assistente convidado da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa e da Faculdade de Medicina da Universidade Clássica de Lisboa.

Aprendeu a pintar em criança com um mestre chinês. Em 1974 fez a primeira exposição individual, no Porto. Está representado em várias colecções particulares e oficiais, em Portugal, Macau, S.Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Angola, França, Itália, Vaticano, Brasil e Estados Unidos da América.
Tocado pela frase de Leonardo da Vinci “a Pintura é a Poesia que se vê, a Poesia é a Pintura que se ouve”, fez diversas exposições individuais: A Clepsydra de Camilo Pessanha – Macau 1990 (Biblioteca do Leal Senado); – Dez poemas de Fernando Pessoa – Lisboa 1991 – Macau 1992 (FIL); – Frases poéticas de Cesário Verde – Lisboa 1996 ( Auto Clube Médico); – As Elegias Chinesas, tradução de Camillo Pessanha, oito quadros a óleo, com edição de um livro publicado pela editorial Gradiva, na então Missão de Macau, em Lisboa, 1999;- Federico Garcia Lorca – interpretação – Lisboa 2002 (Escola Vasco da Gama); – Durante duas estadias em São Tomé e Príncipe, em 1991 e 1992 fez cerca de 150 aguarelas e desenhos a sépia que expôs no Centro Cultural Português em São Tomé e na FIL, em Lisboa;- Em 1998 expôs em Lisboa vinte quadros a óleo numa mostra a que chamou Substantivos ( Galeria do Auto Clube Médico); – Em Janeiro de 2003 expôs na Biblioteca da Escola Gaspar Correia, sob o título “Percurso por diversas técnicas”, vinte e um trabalhos demonstrativos de dez técnicas diferentes de desenho e pintura.
De parceria com sua mulher, Graça Pacheco Jorge, num projecto iniciado em 1995, fez duas séries de trabalhos de técnica mista (“gouache” e colagens): Memórias das Calçadas Portuguesas, que expôs em 1997 em P. Delgada (Câmara Municipal), Angra do Heroísmo (Pal. dos Cap. Generais), Cidade da Praia, Cabo Verde (Centro Cultural Português) e Sintra (Base Aérea 1- Palácio da Granja do Marquês); Memórias Antigas de Macau, 2001, Escola Vasco da Gama (Lisboa).
Em 1995 editou com o Instituto Cultural de Macau, uma revisão do livro de seu Avô, José Vicente Jorge, “Notas sobre a Arte Chinesa” (1ª. Edição – Macau 1940) com um capítulo introdutório de sua autoria.
Em 2001 concedeu uma entrevista biográfica, de que resultou um documentário de cerca de vinte minutos apresentado em horário nobre do canal principal da televisão de Tóquio (NHK) sob o título em inglês “The Weekend of the Shogun”.
Em Abril de 2003, participou com o Instituto Camões, o ICEP e a Embaixada de Portugal no Japão no “stand” de Portugal na Feira do Livro em Tóquio, com uma pequena apresentação do seu espólio de Wenceslau de Moraes, que, em cerimónia na residência do Embaixador de Portugal, no dia 25 de Abril, ofereceu à Sociedade Luso-Nipónica de Tokushima. Durante o ano de 2004, foi o comissário das Comemorações do 150º Aniversário do Nascimento de Wenceslau de Moraes. Nesse âmbito fez várias conferências e publicou vários artigos no Japão, em Macau e em várias cidades portuguesas.
Em Novembro de 2004 fez uma exposição de quadros a óleo na Casa de Macau, subordinada ao tema “Hai-Kai – Poesia Japonesa”.
Em 2 de Novembro de 2005, expõe 15 quadros inspirados nos poemas de Cesário Verde, comemorando o 150º Aniversário deste poeta, no Centro de Estudos Olisiponenses – Palácio Beau Séjour, da Câmara Municipal de Lisboa, dando o seu apoio a uma equipa da Universidade Aberta na produção de um video didáctico: Cesário Verde – Poeta .

Pedro Barreiros foi desde muito novo um apaixonado da obra de Camillo Pessanha. O seu entusiasmo foi incentivado por sua mãe, D. Henriqueta Pacheco Jorge Barreiros, filha de José Vicente Jorge – sinólogo e amigo de Pessanha que assinou algumas obras em co-autoria com ele e o ajudou na tradução das “Elegias Chinesas”. Foi a sua mãe que “salvou” o poema “Branco e Vermelho” do esquecimento e, por seu intermédio o Dr. Bernardo Vidigal veio a publicá-lo no Oxford Book of Portuguese Verse.Aos 16 anos desenhou o seu primeiro retrato de Camillo Pessanha: aos 17 fez a capa do Testamento de Camilo Pessanha, estudo assinado por seu Pai, Danilo Barreiros.Ao longo da sua vida tem encontrado nos poemas de Pessanha a inspiração para grande parte dos seus desenhos e pinturas.

