>

A 1ª foto em questão mostra o grupo representativo do Liceu no 1º Campeonato Inter-Escolar de Futebol no ano de 1956. Foi tirada após o desfile de todas as escolas representadas nesse Torneio (Fevereiro de 1956). Convém lembrar que a foto em causa tem mais de 50 anos pelo que, dos comentários que irei fazer, desejo desde já penitenciar-me sobre quaisquer erros ou omissões que possam porventura surgir.
Destacam-se do grupo o Dr. Henrique de Senna Fernandes (à esquerda com óculos), professor do Liceu (Filosofia e História) que era então o dirigente-responsável pela equipa; também presente, Gustavo de Senna Fernandes (do lado oposto, e irmão do Dr. Henrique), actualmente Presidente da Casa de Macau em Lisboa, que era o nosso treinador-seleccionador, digamos que o teórico das estratégias e tácticas da equipa!…
Do friso das colegas que vieram abrilhantar o desfile e apoiar os atletas, estão da esquerda para a direita: Gabriela de Senna Fernandes, Lígia Costa, Ana Maria Jorge, Virgínia Morais, Geraldina Robarts e Lídia Assumpção (estas duas últimas já falecidas). A Gabriela viveu sempre em Macau; a Lígia e Ana Maria estão em Portugal, a Virgínia, depois de viver vários anos em Lisboa e Lourenço Marques, regressou definitivamente a Macau. Não continuo com a identificação dos rapazes, porque o farei na foto seguinte.
Das equipas que entraram no Campeonato, 4 eram portuguesas: Liceu Nacional Infante D. Henrique, Escola Comercial “Pedro Nolasco”, Colégio D. Bosco e Seminário de S. José; das chinesas, seriam duas ou três, já não me lembro.
Para as gerações mais recentes que não devem entender a razão de haver tantas escolas portuguesas, devo esclarecer que até à Revolução do 25 de Abril de 1974, o Ensino Curricular Português abrangia 3 tipos de escolas: Liceus – vocacionados para preparar alunos para as Universidades (exigia o Exame de Admissão após a Primária, 7 anos de curso e Exame de Aptidão para as Universidades), Escolas Comercais (com 5 anos de curso) e virados para o comércio e Escolas Industriais (também com 5 anos de curso) e direccionados para as diferentes indústrias. Não admira pois que o Liceu fosse então considerada a escola de elite e com uma frequência muito limitada de alunos (no meu tempo seríamos cerca de 120, uma turma para cada ano, do 1º ao 5º, e no 3º ciclo – 6º e 7º anos – não excedíamos 20 para todas as alíneas correspondentes aos diferentes cursos superiores). A Escola Comercial, vocacionada para o ramo comercial com disciplinas básicas como o Inglês (muito desenvolvido), contabilidade, dactilografia, estenografia, marqueting, etc., era bastante prestigiada porque preparava muito bem os seus alunos que facilmente conseguiam emprego nas grandes cidades em desenvolvimento (Hongkong, Shangai, Cantão, etc.), sobretudo como funcionários bancários. O Colégio D. Bosco, dirigido por padres da Ordem dos Salesianos, recebia rapazes de famílias mais carenciadas e dava-lhes instrução para cursos vocacionados para a indústria (mecânica de automóveis,etc.). O Seminário de S. José pertencia à Diocese e tinha alunos internos (seminaristas) e externos; o curso que ministrava era em tudo semelhante ao do Liceu, mas com alguma vertente dirigida à preparação de futuros sacerdotes, onde sobressaía o latim.
Nesse tempo, como seria de esperar, havia muita rivalidade entre as escolas portuguesas, sobretudo entre o Liceu e Escola Comercial, mas isso apenas se passava nos recintos desportivos, porque fora do campo, dávamo-nos todos bem.
Relativamente às 2ª e 3ª fotos que também envio agora, devo esclarecer que já as vi no blog. De facto enviei-as a um amigo para me ajudar em algumas dúvidas e ele reencaminhou as fotos para um irmão que, sendo mais novo, falhou em algumas identificações. Essa a razão pela qual repito o envio e a identificação correcta e mais pormenorizada, pois sou contemporânio dos retratados.
Assim, na 2ª foto (Maio de 1956) e abaixados, da esquerda para a direita estão: Alberto Fernandes (mais conhecido por Chíchi, Hong Kong), Miranda (Portugal), João Simões (mais conhecido por Aboy, Toronto-Canadá), Vitor Serra (Lisboa-Portugal), Jorge Silva (Macau), e Alberto Oliveira (S. Paulo-Brasil).
De pé e pela mesma ordem: João Bosco Silva (Coimbra-Portugal), Alberto Nunes (Macau), Manuel Valoma (Vancouver-Canadá), Francisco Rodrigues (mais conhecido por Chiquito, Lisboa-Portugal), Severino Silva (Macau) e Armando Almeida (Lisboa-Portugal).
Dos que ficaram em Macau, Alberto Nunes chegou a funcionário superior das Finanças e o meu irmão Jorge Silva atingiu o topo da carreira administrativa dos Serviços de Saúde, passando depois de aposentado a Solicitador; Chíchi, Aboy, Valoma, Severino e Alberto Oliveira, trabalharam em Bancos de Hongkong; o Chíchi aí continuou, Aboy e Valoma emigraram para o Canadá, Alberto Oliveira e Severino foram para o Brasil, tendo este último regressado mais tarde a Macau; dos que partiram para Portugal, o Miranda chegou a Oficial Superior da Força Aérea, Chiquito chegou a Director de uma Empresa Farmacêutica, Vitor Serra, Armando Almeida e João Bosco Silva tiraram licenciaturas no Ensino Superior.
De todos os presentes, e por uma questão de justiça, gostaria de salientar, a título de curiosidade que o meu irmão Jorge Silva foi, de todos, o mais talentoso e habilidoso em todas as modalidades desportivas que praticou; chegou a representar Macau em Futebol e Hóquei em Campo (também como treinador e selecionador) e foi convidado para ingressar no Sporting Clube de Portugal (onde estagiou durante um mês) com um contrato profissional que só não se concretizou porque ele optou por voltar ao seu emprego em Macau e também para acompanhar a nossa mãe, então já viúva.
Do campeonato em si, devo acrescentar que o Liceu ficou classificado em 2º lugar, tendo sido campeão o Colégio D. Bosco.
A 3ª foto (Junho de 1956) recorda o ambiente festivo do jantar comemorativo do resultado então alcançado pelo Liceu; aí estão todos os que participaram nos jogos, incluindo os suplentes e outros colaboradores, entre os quais menciono o Dr. Diamantino Ferreira, Dr. Francisco Dias, Dr. Ricardo Conceição (Médico nos Hospitais de Coimbra), Júlio Airosa (Presidente da Casa de Macau em S. Paulo-Brasil) e o saudoso José Assumpção (A Kuai Chai).
Contributo de João Bosco Basto da Silva
NA: estas fotografias foram colocadas ainda recentemente num outro post fruto do contributo do Rui Francisco; face a algumas discrepâncias nas ‘legendas’ volto a publicar as mesmas para uma melhor ‘leitura’ das mesmas. Ao Rui e ao João resta-me agradecer o envio das fotos e o seu esforço de memória que por certo será apreciado pelos milhares de leitores do blog.
Anúncios