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Lista escrita em português de 524 “colonos” (culis) embarcados em Macau no ano de 1870 a bordo do vapor espanhol ‘Cataluñas’ com destino a Havana (Cuba).
Quando um tratado anglo-espanhol de 1817 tornou ilegal o tráfico de escravos, que afinal só já perto do fim do século, em 1886, acabaria, Cuba precisou de crescente mão-de-obra para as plantações de cana-de-açúcar que substituísse os escravos com que tinha podido contar durante mais de 300 anos. Foi precisamente nesta altura que se pensou levar os cules, primeiro de Hong Kong e depois de Macau. Como o porto de Macau era território português, a questão da emigração passou a constituir uma preocupação do Estado português. Quando Eça de Queirós, nomeado cônsul de 1.ª classe nas Antilhas Espanholas, chegou a Havana, em Dezembro de 1872, à falta de outros problemas ou interesses, passou a analisar a situação de quase escravatura que os cules sofriam.

A palavra «cule» na Índia significa apenas um carregador ou trabalhador braçal. Encontravam-se, naturalmente, na base da escala social (mas acima, numa sociedade tão complexamente estratificada, dos intocáveis), e por isso a determinada altura começaram a emigrar. Quando Gandhi estava na África do Sul, a palavra «cule» tinha uma forte conotação de desprezo, e todos os indianos eram designados cules. Os ingleses que estavam na colónia, numa demonstração de crassa ignorância, também chamavam samis aos cules, que é uma palavra que vem do tâmil e significa patrão, mestre (é o swami do sânscrito).
Texto de Hélder Guegués.

Para mais informações sobre o assunto, aconselho a consulta, entre outros, deste livvro de Beatriz Basto da Silva, Emigração de Cules: Dossier Macau 1851-1894. – Fundação Oriente, 1994. 197 p; de um artigo da “Revista de Cultura”, Macau, 2 (7-8) Out. 1988-Mar. 1989, p. 41-48 …

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