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Em cima o título, e agora o sub-título deste livro editado em 2004.Contributos para uma Fotobiografia de Henrique Senna Fernandes”, da autoria de Lúcia Lemos (fotografias) e de Yao Jingming (poemas); edição do Instituto Internacional de Macau. Os dois autores conviveram ao longo de dois anos com HSF; dessa vivência nasceu este livro.
Existe ainda um outro escrito em inglês. Intitula-se “Visions of China Stories From Macau”, foi feito em Hong Kong e apresenta quatro visões da China por outros tantos escritores… HSF é um deles. 

HSF em família: fotografia do livro “Fragmentos”

Voltando a “fragmentos” reproduzo aqui uma parte da entrevista de Lúcia Lemos ao jornal Ponto Final em Dezembro de 2004, aquando do lançamento da obra.

Como surgiu a ideia de fazer a fotobiografia “O Olhar de Henrique de Senna Fernandes – fragmentos”?
Sou por natureza curiosa, e quando cheguei a Macau quis perceber o que me rodeava para mais facilmente me integrar no meio. As leituras de livros existentes no burgo careciam de actualidade e da velocidade necessaria a uma adaptacao imposta pelo confronto do dia-a-dia. Tinha muita pressa de entender o que afinal me escapava. Sentia que apenas me poderia ajudar alguem de dentro, que tivesse contactos com todos os estratos sociais e que me ajudasse a encontrar o fio condutor para minha compreensao. Comecei a registar conversas com o Henrique da Senna Fernandes, Leonel Barros e outros, com um objectivo ainda nao definido. Neste momento de tantas viragens, Henrique da Senna Fernandes, com prestigio intocavel, foi a pessoa que aceitou este meu desafio. Coloquei a proposta a Fundacao Jorge Alvares que prontamente aceitou financiar o projecto na sua totalidade. E uma homenagem pequena e simples para a dimensao cultural que o Dr. Henrique de Senna Fernandes representa como macaense na sociedade local, tendo a carreira profissional, associativa e literaria que todos sabemos.
Pode descrever a forma como estruturou este trabalho e as fases por que passou?

Através do retrato de Henrique da Senna Fernandes e de lugares quis contar uma historia simples sobre ele e os personagens que flutuam nos seus livros, e Macau, a sua musa inspiradora. Fora de Macau ele nunca escreve. O livro inclui um pequenino texto escrito na primeira pessoa, que informa o leitor sobre a planificacao da escrita de Henrique da Senna Fernandes e a cidade, cenario unico dos seus livros.
Foi sempre claro que as imagens nao teriam legendas ou traducao. A ideia era cada um de nos, eu e Yao Jingming, ter um registo proprio e independente. Convidei este poeta que admiro muito. Fez um trabalho admiravel e Henrique da Senna Fernandes gostou imenso dos poemas escritos especialmente para este livro.

De que forma e que este trabalho se distingue dos outros anteriormente realizados?

“Fragmentos” esta focado exclusivamente na pessoa de Henrique da Senna Fernandes. Nao sei se existem muitos outros trabalhos com este angulo de abordagem. O escritor repete muitas vezes que e muito pouco estudado e raramente pela positiva. Em contrapartida, diz que escreve sobre Macau pela positiva e neles e eminente a denuncia da sociedade de entao. Passo a citá-lo: “Denuncio porque também fui vítima desta sociedade fechada e cheia de pruridos. Por ter casado com uma chinesa fui evitado por ambas as culturas e e claro fui-me afastando. E nao admito que digam que sou racista, apenas descrevo o que conheco melhor porque vivi e vivo, que sao as duas culturas maioritarias de Macau”.

O que mais a fascina em Henrique da Senna Fernandes? O que passou a fasciná-la depois de fazer este trabalho?

Não sei. Não é uma questão de fascinação, mas de encontro humano. Dizem que em qualquer latitude e lugares, ha pessoas com o mesmo sentir e por razoes varias se cria empatia. Henrique da Senna Fernandes e uma pessoa complexa, com vários mundos ainda não revelados.

Teve alguma preocupação em passar determinada imagem do autor?

Era muito bom para Macau que alguem estudasse a sua obra literária. Gostaria que essa pudesse caminhar ao lado da outra literatura irmã, cujo veículo de comunicação é a língua portuguesa.

Que limites impôs Henrique da Senna Fernandes a este trabalho? Que acompanhamento deu a este livro?

Nenhum limite me foi imposto pelo escritor. Confiou plenamente em mim. Ficou radiante quando lhe comuniquei que tinha convidado o Yao Jingming para poetar as imagens. Ate disse: “Interessa-me muito saber a opiniao de um chines que e de literatura, com a ideia gratificante de ser um poeta muito conceituado e querido pelos portugueses e chineses”.

Como é retratada a passagem do escritor por Portugal nesta fotobiografia?

Tal consta neste livro e de uma maneira muito pessoal. Conta a história de como foi para Direito quando desejava ir estudar medicina. São peripécias que acontecem a cada um de nós.

Existe alguma razão na base da escolha das fotografias a preto e branco?

O preto e branco em fotografia e o que me da resposta ao que quero transmitir: espontaneidade, dramatismo e mistério. Para isso, para captar esse momento, não uso flash e gosto cada vez mais das velocidades baixas.

Para além dos poemas, um texto percorre o livro. Por que decidiu inclui-lo, quem o escreveu e por que motivo está escrito na primeira pessoa?

São fragmentos das entrevistas: alguns amputados, outros burilados, enfim nunca se está satisfeito. É uma história muito inocente. Da mesma forma que muita das nossas intenções são inocentes.
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