Setembro 2010


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O “Recenseamento Geral da População da Província de Macau” teve lugar no dia 13 de Fevereiro daquele ano, o primeiro dia do ano novo lunar, altura em que por tradição toda a família se reúne. Constitui uma rica fonte de informação, a maior parte cuidadosamente apresentada por paróquias. Para além dos dados relativos aos fogos, apresenta, de forma pormenorizada, as profissões e taxas de alfabetização por nacionalidades, e um resumo, aqui reproduzido, dos estabelecimentos comerciais. Algumas dessas ocupações, tais como a típica produção de peixe salgado e as várias formas de jogo, ainda persistem em Macau, enquanto outras foram esmorecendo com o tempo. É o caso dos comerciantes de ópio, que empregavam 11% da população activa masculina, e de actividades menos significativas como, por exemplo, a venda de panchões e betele, e a recolha de urina e “matérias fecaes”.

Texto e imagem do Arquivo Histórico de Macau; clicar na imagem para ver em tamanho maior.

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Naturalmente tendo sido publicadas no “Anuário de 1927”, as fotografias retratam aspectos de Macau nos anos imediatamente antes. Por exemplo, são mostradas duas imagens do edifício do BNU: ainda em obras e depois da inauguração em Outubro de 1926. Já o edifício da Caixa Escolar é de 1925.

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Por mais estranho que pareça, a modalidade desportiva mais popular entre os macaenses era o hóquei em Campo. Não admira pois que a comunidade macaense praticasse este desporto com tanta dedicação e destreza que fazia frente a qualquer das muitas equipas de Hongkong, inclusivé a sua própria selecção.
Devo acrescentar que nesse tempo, refiro-me à década de 50, os chineses de Macau não praticavam o hóquei, pelo que, reduzido a macaenses, havia apenas duas equipas, a principal e a dos suplentes; e era assim que os praticantes se treinavam, uns com os outros, e daí saía a formação principal que estava sempre pronta para defrontar as equipas de Hongkong. De referir também que na vizinha colónia, havia dezenas de equipas de hóquei devido às inúmeras comunidades de estrangeiros que ali viviam: indianos, paquistaneses, portugueses, holandeses, para não falar dos ingleses que eram os que tinham mais equipas e das mais fortes; desde a Army (equipa representativa do exército inglês estacionado em Hongkong considerada a equipa, na altura, mais forte), a Royal Navy (Marinha), a Royal Airforce (Força Aérea), várias equipas de civis (constituídas por funcionários públicos e privados ingleses a trabalhar na colónia, tanto em Hongkong como em Kowloon), a equipa do Clube de Recreio (formada por portugueses radicados em Hongkong, também considerada uma das melhores equipas e sempre candidata ao título), as equipas indianas e paquistanesas (onde existia, já nesse tempo, uma grande rivalidade entre essas comunidades, ambas também muito fortes), a Ducth H.C. (equipa holandesa formada por comerciantes e funcionários de empresas holandesas, talvez considerada a mais fraca), e outras.
Como em Macau não havia Campeonato, porque só existiam duas equipas, era frequente, e eu diria até que em quase todos os domingos, haver uma partida de hóquei entre a equipa de Hóquei Clube de Macau e uma qualquer de Hong Kong que nos vinha visitar. Os jogos eram no Campo de Tap Seac e não me lembro de ver alguma vez Macau perder com as equipas de Hong Kong; normalmente as que davam mais luta (Army e Recreio) perdiam por pouco, mas com as outras equipas eram sempre cabazadas! Naturalmente que a nossa equipa também visitava frequentemente Hong Kong para jogos de retribuição e convívios sempre muito animados. As únicas vezes que havia mesmo jogos muito renhidos era por ocasião dos Interports entre as selecções das duas cidades e, aí sim, a vitória tanto pendia para um lado como para o outro.
É evidente que, sendo a modalidade tão popular entre os macaenses, a própria juventude escolar também a praticava com a mesma intensidade e dedicação. Foi assim que surgiu, no ano de 1957, o 1º Campeonato Inter-Escolar de Hóquei em Campo com a participação de 3 Escolas Portuguesas: o Liceu (com duas equipas), a Escola Comercial “Pedro Nolasco” e o Seminário de S. José.

