Para mim, a baía da Praia Grande sempre foi o verdadeiro ex-libris de Macau. Muito mais dos que a fachada/ruínas da Igreja de S. Paulo. Até ao início do século XX manteve a sua forma original de autêntica baía. Este recorte viria a ser alterado com a sucessão de aterros. Hoje praticamente não existe. E é pena.

No início abrangia a rua com o mesmo nome que ia da Fortaleza do Bom Parto ao Convento de S. Francisco (demolido em 1861 dando lugar ao quartel com o memso nome que ainda hoje existe).
Nesta rua, montra da cidade, ficavam os mais belos exemplares (e alinhados) de edifícios da arquitectura europeia. São de destacar o Palácio do Governo (aquirido em 1881 à família do Barão do Cercal), as vivendas de famílais abastadas (em especial da Companhia Inglesa das Índias Orientais), a antiga residência dos governadores, que chegou a ser conhecida por Palácio das Repartições (demolido nos anos 50), o Hotel Riviera (demolido em 1971 e que antes se chamava New Macao Hotel), o Grémio Militar (fundado em 1870 tendo entretanto adoptado o nome de Clube Militar) e o Jardim Público, o primeiro de Macau… Nota ainda para o nº 75 onde viveu Camilo Pessanha.

Os aterros também acabaram com os dois fortins que protegiam a baía: o de S. Pedro, de S. João e 1º de Dezembro.
Até a natureza, nas suas iras, se encarregou de mudar a face da baía da Praia Grande. Os tufões do final do século 19, em especial o de 1874, causam inúmeros prejuízos e provocaram o desmoronamento de edifícios mais frágeis.
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