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O Governo de Macau ordenou a construção do Mercado da Taipa no segundo semestre de 1886, como se comprova pelo relatório das Obras Públicas, inscrito no Boletim da Província de Macau e Timor de 14 de Setembro de 1886, suplemento nº.36.
A obra foi suportada em partes iguais pelas Obras Públicas e pela Comissão Municipal da Taipa e Coloane, perfazendo $ 800.000 reis, equivalente aproximadamente a 1.600.000 patacas “É estabelecido este mercado com 990 metros quadrados sendo este separado da Rua Carlos Eugénio, e da que confina com o novo aterro, por muros adornados de balustrada, e nas partes laterais foram levantados dois telheiros, divididos em dezoito lugares para os vendedores, sendo distribuído a cada um uma área superior a nove metros quadrados.”
Trata-se de um edifício de características mistas, com um telhado de construção ao estilo chinês, com “…apenas uma ordem de telhas bem ligadas, e bem cobertas as juntas com argamassa” e as colunas são uma interpretação local da arquitectura neoclássica de inspiração greco-romana.
O surgimento do Antigo Mercado da Taipa, perdeu-se inicialmente com a necessidade de acompanhar o crescimento da Vila da Taipa e o desenvolvimento económico inerente. Na altura da sua construção era a única infra-estrutura do género construída para comercialização de bens alimentares, alguns dos quais produzidos localmente.
No rearranjo da zona envolvente do mercado foi construído este ‘mural’ que conta a história
A sua localização privilegiada, entre as principais vias de acesso à vila, a rua Direita Carlos Eugénio e a rua Correia da Silva, e a actividade que aí se desenvolvia, faziam deste espaço, em finais do século XlX, um dos principais pontos de encontro e de convívio da população local.
Naquela altura, a maior parte da actual Rua do Regedor e do Largo Tamagnini Barbosa eram zonas costeiras, com muito lodo das sedimentações do Rio das Pérolas e a principal actividade era a recolha de ostras transportadas para o mercado a par de produtos derivados, do pescado, dos produtos agrícolas e da própria água.
No início do ano de 1970, este mercado deixou de ser utilizado. Entretanto, num diferente contexto social, em 1983 entrava em funcionamento o novo Mercado da Taipa. O aparecimento da primeira ponte de ligação Macau-Taipa em 1974, e da Ponte da Amizade, em 1994, os novos aterros, construções e demais infra-estruturas, transformavam a Taipa num novo, populoso e agitado centro urbanístico.
Texto e fotografias de Bessa Almeida
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