Liceu: a equipa vencedora do compeonato inter-escolar de 1957
agachados e da esquerda para a direita: Carlos Alberto Jorge (falecido em Portugal), Severino Silva (Macau), Francisco Rodrigues (Portugal), Jorge Basto da Silva (Macau) e Olavo Bilac (Portugal);
de pé e pela mesma ordem: Bañares (falecido nos Estados Unidos), Generoso Silva (Brasil),
Armando Almeida (Portugal), João Basto da Silva (Portugal), Humberto Barros (Estados Unidos) e Vítor Serra (Portugal).
No seguimento do Campeonato e à semelhança do que acontecia com os seniores, os mais jovens também tinham, como de costume, de enfrentar a Selecção de Estudantes de Hong Kong.


Selecção de Estudantes de Macau

agachados e da esquerda para a direita: Francisco Rodrigues (Liceu – Portugal), Armando Almeida (Liceu – Portugal), José Capitulé (Seminário S.José – Estados Unidos), Sá e Silva (Escola Comercial – Estados Unidos? ) e Jorge Basto da Silva (Liceu – Macau).

De pé e pela mesma ordem: Alberto Valoma (Liceu – Canadá), Rui Aires da Silva (Escola
Comercial – falecido nos Estados Unidos), António Capitulé (Seminário S.José – Estados Unidos), Vitor Serra (Liceu – Portugal), Frederico Cordeiro (Escola Comercial – Macau), João Basto da Silva (Liceu – Portugal) e o Treinador-Seleccionador Dr. João dos Santos Ferreira (já falecido).


Estudantes de Macau e de Hong Kong

A 3ª foto mostra as duas equipas, com a particularidade de Hong Kong ser representada por um grupo de jovens estudantes de várias etnias e nacionalidades, desde ingleses, indianos,

paquistaneses e portugueses a chineses. Gostaria de, a título de curiosidade, lembrar os 2
portugueses que faziam parte da equipa de Hongkong: de pé, à direita do Dr. Santos Ferreira,
António Jorge da Silva (mais conhecido por Toneco, por sinal meu primo e a viver nos Estados Unidos, como arquitecto), e o outro, também de pé, à direita do Alberto Valoma, Alberto Rodrigues (mais conhecido por Tito, julgo que foi médico em Hong Kong e tem casa em Almancil-Algarve); dos restantes está um indiano típico (com um carrapito na cabeça), muito conhecido na altura, Kuldip Sing, e ainda os ingleses Michel Mottu (de pé), Ted Belote e John Bechtel (ambos agachados); dos outros jogadores de Hong Kong, obviamente, já não me recordo.
O resultado desse Interport foi de 4-0 a favor de Macau com golos marcados por Sá e Silva (2), Jorge Silva (1) e Francisco Rodrigues (1).

