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O poeta viajante W. H. Auden – visitou 27 países o que para a época é considerável  – inglês (naturalizado norte-americano em 1946) viajou para a China em 1938 e passou por Macau, tendo ficado hospedado no hotel Bela Vista. Ele e Christopher Isherwood (1904-1986) foram desafiados pelos seus editores a escrever um livro sobre o Extremo-Oriente. “A escolha do itinerário ficou ao nosso critério”, recordariam mais tarde.

E foi o “rebentar da guerra sino-japonesa que nos fez optar pela China”. Saíram de Inglaterra em Janeiro de 1938 para um viagem de seis meses. No final escreveram “Journey to War” editado em 1939 pela Faber & Faber. Às notas de diário de Isherwood foram acrescentados os sonetos de Auden. Um desses sonetos intitula-se precisamente “Macao”.

A weed from Catholic Europe, it took root
Between the yellow mountains and the sea,
And bore these gay stone houses like a fruit,
And grew on China imperceptibly.

Rococo images of Saint and Saviour
Promise her gamblers fortunes when they die;
Churches beside the brothels testify
That faith can pardon natural behaviour.

This city of indulgence need not fear
The major sins by which the heart is killed,
And governments and men are torn to pieces:

Religious clocks will strike; the childish vices
Will safeguard the low virtues of the child;
And nothing serious can happen here.

“Erva daninha da Europa católica”… assim começa esta olhar poético de um inglês sobre Macau – que classifica como ”city of indulgence” – no final da década de 1930 onde o jogo e o pecado não são esquecidos. Frontal, de humor, por vezes, sarcástico, Auden foi também libretista de óperas e autor de peças de teatro.
Este seu poema foi reeditado ao longo dos tempos e um crítico literário, George Monteiro (EUA), em 2007, descobriu diferenças face ao original, numa edição de 1976. Veja quais…

A weed from catholic Europe, it took root
Between some yellow mountains and a sea,
Its gay stone houses an exotic fruit,
A Portugal-cum-China oddity.

Rococo images of Saint and Saviour
Promise its gamblers fortunes when they die,
Churches alongside brothels testify
That faith can pardon natural behavior.

A town of such indulgence need not fear
Those mortal sins by which the strong are killed
And limbs and governments are torn to pieces:

Religious clocks will strike, the childish vices
Will safeguard the low virtues of the child,
And nothing serious can happen here.

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