Fevereiro 2010


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Anos 60: fotografia de Ip Chor Fung
1972: fotografia de Au Peng
Anos 70 – Foto de Ip Chun
1984: Foto de Kuong Ion Long

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Secção estrangeira – A China e os portugueses de Macau
Macau, 10 (Fevereiro) – Como um sinal das relações de boa vizinhança entre os chineses por um lado e os portugueses de Macau e os ingleses de Hong Kong pelo outro, foi interpretada aqui a notícia pubicada pelo jornal comunista de Cantão ‘Takungpao’, segundo a qual, durante as solenidades do Ano Novo Chinês, que começam hoje, os chineses residentes em Macau e Hong Kong podem ir à China sem autorização especial, apenas apresnetando na fronteira os seus bilhetes de identidade. É a primeira vez, desde o estabelecimento do regime comunista, que esta facilidade é conhecida. (ANI).
NA: Reprodução integral da notícia (a imagem não se refere à notícia); para ajudar a contextualizar deixo alguns dados: a ANI era a Agência de Notícias e de Informações, tb conhecida por Agência Noticiosa de Informação, criada em 1947, em paralelo com a já existente Agência Noticiosa Lusitânia (1944); o regime comunista foi implementado na China em 1949.

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28 de Maço 1981: Universidade da Ásia Oriental
Cerimónia inaugural que teve lugar na sala da pelot basca do Casino Jai Alai.
Stanley Ho, Ho Yin, Gov. Almeida e Costa
Vista da UAO em 1983

Samuel Mak and his family’s life in Macau from 1981 to 1987. The Maks was the first group that moved into the University of East Asia’s staff quarter on August 28, 1981. Photos: E. Mak

