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Sinopse -“Macau: Poder e Saber” é uma obra que nos possibilita viajar até ao século XVI e primeira metade do século XVII, acompanhando o nascimento e consolidação de um dos territórios que, por gozar de uma localização geográfica privilegiada, se tornou um dos mais fascinantes da nossa história. Palco do diálogo entre culturas e mundividências radicalmente diferentes e ponte comercial entre a Europa e o Sudeste Asiático, ao longo destas páginas assistimos à rápida transformação de Macau de pequena aldeia de pescadores num florescente e poderoso empório marítimo-comercial e não só, numa perspectiva que não deixa de pôr lado a lado micro e macrocosmos. Culminando anos de investigação e assente em sólida documentação, esta é uma obra de amplo interesse que vem somar ao nosso conhecimento de uma das épocas de maior riqueza intelectual e cultural da nossa história.

O relativo esquecimento a que a História de Macau tem sido votada nos últimos anos foi compensado pela publicação desta obra de Luís Filipe Barreto, que se dedicou ao estudo deste tema nos últimos anos. Neste livro, sugestivamente intitulado “Macau: poder e saber”, há uma primeira parte consagrada aos poderes económicos, sociais, políticos, que tecem a realidade de Macau”, em que se começa por focar o ano de 1555, ano em que Fernão Mendes Pinto escreveu a carta considerada a “Certidão de nascimento de Macau”, para depois se recuar para um enquadramento da matéria em causa, focando a história dos portugueses no Sudeste Asiático e na Ásia Oriental, desde que chegaram a Malaca, em 1509. Depois desta contextualização, o autor apresenta uma larga perspectiva da quase secular “paisagem histórica-social de Macau desde cerca de 1557 a cerca de 1650”. Na segunda parte do livro, é-nos dada uma análise do “universo da cultura intelectual de Macau”, onde se apresentam, as obras dos que, naquela época, de algum modo contribuíram para o nosso conhecimento da China e de Macau, em particular. A História de Macau ficou mais rica com esta obra que nos permite compreender melhor como a história desta cidade portuária possui uma tão rica perspectiva internacional, fruto de acções de “portugueses casados e miscigenados” que interagiram com “chineses de Macau e da restante China”. Por fim, lamentamos apenas que não tenha sido feito um índice remissivo para apoio do leitor na busca de temas que mais particularmente o possam interessar.
Texto/recensão de José Manuel Garcia em 2006
Luis Felipe Barreto é Presidente do Centro Científico e Cultural de Macau desde 2006 e foi director do Instituto de Estudos Portugueses em Macau entre 1992 e 1994.
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