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Década 1970: militares em Macau a receber o correio

Eis, em resumo, a história do Serviço Postar Militar em Macau…

A 14 de Janeiro de 1950 é publicada em Macau uma portaria que torna extensiva ao Território a isenção do pagamento de franquia postal pelas cartas e BP não registados expedidos para o continente e ilhas pelas forças militares expedicionárias às colónias de África.
Em Janeiro de1963 chega a Macau vindo do CTI Timor, um militar que vai proceder à montagem do Serviço Postal Militar. A 2 de Fevereiro desse ano é criada a EPM 3 – Estação Postal Militar de 3ª classe destinada ao serviço militar que começa a funcionar a 28 desse mês “no pavilhão sito no Jardim de S. Francisco”. A EPM3 é extinta em Outubro de 1974.
Texto elaborado a partir do livro “Unidades Militares em Macau” de Armando Cação

Fotografia dos anos 60 onde se vê a EPM3…
em cima é o Hospital
Com a deslocação para África de grandes efectivos militares a partir de 1961, as Forças Armadas Portuguesas foram confrontadas com a necessidade de fazer chegar “o correio” a todos os locais onde estivessem estacionadas unidades militares. O Exército tinha a experiência vivida na Flandres durante a 1ª Grande Guerra, quando foi criado o “Regulamento do Serviço Postal do Corpo Expedicionário Português – CEP” que serviu as tropas portuguesas em França em 1917 e 1918. Foi assim que no final da década de 1950 nasceu o Serviço Postal Militar (SPM). A definição dos códigos de endereços foi uma das primeiras missões. Esses códigos eram constituídos por 4 dígitos, dos quais os primeiros 3 definiam a unidade militar, e o último a província ultramarina. Assim, inicialmente o digito 1 correspondia à Índia, o 2 a S Tomé, o 3 a Macau, o 4 a Moçambique, o 5 a Timor, o 6 a Angola, o 7 a Cabo Verde, o 8 à Guiné, e o 9 à Metrópole.

As cartas e aerogramas partiam e chegavam da família e dos amigos, mas as mais esperadas eram as das madrinhas de guerra.
Os aerogramas estavam isentos de franquia, e enquanto no ultramar eram oferecidos aos militares, em Portugal eram vendidos a 20 centavos.
Muitos dos aerogramas partiam «à boleia», isto é, ao cuidado do carteiro de uma terra qualquer, que naquela altura conhecia toda a gente, com o pedido de que a entregasse a uma menina bonita que encontrasse. Claro que havia sempre aqueles que tinham mais sorte na terra escolhida, e de tantas madrinhas que tinham até dispensavam aos amigos. Para receber as cartas havia formatura ou simples ajuntamento.

O SPM foi criado para as Companhias em serviço militar no Ultramar a 3 de Junho de 1961, embora tenha sido oficializado em 1966, através do decreto-lei n.º 46826, de 4 de Janeiro chegou ao terreno em Agosto de 1961 a circulação de aerogramas militares com isenção de franquia.


O SPM foi instalado em Luanda e começou a funcionar em Julho de 61, com a abertura do primeiro órgão executivo EPM 6 (Estação Postal Militar 6), que funcionou até Novembro de 1975.

O SPM nas outras ex-colónias foi instalado em S.Tomé e Príncipe, em Setembro de 62 (EMP 2), em Macau iniciou-se em Fevereiro de 63 (EPM 3), em Moçambique o EPM 4 foi instalado em Outubro de 62; o EPM 5 em Timor iniciou-se em Janeiro de 63, em Dili, em Cabo Verde em Novembro de 61 (EPM 7) e por último na Guiné (EPM8), onde foi instalado em Outubro de 61.

Paralelamente ao SPM foi criado o Movimento Nacional Feminino. Uma das modalidades então conseguidas do Governo foi a isenção do porte de franquia para a correspondência dos expedicionários. (ver imagens) As fórmulas postais a usar deveriam apresentar no canto superior direito, os dizeres “Correio Aéreo – Isento de porte e sobretaxa – Portaria nº 18545 de 23 de Junho de 1961 e a sua edição estaria a cargo do MNF.
Origens do SPM 
Naturalmente, a grande maioria das forças do exército encontrava-se dispersa no mato em grandes áreas, onde não havia estações dos correios normais, muitas vezes em locais isolados e inóspitos, alguns de muito difícil acesso.
Do antecedente o Exército Português tinha a experiência vivida na Flandres durante a 1ª Grande Guerra, quando foi criado, aprovado, e posto em execução o “Regulamento do Serviço Postal do Corpo Expedicionário Português – CEP” que serviu as tropas portuguesas em França em 1917 e 1918.
No final dos anos 50 início da década de 60, houve necessidade de tornar operacional a Chefia do Serviço Postal da Divisão quando o Exército constituiu e tornou operacional a divisão “Nuno Álvares” integrada no SHAPE. O activar deste serviço nas grandes manobras que então ocorriam durante todo o mês de Setembro em Santa Margarida, e que envolviam cerca de 10,000 militares, aconteceu nas manobras de 1960. Para exercer as funções de chefia desse serviço postal, o Estado Maior do Exército requisitou aos serviços dos Correios um seu funcionário qualificado que graduou em Capitão, e que desempenhou com toda a eficiência a sua missão. Terminadas as manobras este quadro dos CTT regressou à sua anterior situação.
Quando em 23Jun61 foi decidido criar um serviço de correios militar, o general Câmara Pina, Chefe do Estado Maior do Exército, requisitou de novo aos CTT o mesmo funcionário a quem, depois de graduar de novo em capitão, encarregou expressamente de organizar e pôr em funcionamento um Serviço Postal Militar no Ultramar.
Nasceu assim o Serviço Postal Militar (SPM). A definição dos códigos de endereços foi a tarefa imediata a que a Chefia do SPM. Esses códigos eram constituídos por 4 dígitos, dos quais os primeiros 3 definiam a unidade militar, e o ultimo a província ultramarina. Assim, inicialmente o digito 1 correspondia à Índia, o 2 a S Tomé, o 3 a Macau, o 4 a Moçambique, o 5 a Timor, o 6 a Angola, o 7 a Cabo Verde, o 8 à Guiné, e o 9 à Metrópole.
O SPM foi um serviço totalmente constituído por milicianos, nele tendo servido 202 oficiais e 504 sargentos. O SPM foi extinto em 10 de Julho de 1981, cessando toda a sua actividade em 31 de Dezembro de 1981. O SPM tinha como divisa do seu guião “A vida por uma mensagem”.

Aerograma

Entretanto em Agosto de 1961, depois de difíceis e complicadas reuniões entre o Secretariado Geral da Defesa Nacional , a Administração Geral dos Correios, Telégrafos e Telefones (CTT) e os Correios Telégrafos e Telefones do Ultramar (CTTU), foi aprovado o celebre “aerograma”, considerado um impresso-carta, isento de porte e de sobretaxa aérea, e que era constituído por 1 folha de papel com o peso máximo de 3 gramas, dobrável em 2 ou 4 partes, mas de forma que as suas dimensões depois da dobragem não excedessem os limites máximos de 150×105 mms, e mínimos de 100×70 mms.
As regras estabelecidas para o endereço a colocar em toda a correspondência a enviar para as unidades expedicionárias obrigavam a que dele apenas constasse o nome, posto, e numero e o indicativo de SPM atribuído.
NA: Excertos dos livros “História do Serviço Postal Militar” de Eduardo Barreiros e Luís Barreiros, editado em 2005
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