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Lorcha
Pode ser definida de uma maneira simplista como a fusão entre as técnicas navais europeias e chinesas; da primeira retirou a forma do casco, e da segunda o velame, numa combinação que criou uma embarcação rápida e de fácil manobra, tornando-se na embarcação emblemáticas da presença portuguesa nos mares da China.
As dimensões exactas destas embarcações variavam bastante, havendo lorchas que iam desde 30 a 50 toneladas de arqueação, o que significa que teriam entre 25 e 35 metros de comprimento, e entre 6 e 8 metros de boca, e um calado na casa dos 2,5/3 metros. Tradicionalmente eram construídas em madeira locais (cânfora, teca, etc), arvoravam dois ou três mastros.
Em inglês, e de acordo com o “Third New International Dictionary of the English Language”, a origem do nome deriva da presença portuguesa sem mais acrescentar.
Se a génese ocorreu em Macau, este tipo de embarcação disseminou-se pela Ásia, tendo havida lorchas construídas de Bangkok a Singapura, tendo sido referenciadas viagens até perto das costas do Japão e da Coreia. O seu período áureo foram o século XVIII e o século XIX. Com o advento do motor, e de carreiras mais ou menos regulares de cabotagem, estas embarcações foram desaparecendo das águas do Mar da China no princípio do século XX.
Segundo os registos da Capitania de Macau, em meados do século XIX existiam na altura mais de 60 lorchas.
Nos anos 80, foi construída pela Marinha Portuguesa uma réplica no território, que recebeu o nome de Lorcha Macau (ver imagem). 
Algumas lorchas foram armadas com peças de artilharia e utilizadas, em particular pelos portugueses em Macau, como embarcações de combate à pirataria no Mar da China. Algumas destas acções são conhecidas, com descrições da época, bem como os seus nomes: Adamastor, Leão Terrível, Amazona, Tritão. No auge da luta contra a pirataria, as lorchas de Macau (então sob controlo português), tinham uma tripulação mista composta habitualmente por terço de portugueses e o restante de orientais, com predomínio de chineses. A tripulação rondava os 30 homens.
Junco
O termo junco agrupa no ocidente vários tipos de embarcações diferentes, que partilham o mesmo tipo de velame, e algumas características de construção que as unem.
De forma geral o termo junco refere-se a uma embarcação tradicional chinesa, utilizada para a cabotagem.
O termo junco entrou nos léxicos europeus através do termo Javanês jong (Malaio: adjong), que significa navio ou embarcação grande, primeiro através dos portugueses e posteriormente holandeses. Os juncos foram inicialmente desenvolvidos durante a Dinastia Han, cerca de (220ac–200dc).
O velame do junco caracteriza-se por ser composto por lâminas rígidas, ao contrário das velas ocidentais que são feitas de pano, ou mais recentemente de materiais compostos, e consequentemente flexíveis. Ao serem rígidas são, à vez mais eficientes, e permitem um ângulo de ataque ao vento mais apertado. Por outro lado, são mais facilmente ajustadas às condições do mar e do vento, pois ao rizar permitem uma redução mais escalonada da área vélica.
Quando os ocidentais se cruzaram pela primeira vez com os juncos chineses a primeira reacção foi de espanto face ao seu tamanho e a sua versatilidade. Em parte esta surpresa estava ligada ao facto de estas embarcações serem construídas por compartimentos estanques, em que cada secção da embarcação podia receber cargas liquidas a granel, bem como distribuía o esforço sobre o casco de forma mais eficaz, o que permitia a construção de cascos maiores.
Postal com juncos : ca. 1940
Sampana ou Tancar
Uma sampana (chinês:舢舨; pinyin: shānbǎn) é uma embarcação de origem chinesa, de madeira, com o fundo relativamente plano, variando as suas medidas entre 3,5 e 4.5 metros de comprimento.
De uma forma muito simples pode definir-se como uma embarcação asiática de fundo chato, movida a remos laterais ou ginga, e que tem, no centro, uma cobertura de bambu trançado onde se abrigam os passageiros.
Algumas sampanas incluem um pequeno refúgio a bordo, e pode ser utilizado como uma habitação permanente em águas interiores.
As sampanas/tancares são geralmente utilizados para a pesca ou de transporte, nas zonas costeiras ou rios. É raro que um sampana possuir vela ou navegar loge da costa em virtude de não ter meios para sobreviver em caso de más condições climatéricas.
A palavra “sampana” literalmente significa “três pranchas”, em cantonense, a partir das palavras sam (三, três) e pan (板, prancha). O termo se refere à concepção do casco, que consiste de um fundo plano (feito a partir de uma prancha) que aderem a dois lados (as outras duas pranchas).
As sampanas podem ser impelidos remos cruzados ou remos normais ou algumas com um único remo longo, chamado de Yuloh, o qual se utiliza balançando-o, porém, nos dias de hoje muitas delas são já equipas com motor.

Nota: texto elaborado a partir de artigos do Wikipedia e dicionários de língua portuguesa

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