“Macaenses” de Hong Kong, numa partida realizada em Fevereiro de 1958, que passo a identificar:
agachados e da esquerda para a direita: Kennet Barnes, Luís Cunha, Arnaldo Ribas, Alberto Colaço, Zoé Siqueira, Armando Jorge, Ludgero Siqueira, João Basto da Silva, Arnaldo Couto e Eng. Humberto Rodrigues;
de pé e pela mesma ordem: Josico Rocha, Fernando Nascimento (árbitro), Alexandre Airosa,
Armando Almeida, Ismael Silva, Amadeu Cordeiro, António Capitulé, Lourenço Ritchie, Alberto Valoma, Fernando Marques, Vasco Silva, Rui Aires da Silva, José Capitulé, Lisbelo Luz, Dr. António Rodrigues da Silva e Frederico Nolasco ( árbitro).
A grande curiosidade desta foto é que a maioria dos jogadores que tinham jogado nos campeonatos escolares, estavam agora a jogar já nas equipas seniores: Armando Almeida, Rui Aires da Silva e João Basto da Silva na equipa de Macau; e na equipa dos “Macaenses”, praticamente a totalidade deles, com excepção de Arnaldo Couto.
Mas o facto mais marcante é que, de um ano para outro, houve uma avalanche de emigração de jovens macaenses para o mercado de trabalho de Hongkong – a tal Diáspora Macaense que, infelizmente, foi uma realidade, comprovada aqui pelas duas últimas fotos. De resto, tenho ideia de que esta situação se manteve em força durante toda a década de 50. De Hong ong (onde a maioria deles se empregaram no Banco HKSBC) e passados alguns anos, muitos desses jovens tiveram ainda que se sujeitar a uma segunda emigração para países ainda mais distantes como Austrália, Brasil, Estados Unidos e Canadá.
O resultado deste jogo, que não foi mais do que um salutar convívio entre os próprios macaenses, foi de 5-0 favorável a Macau; nada de extraordinário, atendendo a que a equipa do Clube “Macaenses” tinha acabado de ser constituída e era, como tal, estreante e ainda pouco entrosada na modalidade. Devo acrescentar, contudo, que com o passar dos anos (bem poucos), essa mesma equipa, que passou a participar nos Campeonatos de Hóquei de Hong Kong, chegou a Campeã e ainda se deu ao luxo de fornecer vários dos seus jogadores para representar a vizinha colónia, em variados jogos e torneios internacionais.
Esta sequência que envio agora é verdadeiramente um documento histórico que fala das
dificuldades cíclicas que se viveram em Macau, ao longo dos séculos, por esta razão ou aquela. À fragilidade económica do Território, no entanto, souberam sempre os seus naturais responder com coragem, determinação e espírito positivo. Têm deixado em todos os países que os acolhem o melhor de si e o bom nome da sua terra – Macau.
João Bosco Basto da Silva – Coimbra, Agosto 2010
NA: É mais uma contributo valioso do amigo João Bosco a quem agradeço e um conjunto de documentos inéditos mais uma vez proporcinados pelo blog Macau Antigo.
É favor ‘clicar’ sobre as fotos para ver em tamanho maior.

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O poeta viajante W. H. Auden – visitou 27 países o que para a época é considerável  – inglês (naturalizado norte-americano em 1946) viajou para a China em 1938 e passou por Macau, tendo ficado hospedado no hotel Bela Vista. Ele e Christopher Isherwood (1904-1986) foram desafiados pelos seus editores a escrever um livro sobre o Extremo-Oriente. “A escolha do itinerário ficou ao nosso critério”, recordariam mais tarde.

E foi o “rebentar da guerra sino-japonesa que nos fez optar pela China”. Saíram de Inglaterra em Janeiro de 1938 para um viagem de seis meses. No final escreveram “Journey to War” editado em 1939 pela Faber & Faber. Às notas de diário de Isherwood foram acrescentados os sonetos de Auden. Um desses sonetos intitula-se precisamente “Macao”.

A weed from Catholic Europe, it took root
Between the yellow mountains and the sea,
And bore these gay stone houses like a fruit,
And grew on China imperceptibly.

Rococo images of Saint and Saviour
Promise her gamblers fortunes when they die;
Churches beside the brothels testify
That faith can pardon natural behaviour.

This city of indulgence need not fear
The major sins by which the heart is killed,
And governments and men are torn to pieces:

Religious clocks will strike; the childish vices
Will safeguard the low virtues of the child;
And nothing serious can happen here.

