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Quero felicitar e agradecer ao Sr. João Botas pelo seu blog ‘Macau Antigo’. Nasci em Macau em 1941, filho de mãe chinesa e de pai português. Após a reforma do meu pai, que era sub-chefe da Polícia de Pública em Macau, vim para Portugal em 1951, nunca tendo voltado a Macau por razões financeiras e de saúde. Através de ‘Macau Antigo’ tenho revivido as minhas memórias de infância. Desde o Bairro Tamagnini Barbosa, onde morei, até à Escola Primária Oficial, onde estudei. Para que conste e para quem possa interessar, o meu nome é Manuel Tito de Jesus e o meu pai chamava-se Isaac de Jesus.
Em Macau fui amigo íntimo de José Maria Basílio, que morava no mesmo bairro e de quem nunca tive notícias. Na Escola Primária Oficial, tive como professora a D. Elfrida Rodrigues, que também era a minha madrinha de crisma. O meu pai era padrinho de casamento de um antigo motorista do Governador de Macau, de apelido “Amândio”, natural de Carvalhal Formoso, Belmonte, Beira Baixa.
A foto é de um antigo militar português em Macau, Luís Marrucho, e mostra o edifício dos CTT cerca de 1950, tinha o Manuel Tito de Jesus 9 anos.
Depois de receber um e-mail, pedi ao Sr. Manuel (com 69 anos reside actualmente na Covilhã) que me enviasse algumas fotografias ao que ele me respondeu “Infelizmente não tenho fotografias de Macau. A única que me restou da época, tirada em 1951 já em Hong Kong a caminho de Portugal, ilustrava a nossa família: o meu pai, a minha mãe, a minha irmã (actualmente emigrada na Alemanha) e eu e uma amiga de Hong Kong da minha mãe. Mas perdi-a.” (…)

“A única recordação física de Macau e mesmo assim tenho de procurar muito para a encontrar, é um missal escrito em chinês (do tamanho de um larousse de poche) que pertenceu à minha mãe, que, embora chinesa, era católica. Sou do tempo do cinema ‘Apolo’, junto ao Leal Senado, e dos cinemas ‘Vitória’, ‘Capitol’ e ‘Roxy’. Ainda não havia o Hotel Lisboa. Esse local era um descampado, onde se instalava o circo.” (…)
“Apesar da minha tenra idade, recordo-me do edifício dos Correios, no Largo do Leal Senado, à esquerda da Av. Almirante Ribeiro, no sentido este. Seguir-se-ia o Banco Nacional Ultramarino e lá ao fundo, virando à esquerda, havia uma grande residência com armazém comercial, da família de Pedro Nolasco da Silva. À direita dos Correios, havia um edifício com arcadas, debaixo das quais trabalhavam artífices chineses que, de formão em punho, talhavam artisticamente as célebres malas de cânfora. Na época, ainda se encontrava no Largo do Leal Senado a estátua do Coronel Mesquita desembainhando a espada. No mesmo Largo do Leal Senado, lembro-me de comer castanhas, não assadas como nós em Portugal num fogareiro a carvão, mas ‘fritas’ numa enorme sertã.”
Obrigado pelo seu testemunho Sr. Manuel. Aqui fica uma imagem de Macau da sua infância…
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