Testemunho na primeira pessoa sobre os tempos de Macau e Camilo Pessanha
Macau foi sempre para mim um estado de espírito… Saí de Macau muito novo com os meus pais e o meu irmão mais velho, também lá nascido A minha mãe estava muito grávida e o navio a vapor estafado que nos trouxe demorou tanto tempo a chegar a Lisboa que até deu para aportarmos com mais um irmão nascido em Port-Said alguns dias antes do fim da viagem.Uma vez chegados e instalados, eu e o meu irmão Manuel combinámos – o outro ainda não falava – esquecermos a Língua Chinesa, a primeira que aprendemos, para falar daí para diante só o Português.
Em Macau a nossa casa era ao lado do casarão do Avô e a maioria das nossas refeições eram na cozinha grande onde a A-SIM e a A-CHOI nos mimavam com os petiscos chineses que faziam e que sorvíamos das nossas tigelas com a ajuda dos nossos “pauzinhos” de prata; com elas aprendemos uma língua muito mais fácil para nós, composta de monossílabos e sem as “nuances” gramaticais da língua que nos era imposta pela nossa filiação e nacionalidade. A nossa combinação pegou e pouco tempo depois o cantonense só ficava na nossa memória para algumas iguarias culinárias e para insultar subtilmente alguns colegas de escola – inimigos de momento – que pela diferença de tamanho achávamos imprudente imprecar com a língua de Camões ou, melhor nesta circunstância, na língua de Bocage…
Mas Macau ficou a ser sempre a nossa ternura da infância…A nossa memória do conforto “recheado” da casa do Avô…A segurança da cama da Tia Amália que usávamos como refúgio dos pesadelos em que nos vinha apoquentar a Bruxa da “Branca de Neve e os Sete Anões” de Walt Disney – a nossa primeira grande experiência cinematográfica…Macau ficou a ser sempre para nós o Sabor máximo – os doces e os salgados, os rebuçados de côco, os bom-bons, as frutas de conserva chinesas (o CHAN-PEI-MUI, o WAMUI, o LAM…), os bolos da hora do lanche…
O Rossio foi logo por nós baptizado “MACAU das Pombinhas” e o arroz doce para ser BOM tinha de ser feito com leite condensado como o fazia a Avó Augusta em Macau… (Durante o tempo de guerra em que nasci e vivi em Macau, penso que só devia haver leite condensado e leite em pó). Exigíamos sempre arroz branco a todas as refeições, qualquer que fosse a ementa e, ao pequeno almoço de Inverno era com tigela e pauzinhos que engolíamos a fava rica que a “mulher” vinha a nossa casa de Lisboa vender “pelas traseiras”… Em nossa casa, o que havia, se comprava ou que aparecia, era sempre comparado com Macau que saía sempre vitorioso nos mais pequenos detalhes de cheiro, de gosto, de ver, de tocar de perceber…
Muito antes que qualquer outro poeta, Camillo Pessanha entrou em mim e a sua poesia foi sempre para mim tida como uma “coisa de Macau” – do meu Macau preservado na memória, como o gosto da jagra, dos chintoi ou da cantilena que me cantavam para adormecer:“- DOM, DOMDOM, DOMDOM – sinhô Capitan! Espada na cinta! – Rota na Man!”…
Na Escola Primária olhava para o meu professor careca e gordo que agredia com cachimbadas na testa os meus colegas das carteiras da primeira fila e imaginava a silhueta franzina de fato branco de brin engomado com reflexos de anil do professor que a minha mãe me contava das suas aulas de história com o cabelo negro e liso, a barba hirsuta e os olhos num estrabismo de infinito. Via-o com os seus dedos esguios e nodosos, unhas encaramelizadas de nicotina de enormes charutos a enrolar bolinhas de secreções secas que tirava do nariz e que piparoteava aos alunos com um sorriso travesso da criança escondida atrás da sua figura seca e austera.Nas noites de Inverno, com as pernas cobertas pelo tapete de Arraiolos que a minha mãe ia bordando, ouvia-a falar de Macau, das coisas boas de Macau, incomparáveis em gosto e qualidade a tudo o que se pudesse comprar em Lisboa. Nunca me deixou esquecer os gostos, os cheiros, as cores e os sons da minha terra macaense e a figura de Camillo Pessanha vinha sempre nessas ternas memórias de Macau.Em casa vivia a Tia Amália, irmã da minha mãe – a ‘TAI-KU’ como lhe chamávamos. Tinha sido a primeira menina de Macau que tinha vindo estudar para Lisboa. O austero José Vicente Jorge – meu Avô – não concordava de vez com a sua vinda, achava que não era de deixar uma sua filha atravessar o Mundo para vir para Lisboa estudar.
Foi Camilo Pessanha, seu amigo e grande frequentador da sua casa que o conseguiu convencer a deixá-la partir estabelecendo-lhe uma mesada e escrevendo uma carta à sua irmã maçónica D. Ana de Castro Osório a recomendar a “gentil menina” e a pedir-lhe que a recebesse em sua casa. E assim a Tia Amália veio para Lisboa estudar Medicina, sob a égide do Poeta!Mais tarde descobri – também pela minha Mãe – a Clepsydra numa primeira edição que ela tinha assinado em quase todas as páginas penso que por fascinada por quase todos os poemas.Foi por ela que ouvi as suas primeiras rimas pois não conseguia ainda ler o livro numa ortografia tão diferente da que eu soletrava nos meus livros oficiais da primeira e da segunda classes.Com eles consegui distinguir as qualidades das coisas – não era o jardim mas a sua Hora (suave nos fins de Tarde); não era o Jasmim-Flor, mas o seu perfume; não era a Lua nem sequer a sua Luz mas a Onda que a propagava e fazia que cada partícula de nós mesmos viesse a vibrar em uníssono com Ela…… O objecto Flauta era apenas um canudo de madeira ou de bambú com alguns buracos – não era isso que importava, o que chamava era o Som que vinha desse objecto, Só e Incessante, como o Ai de uma Viúva que chama o seu amante perdido para sempre e nos entra dentro na Solidão Tranquila de novos Momentos de Poesia……
A cadência das Arcadas do Violoncelo, a música das sílabas trocadas foi-me penetrando e marcando o ritmo do meu pulso e dos meus passos tal como as Imagens que me passavam pela Retina com os olhos fechados com medo de os abrir e deparar com a destruição cadenciada das coisas materiais do meu Lar com os Lençóis rasgados, a Mesa partida e o Vinho entornado…… Comprendi a necessidade da Falta de Harmonia para a poder vir a desejar; senti a Solidão que leva a procurar um Ser semelhante que beba connosco do mesmo Copo e o desespero de o não encontrar ou de o não conservar e que nos faz poisar os Bordões de Viajantes e prosseguir sozinhos a nossa viagem…… As Rosas Bravas iam-me aquecendo os olhos cada vez que olhava as tristes Paisagens de Inverno… e, quando olhava para as Colinas Verdes da Arrábida ou de Sintra, via a Sílfide caminhar para mim com a sua carne de Camélia…Pintar Camillo Pessanha foi um acto directo de transpor para a tela toda a beleza que recebi dos seus poemas durante a minha juventude, nas recordações mais ternas que definiram o estado de espírito que Macau foi sempre para mim…
Texto de Pedro Barreiros em Lisboa a 25 de Fevereiro de 1990