“Erva daninha da Europa católica”… assim começa esta olhar poético de um inglês sobre Macau – que classifica como ”city of indulgence” – no final da década de 1930 onde o jogo e o pecado não são esquecidos. Frontal, de humor, por vezes, sarcástico, Auden foi também libretista de óperas e autor de peças de teatro.
Este seu poema foi reeditado ao longo dos tempos e um crítico literário, George Monteiro (EUA), em 2007, descobriu diferenças face ao original, numa edição de 1976. Veja quais…

A weed from catholic Europe, it took root
Between some yellow mountains and a sea,
Its gay stone houses an exotic fruit,
A Portugal-cum-China oddity.

Rococo images of Saint and Saviour
Promise its gamblers fortunes when they die,
Churches alongside brothels testify
That faith can pardon natural behavior.

A town of such indulgence need not fear
Those mortal sins by which the strong are killed
And limbs and governments are torn to pieces:

Religious clocks will strike, the childish vices
Will safeguard the low virtues of the child,
And nothing serious can happen here.

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Ao longo dos quase dois anos de existência deste blog tenho publicado diversos post’s sobre Henrique Senna Fernandes. Numa altura em que a sua saúde está débil – e reactivada a sua memória através de uma solicitação de uma leitora do blog – presto aqui nova homenagem e faço votos para a sua rápida recuperação. A imagem é do Jornal Tribuna de Macau.
Henrique de Senna Fernandes, antigo aluno da Faculdade de Direito, tinha 15 anos quando foi a Cantão e conheceu Mamiu. Ela tinha 18 e ele apaixonou-se. Mas nunca a beijou. Um dia Mamiu disse àquele que havia de se tornar o maior escritor contemporâneo de Macau, que ia partir. O pai tinha-a vendido para Hong Kong onde – depois da invasão japonesa – havia muito trabalho para meninas bonitas de famílias carenciadas. “O mundo desmoronou–se para mim. Tive um grande desgosto. Percebi a vulnerabilidade da mulher”, recorda Senna Fernandes. Este episódio havia de ser o primeiro de uma vida dedicada a amar as mulheres. Na vida e na literatura.
Anos depois, quando foi estudar, Henrique conheceu Coimbra. Foram tempos duros. Queria ter seguido Medicina mas rebentou a Guerra e Henrique já não embarcou para a Universidade. Entretanto passaram 4 ou 5 anos e como queria tirar um curso optou por Direito. Formou-se com 10 valores. “Sofri muito durante aqueles anos, não era o curso que eu queria, nunca pensei que seria tão difícil”, diz enquanto aponta para o diploma na parede com ar de indiferença.
Hoje, aos 86 anos, o autor de “Amor e Dedinhos de Pé”, tem as mãos grossas, com dedos compridos cobertos por uma pele rugosa, engelhada e amarela. Não podia ser de outra forma: nas suas veias misturam-se os sangues português, goês e chinês.
O nome Senna Fernandes é bandeira de uma das mais antigas famílias macaenses, que aqui nasce há mais de dois séculos.
As unhas, cortadas de forma irregular, sobressaem nas suas mãos, expressivas. Têm gestos largos, de contador de estórias. Ainda há pouco tempo Senna Fernandes gostava de descrevê-las como “umas mãos que sabem acarinhar”, mas actualmente Henrique não consegue falar. Recentemente, uma doença tomou-lhe de assalto a garganta. A medicina devolveu–o à vida mas sem voz. E agora são as mãos e os olhos que falam por ele, solidários.