“História de um jubileu” título do artigo de Ana Isabel Dias publicado na Revista Macau em 2006 e do qual se reproduz um excerto.
Primeiro chamou-se Universidade da Ásia Oriental e destinava-se sobretudo a alunos de Hong Kong. Acabou por se transformar na universidade pública local e agora percorre o caminho da internacionalização
A 28 de Março de 1981 nascia a Universidade da Ásia Oriental, visando sobretudo potenciais alunos de Hong Kong, uma vez que, à altura, não era permitida a abertura de mais universidades no território vizinho. Tinha por accionistas empresários de Hong Kong, mas também alguns de Macau. O Governo de Macau apoiou o projecto cedendo o terreno no qual se ergueu a célula base da Universidade da Ásia Oriental. A universidade funcionou com programas curtos, de fim-de-semana, ou de Verão, destinados a alunos de Hong Kong, embora tivesse já alguns cursos de três anos seguindo o modelo britânico. Assim operou durante cerca de cinco anos, pouco ou nada beneficiando a população local, não só pelos preços praticados como pelas áreas académicas disponíveis. Os residentes de Macau que queriam prosseguir estudos para além do ensino secundário, continuavam a ter de procurar universidades estrangeiras ou em Portugal, o que não era acessível para todos.
Ao ser assinada a Declaração Conjunta Sino-portuguesa, em 1987, Macau despertava para a necessidade de formar quadros superiores locais que garantissem a governação e administração do território após a transferência de poderes em 1999. Restavam 12 anos para formar aqueles que iriam assegurar o funcionamento de Macau nos moldes estabelecidos e acordados entre a China e Portugal .
A transição
Criar uma nova universidade poderia atrasar ainda mais todo o processo formativo. A solução encontrada pelo Governo foi a compra da Universidade da Ásia Oriental, através da Fundação Macau, o que aconteceu em 1988. Manteve-se o mesmo nome, mas havia já intenções de transformá-la em universidade pública. A reestruturação começou com o estabelecimento de várias faculdades: Faculdade de Artes, Faculdade de Gestão de Empresas e Administração, Faculdade de Ciências Sociais e Faculdade de Ciência e Tecnologia. Os cursos de três anos foram alargados até aos quatro anos, seguindo os modelos de Portugal, China e Estados Unidos. A criação dos cursos de Direito e de Educação levou, mais tarde, ao estabelecimento das respectivas faculdades. O objectivo principal era formar tendo em vista as necessidades locais.
Decorridos dez anos desde a fundação da Universidade da Ásia Oriental, o número de estudantes tinha aumentado de algumas centenas para dois mil.
A 9 de Setembro de 1991 surge a grande mudança: a Universidade da Ásia Oriental torna-se uma universidade pública e passa a chamar-se Universidade de Macau. Na sequência desta transformação e da aquisição feita pelo Governo de Macau, a Universidade da Ásia Oriental viria, assim, a dar origem à Universidade de Macau (UM), ao Instituto Politécnico e à Universidade Aberta Internacional da Ásia, sendo esta a única privada.
A Universidade de Macau tinha nos oito anos que se seguiam a missão de servir os estudantes de Macau, respondendo às necessidades do período de transição tendo em conta a transferência de administração a 19 de Dezembro de 1999. O número de estudantes aumentou para três mil, 90 por cento dos quais residentes locais.
A internacionalização
A partir de 2000, e com a Região Administrativa Especial de Macau entretanto estabelecida, a Universidade de Macau, considerando que parte dos objectivos na formação de quadros locais tinha sido alcançada, começa a mudar a sua missão tentando inserir-se na competitividade académica internacional. Uma nova fase de expansão que passa pela afirmação da qualidade do ensino e pela captação de professores e alunos de diferentes países.
Um novo enquadramento jurídico aprovado este ano pela Assembleia Legislativa garante à UM maior autonomia relativamente ao Governo passando a ser gerida pelo Conselho da Universidade que, deixando o papel meramente consultivo, se tornou num dos órgãos de gestão, juntamente com o Reitor e o Senado. As alterações verificadas nos estatutos de pessoal viabilizam a contratação de docentes com contratos que podem ser de três ou mais anos de duração. Medidas que, na opinião do vice-reitor, Rui Martins, servirão os propósitos de melhor qualidade considerando que para atrair professores associados e catedráticos de muito bom nível não é possível fazê-lo com contratos de um ou dois anos. Refere o vice-reitor que com esta nova estrutura foram já atraídos três directores de faculdade, Gestão de Empresas, Ciências Sociais e Humanas e Educação. Eram professores do quadro nos Estados Unidos, Taiwan e Inglaterra e aceitaram integrar a UM, dado o novo regime contratual. Foi ainda criada a figura de catedrático de mérito, cujo nível salarial está acima do professor catedrático, de modo a atrair professores mais qualificados. Para Rui Martins é óbvio que não será possível ter cinquenta ou trinta professores catedráticos de mérito, mas pelo menos cinco, um por faculdade, farão a diferença, contribuindo essencialmente para a investigação e o reconhecimento de excelência.
Com mais de seis mil alunos e uma equipa de trezentos professores, a Universidade de Macau, cuja principal língua veicular é a inglesa, pretende conquistar um lugar de prestígio entre a comunidade académica internacional. Este ano, no jubileu de prata, entre uma agenda carregada de actividades comemorativas, a UM promove mais de quatro dezenas de seminários com nomes de destaque no mundo académico internacional, como é o caso do Prémio Nobel da Física 2005, Roy Glauber.
Decorreram 25 anos, em três etapas distintas, que viram também triplicar o espaço físico da Universidade. Do edifício nuclear de 1981, o complexo universitário expandiu-se por vários blocos distintos. O plano de desenvolvimento da UM proposto ao Governo da RAEM, orçado em 300 milhões de patacas, ficará concluído este ano com a remodelação da zona de acesso à Biblioteca Internacional, o Complexo Desportivo e uma nova zona de entrada. Tem desde o ano passado um novo edifício, construído para os Jogos da Ásia Oriental e que serve de residência a cerca de mil alunos. Entre salas de aulas, laboratórios, e auditórios, a UM conta com um Centro Cultural, um Centro de Convenções, possui a maior Biblioteca de Macau e um dos melhores centros de documentação da região Ásia-Pacífico. Para o futuro e como refere o vice-reitor, a aposta está cada vez mais focada na qualidade dos cursos e da própria instituição.

