Vista sobre a Baía da Praia Grande, ca. 1850
Pintor desconhecido Gravador desconhecido Ponta-seca
Desde meados do século XVI, Macau, com uma cultura única de abertura, tornou-se um entreposto internacional na região Este da Ásia. Como cidade de harmonia e tolerância, abrigou diferentes estilos de vida, línguas, artes e religiões, cada qual com o seu significado e espaço próprios neste pequeno canto do mundo. O seu panorama magnífico atraiu e inspirou muitos pintores ocidentais que, além de expressarem emoções próprias, mostraram nas suas pinturas o estilo peculiar de Macau. Nos seus primeiros tempos, Macau foi a porta de entrada dos ocidentais na China.
Procissão nas Ruínas da Igreja de S. Paulo, 1858
Desenho de William Heine gravado por P.S. Duval & Co.,Nova Iorque
Em Setembro de 1792, os ingleses enviaram um emissário para as celebrações do aniversário do imperador Qing Gaozong, com o objectivo inconfessado de negociar um tratado comercial com a China. O embaixador inglês George Macartney, faz-se ao mar num navio da marinha real, equipado com 64 canhões e provisões suficientes para o Oriente. Fazia-se acompanhar por um séquito de cerca de cem homens de ofícios diversos como músicos, intérpretes, cartógrafos, artistas, carpinteiros, soldados e criados.
Actividades na Praia Grande,ca. 1850

Desenho de Warner Varnham Esq. Gravado por W.H.Capone
A fotografia ainda não existia por isso foram os artistas que foram desenhando tudo o que viam, para manter um registo visual da viagem. A tripulação chegou a Macau em Junho de 1793 e, um mês depois, Macartney chegava a Pequim, onde era recebido, a 18 de Agosto, pelo imperador Qing Gaozong no Palácio Imperial de Verão, em Yiehe (Rehe). Como Macartney desconhecia o protocolo chinês, ofendeu inadvertidamente o imperador que, no entanto, o tratou com cortesia. Contudo, o imperador recusou o seu pedido de abrir mais portos ao comércio. Em Setembro desse ano, Macartney viajou para o Sul da China e deixou Guangzhou em Dezembro, de regresso à Europa. Esta foi a primeira missão diplomática da Inglaterra à China, em que o emissário registou os pormenores da sua experiência de viagem, tendo os artistas desenhado inúmeros locais e pessoas, que depois mostraram aos seus compatriotas. Esta informação fez aumentar a curiosidade dos ocidentais e deu origem a um número crescente de obras sobre a dinastia Qing. Em 1843 foi publicado em Londres o livro Império Chinês, que continha numerosas gravuras, incluindo paisagens, arquitectura e cenas do quotidiano do mostrando hábitos e costumes do povo chinês.
Convento de São Francisco, 1814
Desenho de James Wathen Gravado por J. Clark Água-tinta
Os quadros mostram diferentes cenários tradicionais chineses durante o século XIX, recriando a elegância e o quotidiano prazenteiro e despreocupado característico do charme singular da Baía da Praia Grande; a beleza da paisagem da área costeira do Monte da Guia. Nas gravuras pode observar-se também as manifestações religiosas da população em frente às Ruínas de S. Paulo e a alegria da ópera chinesa perto do Templo de A-Ma.
A partir de um texto do Museu de Arte de Macau
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