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O Osprey nº 4 aterrando nas águas de Macau.
Um Osprey a ser içado para bordo do Afonso de Albuquerque
Com 3 Fairey IIID, foi organizada em 1927, em Macau, a terceira unidade da Aviação Naval portuguesa. Em 1934 a unidade de Macau foi reforçada com 8 Hawker Osprey (ou 4? ou 6? os números variam consoante as fontes). Estes foram integrados na Aviação Naval em 1935 e durante algum tempo serviram a bordo dos avisos Afonso de Albuquerque e Bartolomeu Dias, sendo os únicos aviões embarcados da Armada. Após serem substituídos a bordo por canhões anti–aéreos, estes dois aviões foram destacados para o Centro de Aviação Naval de Macau, onde serviram até 1941.
Outros seis foram adquiridos pelo Ministério das Colónias para o C.A.N. de Macau. Tinham um motor Rolls Royce Kestrel II – M 5 de 630 h.p. atingindo uma velocidade de 282 Km/h e uma autonomia de 600 Km.
O CAN, Centro de Aviação Naval de Macau era uma hidrobase instalada na ilha da Taipa em 1927 para apoio às forças navais que combatiam a pirataria nos mares da China. O centro foi desactivado em 1933 mas reactivado em 1937, por ocasião da Guerra Civil chinesa e da invasão deste país pelo Japão. Em 1940 o centro foi transferido para as novas instalações construídas no Porto Exterior (ver imagem abaixo). Em 1942 foi definitivamente desactivado.
Perto do final da II Guerra Mundial, em 16 de Janeiro de 1945, a aviação americana atacou a cidade. A razão principal do ataque foi a destruição dos depósitos de gasolina existentes no hangar do antigo Centro de Aviação Naval de Macau, no Porto Exterior, que ficou reduzido a escombros. O quartel de S. Francisco foi atingido por tiros que partiram vidros, danificaram a cobertura, perfuraram canalizações e esgotos e causaram feridos ligeiros. A fortaleza de D. Maria, onde se encontrava o Posto de Rádio ficou danificada. O ataque cifrou-se em cinco mortos. E foi repetido em 5 de Março e 7 de Abril. Todos os ataques foram realizados por esquadrilhas da “Taskforce 38” da USAF, sob o comando do Almirante William Halsey.

Fairey III D nº 20, da Aviação Naval, ao serviço do C.A.N de Macau
(em baixo sobrevoando Hong Kong)
O Fairey III D chegou a Portugal em Janeiro de 1922, devido ao interesse da Marinha em experimentar o lançamento de torpedos a partir do ar. Entre o primeiro conjunto de três hidroplanos Fairey entregues, havia um especial, o Transatlantic Fairey III D, que o comandante Sacadura Cabral tinha solicitado para concluir a travessia planeada do Atlantico Sul.
O F-400 Transatlantic, denominado “Lusitânia”, tinha uma maior envergadura de asa que os outros, um maior alcance em distância e podia transportar dois tripulantes lado a lado. Este foi o avião no qual Gago Coutinho e Sacadura Cabral começaram a sua travessia em 30 de Março de 1922 e que se despenharia perto das rochas de S. Pedro, ao largo da costa do Brasil. O F-401, um III D cujas asas tinham sido expandidas, foi então expedido para Fernando de Noronha para substituir o “Lusitânia”. Este avião acabaria também por cair no mar após uma falha de motor. O avião que concluiria a travessia seria um F-402, outro III D, chamado “Santa Cruz”, que se encontra em exposição no Museu da Marinha, em Lisboa. Uma réplica do mesmo avião pode ser vista no Museu do Ar em Alverca. Aos modelos F-401 e F-402 foram dadas os códigos 16 e 17. O Lusitânia não teve código por ter sido considerado um avião destinado a uma missão especial.
Em Novembro de 1922 a Aviação Naval obteve mais três Fairey III D, que foram registados com os códigos 18, 19 e 20. Numa emergência, dois destes aparelhos (19 e 20), juntamente com o “Santa Cruz” inaugurariam o Centro de Aviação Naval de Macau, localizado na ilha Taipa. Quando a tensão na zona baixou, o “Santa Cruz” regressou a Lisboa, enquando os outros dois ficavam em Macau. O centro de Aviação Naval de Macau foi desactivado em 1933 e quando foi reactivado em 1938, estes dois aviões ainda lá se encontravam, mas já tinham sido oficialmente retirados do serviço em 1930.

Desenho do hidroavião Fairey
NA: post escrito a partir de artigos de José Fernandes dos Santos; Fotografias do Museu da Força Aérea Portuguesa.
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