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O Governo de Macau ordenou a construção do Mercado da Taipa no segundo semestre de 1886, como se comprova pelo relatório das Obras Públicas, inscrito no Boletim da Província de Macau e Timor de 14 de Setembro de 1886, suplemento nº.36.
A obra foi suportada em partes iguais pelas Obras Públicas e pela Comissão Municipal da Taipa e Coloane, perfazendo $ 800.000 reis, equivalente aproximadamente a 1.600.000 patacas “É estabelecido este mercado com 990 metros quadrados sendo este separado da Rua Carlos Eugénio, e da que confina com o novo aterro, por muros adornados de balustrada, e nas partes laterais foram levantados dois telheiros, divididos em dezoito lugares para os vendedores, sendo distribuído a cada um uma área superior a nove metros quadrados.”
Trata-se de um edifício de características mistas, com um telhado de construção ao estilo chinês, com “…apenas uma ordem de telhas bem ligadas, e bem cobertas as juntas com argamassa” e as colunas são uma interpretação local da arquitectura neoclássica de inspiração greco-romana.
O surgimento do Antigo Mercado da Taipa, perdeu-se inicialmente com a necessidade de acompanhar o crescimento da Vila da Taipa e o desenvolvimento económico inerente. Na altura da sua construção era a única infra-estrutura do género construída para comercialização de bens alimentares, alguns dos quais produzidos localmente.
No rearranjo da zona envolvente do mercado foi construído este ‘mural’ que conta a história
A sua localização privilegiada, entre as principais vias de acesso à vila, a rua Direita Carlos Eugénio e a rua Correia da Silva, e a actividade que aí se desenvolvia, faziam deste espaço, em finais do século XlX, um dos principais pontos de encontro e de convívio da população local.
Naquela altura, a maior parte da actual Rua do Regedor e do Largo Tamagnini Barbosa eram zonas costeiras, com muito lodo das sedimentações do Rio das Pérolas e a principal actividade era a recolha de ostras transportadas para o mercado a par de produtos derivados, do pescado, dos produtos agrícolas e da própria água.
No início do ano de 1970, este mercado deixou de ser utilizado. Entretanto, num diferente contexto social, em 1983 entrava em funcionamento o novo Mercado da Taipa. O aparecimento da primeira ponte de ligação Macau-Taipa em 1974, e da Ponte da Amizade, em 1994, os novos aterros, construções e demais infra-estruturas, transformavam a Taipa num novo, populoso e agitado centro urbanístico.
Texto e fotografias de Bessa Almeida

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Em cima uma imagem do símbolo utilizado nos livros impressos pela Imprensa Nacional de Macau nas décadas de 60 e 70.
Em baixo reprodução de partes do Boletim Oficial, também impresso pela INM.
NA: utilizando o campo da pesquisa encontra um outro post que conta a história da INM.

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Em Março deste ano o Governo de Macau vai demolir quatro prédios no centro históricos da cidade, dois dos quais construídos numa área que foi ocupada pelo antigo Colégio de S. Paulo e onde se pretendem realizar escavações arqueológicas.
Boa ideia, digo eu. E até acrescento que também se deveria aproveitar para classificar e salvaguardar certas construções: Ponte Nobre de Carvalho (1974), Edifício da Escola Comercial (actual Escola Portuguesa), 1966, Bairro de S. Lázaro, etc… E já agora vedar ao trânsito certas zonas do centro histórico…
Imagem da década de 1960
Bairro de S. Lázaro

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