Apesar da doença lhe ter diminuído a carne até aos ossos, o seu rosto é ainda muito agradável. O nariz redondo e achatado arruma-se entre dois olhos doces, profundos e felizes, reflexo de uma vida vivida sem medo. Para além das rugas, por onde se escondem estórias com quase 90 anos, sobressaem as sobrancelhas despenteadas e rebeldes como o homem, que hoje caminha apoiado numa bengala, também já foi. Maria Teresa Ho Heong Sut foi sua mulher durante 40 anos. O seu nome significa “neve perfumada” em chinês. Quem vê fotografias do dia do casamento dos dois percebe porquê. Bonita, elegante, vestida de branco, de braço dado com o homem que acabava de aceitar para toda a vida, parece esconder uma daquelas forças interiores discretas, subtis. É o pró-prio companheiro de toda a vida que reconhece: “era uma rapariga corajosa”.
E era preciso coragem para ser apaixonada por Senna Fernandes. A figura feminina esteve sempre presente na vida do escritor. Na realidade e na ficção. Emocional e apaixonado, ou como descreve o filho Miguel “um amante da vida”, Henrique é um bon-vivant. Ainda pouco tempo antes de perder a voz Senna Fernandes recordou com nostalgia um tempo em que “à tardinha os homens iam admirar as meninas”. Sempre nos jardins, que “são lugares comuns dos poetas e escritores”.
Nos seus romances é à mulher que dedica maior atenção e foram as mulheres que conheceu ou as que se cruzaram por acaso na sua vida que o ajudaram a construir as personagens da sua obra, um retrato fidedigno de Macau do antigamente.
Para além de advogado, Henrique de Senna Fernandes foi também professor, caminho pelo qual enveredou por falta de clientes. Mas foi aí, garantem os antigos alunos, que Senna Fernandes descobriu “a verdadeira vocação”. José Sales Marques, ex-aluno, recorda com um sorriso rasgado que “nas aulas de História de Arte as conversas sobre o Louvre eram ilustradas com descrições das belas francesas que o professor tinha conhecido por lá”. Se lhe pedirem para descrever o antigo professor em poucas palavras a resposta sai-lhe cúmplice:
“É um malandro; mas um bom malandro”. Leonel Alves, deputado, também foi aluno de Senna Fernandes e conta que o docente lhe “ensinou muito e também sobre a vida”. Foi o antigo professor de História que lhe explicou “as artes de fumar um bom charuto”, recorda feliz.
Para além dos livros e das árvores que plantou, quando partir Henrique deixa sete filhos: Cristina, Marina, Miguel, Vasco, Filipe, Nuno e Ana Maria, com apenas 20 anos. O filho Miguel, advogado como o pai, fala de Henrique como “um bom compincha”, mas garante que o escritor “é um homem orgulhoso, de personalidade muito forte”. A fama de mulherengo do pai não parece incomodar o filho. Pelo contrário. Os olhos brilham-lhe quando reconhece que o pai “viveu muito”. Como se estivesse a concluir a ideia do irmão, o filho Miguel acrescenta: “ele educou-nos muito bem, para a cultura, mas também para a vida; ensinou-nos a perceber as pessoas”.
Agora já não são as mulheres, mas a escrita que o prende à vida. Está a terminar o livro “Pai das Orquídeas”. E mesmo frágil e debilitado, garante que há-de arranjar força para o terminar porque a obra não pode ver a luz do dia sem os cinco capítulos que lhe faltam. “Ainda o vou acabar”, assegura, fazendo um esforço imenso para pronunciar as parcas palavras. Só quem não o conhece é que duvida.
Artigo da autoria de Martha Mendes publicado na edição nº 24 da Revista Rua Larga da Reitoria da Universidade de Coimbra, 2009.

