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As zonas do Fai Chi Kei, Doca do Lamau e Ilha Verde eram as áreas eram as mais pobres de Macau até pelo menos ao final da década de 1980. No Lamau existiam os estaleiros chineses para a construção de juncos de pescas, tudo em seu redor era constituído por parafitas, no Bairro de Fai Chi Kei, havia somente dois prédios do Estado, o resto, junto ao mar era constituídos por barracas. Os incêndios aconteciam com alguma frequência.
O bairro de habitação social Fai Chi Kei foi projectado por Manuel Vicente em 1977 e concluído em 1981. As seis torres sociais do Fai Chi Kei somam 240 fracções, distribuídas por seis pisos.
O Fai Chi Kei tem 14 tipologias de habitação, o que atesta o seu experimentalismo.
No conjunto vasto de obras que Manuel Vicente construiu em Macau, o Fai Chi Kei ocupa um espaço particular. Os dois blocos que projectou referem-se a duas bandas de habitação que existiam previamente. O carácter monumental da estrutura é suavizado pelas passagens interiores, pátios intimistas e tipologias diferenciadas. No quadro da cultura arquitectónica, trata-se de um cruzamento singular do neo-racionalismo italiano – daí o carácter monumental – com a cultura americana – daí a procura de um certa domesticidade pós-moderna. Se os volumes e os rasgos que o desenham são monumentais, o verde e o cor-de-rosa das paredes são pop e comunicantes. Sendo simples e complexo, o Fai Chi Kei é uma tentativa livre de encontrar uma arquitectura de âmbito social no contexto macaense. Nesse sentido, insere-se destacadamente num período em que a habitação social era a arquitectura de ponta em Portugal.
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