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Duarte Monteverde Abecasis and Maria Krus Abecasis em 1918 em Macau

Duarte Monteverde Abecassis (n. 1892) foi um engenheiro civil português. Foi director das Obras dos Portos de Lagos, Vila Real de Santo António, Faro, Olhão e Barra de Aveiro, director-geral do Serviço Hidráulico e Eléctrico, secretário-geral do Ministério das Obras Públicas, presidente do Conselho das Obras Públicas e procurador à Câmara Corporativa.
Casou em Lisboa, em 1916, com Maria Amélia Krus, filha de Carlos Krus, director da Companhia Carris de Ferro, e de sua mulher Josefa Paula Perez y Mendes, nascida em Madrid. Foi pai de Nuno Krus Abecassis.
Carece de confirmação mas é muito provável que o casal tenha chegado a Macau em 1918 (na foto). Monteverde tinha na altura 26 anos e a sua experiência profissional é requerida para as obras do Porto de Macau. Em 1925 escreve o livro “As obras do porto de Macau”. Carlos e José Duarte Kruz Abecassiz (os filhos do casal) em 1919 em Macau com a ama “Maria”

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A Travessa do Pagode fica na zona perto da Rua das Estalagens e da Travessa do Armazém Velho… Nesta época era uma artéria de grande movimento, devido ao comércio de antiguidades e bric-a-brac, bem como às cozinhas e tasquinhas ambulantes.

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Julgo que se trata do edifício onde funcionavam os Serviços de Acção Social na década de 1980

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Vista sobre a Praia Grande a partir do Monte da Guia

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