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Santa Sancha Palace is a mansion in Macau. It was built in 1846 as a private residence by a macanese architect Thomaz de Aquino. Santa Sancha Palace comprises a two-storey building with a symmetrical front. The building is painted red and has white windows. Santa Sancha Palace is surrounded by a European style garden. From the upper floor balcony, one can see Praia do Bom Parto Bay and Taipa Island.
After changing hands a few times, Santa Sancha Palace was acquired by the Portuguese colonial government in 1926, and converted into Governor Artur Tamagnini de Sousa Barbosa’s official residence in 1937 and until 1999. The Government House at Santa Sancha is now a state guest house.
No número 6 da Estrada de Santa Sancha fica o palacete com o mesmo nome. Rocha Vieira foi o último Governador dos tempos da administração portuguesa a lá viver. Em 2010 o chefe do executivo da RAEM também decidiu ali fixar a sua morada. Construído em 1846, o Palácio de Santa Sancha está classificado como edifício de interesse arquitectónico. É da autoria do arquitecto macaense Thomás de Aquino. começou por ser uma mansão residencial até que em 1926 foi comprada pelo Governo de Macau. Em 1937 o Governador Tamagnini Barbosa (no seu terceiro e derradeiro mandato) mudou-se para ali pela primeira vez. Até então os Governadores não tinham uma residência própria.
Serve este pequeno texto apenas para dar introdução a um artigo do meu amigo Luís Machado sobre o Miradouro de Santa Sancha…
Actualmente, o miradouro de Santa Sancha será mais um “mira terraços com roupa a secar” do que propriamente um local de bela vista para a baía da Praia Grande ou para a ilha da Taipa como outrora, quando era um local onde pares de namorados trocavam beijos, promessas e muitas carícias. Um local bem romântico e aprazível que a construção civil e os lucros rápidos desfizeram para sempre.
Em tempos idos, era nesse local que fazíamos as nossas pistas de ciclismo ou, como por graça chamávamos, o nosso circuito da Guia privativo para máquinas a pedais.
Pois, com as nossas “potentes” duas rodas, girávamos em contra-relógio naquele pacato local onde não se via vivalma, muito menos circulavam automóveis!
Na verdade, foi uma pena terem autorizado, em finais dos anos 70 (do século passado), os dois ou mais andares, acima da cota do jardim, que vieram a obstruir as lindas vistas que a paisagem naquele sítio oferecia! Era de facto um verdadeiro Miradouro, belíssimo, e em boa verdade se diga, que hoje lhe devia ser retirado esse título, pois os terraços circunvizinhos nada têm de bonito para serem observados, quanto mais mirados!
Bem ao lado deste então dito Miradouro ficava (e fica ainda) o também conhecido bairro das três casas, ou em chinês “sam ka tchün”. Era um “micro” bairro onde viviam seis famílias de funcionários públicos e onde tive o privilégio de morar durante cerca de quatro anos, num amplo rés-do-chão com uma vista maravilhosa para o Rio das Pérolas. Situava-se por cima do antigo Hotel Caravela e da Casa de Lara Reis, hoje a sede da Cruz Vermelha, assim como da residência imponente do Cônsul de Hong Kong (mansão a que o Dr Leal de Carvalho faz referência, nomeadamente à rampa íngreme de acesso onde Irina Ostrakof foi vítima de colapso cardíaco). Este representante da Coroa Britânica muito sofreu nos anos da “guerra do Chau Min” (como assim a apelidou, com muita graça, o nosso querido amigo Alecrim, “guerra’’ esta da qual aguardamos um livro seu, prometido há muito), no pós 123 de 1966, devido aos insultos e provocações de que foi alvo e que o obrigaram a retirar-se para não mais voltar durante muitos e longos anos.
Quando em Setembro de 1967 fomos habitar a casa do meio, a residência do Cônsul, que ficava mesmo por baixo, ainda estava praticamente toda “forrada” a papel com imensos dizeres. Entre eles, distinguiam-se os desenhos dos “Paper Tigers” e coisas do género como os “nossos” guardas vermelhos da revolução cultural de Macau os apelidavam, aos ingleses está claro! Mas, a verdade é que nunca mais o Cônsul foi por aqui visto e a casa ficou totalmente abandonada.
Bem, e a talhe de foice, se repararem, por detrás da colina da Penha está a nascer mais um brutal empreendimento, que não me admira nada que ultrapasse a cota daquela que foi a residência do Bispo de Macau por muitos anos (mas que não é edifício classificado) e a sufoque não tarda muito. Assim sã Macau – Adé Dixit!
Artigo de Luís Machado, Secretario-Geral do Conselho Permanente do Conselho das Comunidades Macaenses publicado no Jornal Tribuna de Macau em 2008

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