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Uma imagem pode valer por mil palavras mas por vezes remete-nos para quantas mais? Foi o que aconteceu com esta fotografia que serviu de capa ao livro “Os 58 dias que abalaram Macau” de José Pedro Castanheira. Retrata uma manifestação naqueles dias ‘quentes’ de final de 1966 / início de 1967… mas outras ‘leituras’ surgiram.
Uma delas sugerida por um leitor do blog (Obrigado!) que identificou nesta imagem o néon da Café Ruby na San Ma Lou. Aproveitando a ‘onda’ publico mais um retrato do quotidiano de Macau na década de 1970 da autoria do meu amigo Luís Machado. Para saber mais sobre o café Ruby clicar neste link http://macauantigo.blogspot.com/2009/03/cafe-ruby-o-cafe-central-de-macau.html
Tenho vindo a adiar este tema, semana após semana, na óptica de me tentar lembrar de ainda mais locais que faziam as nossas delícias nas horas vagas de estudantes, sem ser no campo da bolinha que era o mais natural e recorrente! Eram elas as horas em que tínhamos “shop”, o tal carimbo no livro de ponto que era dado aos Professores faltosos ou retardatários, no Liceu ou como agora dizem os estudantes da Escola Portuguesa, um “furo”!
Os mais crescidos iam para o café “Ruby” (que mal conheci) – onde também tinham acesso aos bilhares vizinhos, nós a “arraia miúda” ficávamos pelas lojas de min e cafés à moda chinesa – O “Infante” ou na do “Atraca” (nem sei bem explicar porque é que se chamava assim!), que ficava ao lado da praça de Táxis na esquina em frente do Colégio de S. José (hoje o edifício Plaza), ou ainda íamos até ao tardoz do edifício da Fazenda (antigo Tribunal) futura Biblioteca Central de Macau, como já uma vez aqui referi, comer o melhor “chü pá pao” da peníssula , visto que na Taipa , ainda hoje o podem fazer na zona velha da Vila, no largo perto da antiga sede da Câmara das Ilhas, também destinada a futuro Museu.
Outro sítio que nos anos 70, fazia as nossas delícias , era o “ prego” no pão do café, Noite e Dia do Hotel Lisboa (e as french toasts!com muito mel por cima!), embora o preço aí já não fosse tão convidativo, para estudantes. Normalmente ocupávamos mais os nossos tempos livres nas máquinas de “flippers” que instalaram num corredor ao lado das pistas de bowling! Jogávamos até elas estalarem e darem-nos um jogo de borla ou então até fazerem “tilt”!
Também não podíamos ficar por muito mais do que 45 minutos que era a duração dos períodos de aulas e dos nossos “shops”!
Para os que fossem filhos de sócios, ainda havia mais um local para “degustarmos” (como hoje se diz no meio dos gastrónomos!) uma boa torrada com manteiga e esta meus amigos ainda sabia melhor pois era creditada na conta do Pai, isto está bem de ver que só podia ser no Clube Militar, onde o amigo Paulo, que estava sempre de serviço ao café, já nos conhecia de gingeira e lá nos atendia sempre com os seus modos muito peculiares e sempre com um sorriso nos lábios!
Era aí que ainda líamos as mais “recentes” da “Bola” da quinzena passada, com muita sorte pois era a mais actualizada possível, para os tempos que corriam. À tardinha fazíamos o mesmo mas no Ténis Civil e aí era o Ah Seng, se bem me lembro, que nos aviava sempre, ou quase sempre, bem disposto, umas coca-colas, saídas daquelas arcas frigoríficas onde se metia um cubo de gelo enorme vindo da fábrica de gelo do Porto Interior e este ia derretento para cima das garrafas! Método bem ambientalista!
Havia sítios, também, que nos eram interditos. Um deles era a esplanada do Solmar, por obviamente, ser o local mais utilizado pelos nossos progenitores e consequentemente, não nos sentir-mos nada à vontade por essas redondezas. Aos fins-de-semana, o Hotel Estoril, era outro dos locais que nos dava imenso prazer frequentar, principalmente, por causa dos chás-dançantes. Podíamos ouvir tocar os nossos amigos e colegas do Liceu, ou de outras escolas, que tinham bandas musicais ou então os já famosos conjuntos da época, que tocavam as nossas músicas preferidas ou seja os êxitos musicais dos Hit Parades!
Artigo de Luís Machado, Secretário-Geral do Conselho Permanente do Conselho das Comunidades Macaenses, publicado no Jornal Tribuna de Macau.
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