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Novembro de 1945
1944
“Cincoenta avos” de 1942
1944
Macau durante a Guerra do Pacífico viveu uma dos momentos mais dramáticos da sua história. Estou nesta altura a preparar uma trabalho mais extenso sobre este período pelo que deixo aqui o convite aos milhares de leitores do Blog que queiram participar enviando o seu contributo (testemunhos pessoais, fotos, recortes de jornais, dicas, sugestões, etc…) para o e-mail macauantigo@gmail.com
Zona das Torres de Rádio da D. Maria ca. 1938 – esta zona chegou a ser bombardeada “por engano” pela aviação norte-americana
Como forma de incentivo apresento um testemunho inédito de um antigo militar em Macau no final da década de 1940, Diamantino Correia.
“Então aqui vai uma história sobre a ocupação japonesa em Macau. Durante alguns meses fui comensal na casa de um guarda de 1ª classe da PSP, sita na Avª Coronel Mesquita. Este sr. chamava-se António Rodrigues e tinha como alcunha “O Fantasma”. Julgo que foi para aquele território nos anos 30, já que à data em que o conheci tinha 7 filhos e o mais velho (António Rodrigues Jr.), já falecido, teria os seus 18 anos. Preparava-se então para prosseguir os estudos superiores em Portugal, o que aconteceu. Não sei qual a sua formatura. Pois o pai “Fantasma” foi chamado a chefiar uma equipa de agentes solicitada pelo hotel Central, uma vez que, alguns militares japoneses, já bem bebidos, se dedicavam à destruição de bens no salão de dança. Chegado lá, pediu a presença do mais graduado. Houve risos de mofa, já que a autoridade portuguesa era periodicamente posta em causa. Mas o “nosso” homem não se intimidou e através do intrépete, fez-lhe saber que o imperador Hiroito não lhes tinha mandado fazer aquilo. Ouvido que foi o nome do imperador, não só abandonaram o local bem como pagaram todos os estragos.
P.S. António Rodrigues era Alentejano (área de Portalegre) e então fazia serviço para o Dr. Pedro Lobo nas instalações da Vila Verde. Vivia, como disse na Avª Coronel Mesquita, numa excelente vivenda cedida pelo “patrão” Pedro Lobo.
Aqui ficam os meus agradecimentos ao Sr. Diamantino que tem tido a paciência de responder aos meus diversos pedidos para que vá buscar aos baú da memória as histórias por ele vividas há mais de meio século.
Vista de Macau em 1938
À chegada a Portugal o antigo governador de Macau durante a Guerra do Pacífico – Gabriel Maurício Teixeira – proferiu uma conferência no dia 3 de Setembro de 1946 na sala do Conselho do Império do Ministério das Colónias. Perante os “representantes da imprensa” resumiu os anos da sua governação. Segue-se um excerto.
(…) Macau chegou a ter entre 450 mil a 500 mil habitantes, ou seja, uma população tripla do normal. (…) Chegaram a morrer de fome 27 mil pessoas no primeiro ano de guerra. A média atingiu mesmo, em certo período, um pouco mais de 3 mil mortos por mês. (…) conseguiu-se reduzir aquele número para 600 (a partir de Outubro de 1942). (…) Quando os japoneses invadiram os terriórios vizinhos refugiaram-se em Macau mais de 26 mil crianças. A cólera provocava muitos mortos. E a fome também. A moeda de nada valia. Imperava o mercado negro e o racionamento. Para conseguir bens o Governo teve de fazer vários negócios com os japoneses. um deles foi a venda da canhoneira Macau, “ou melhor, do velho casco da canhoneira, foi uma óptima operação para a Colónia. Custou cerca de 80 mil patacas há 40 anos. Vendeu-se em troca de arroz e outros géneros indispensáveis por um milhão de patacas.” (…) Fez-se a reforma tributária no sentido de libertar Macau da tirania do ópio e do jogo. Aboliu-se por completo o ópio.”
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