Novembro 2010


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No Pátio do Piloto, junto à Rua Praia do Manduco
idem
Próximo da Av. Almirante Sérgio (Mercado Vermelho)
Numa travessa da Rua Cinco de Outubro
 Preçário do corte de barba ou cabelo
Barbeiro de rua fazendo limpeza de ouvidos a um cliente, na Estrada do Arco do Bairro Iao Hon
Cortando o cabelo a uma criança, na Travessa das Galinholas
Jovens barbeiros, emigrados da China nas últimas décadas, numa travessa da Estrada do Arco, no Bairro Iao Hon.

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“Ano próspero e feliz”
O actual contrato de concessão da Livraria Portuguesa de Macau termina no final deste ano e são dois os cenários possíveis: o espaço volta a ser gerido pelo IPOR ou continua nas mãos de gestão privada após um novo concurso de concessão do espaço. No Verão passado o Presidente do IPOR afirmava existir “muita gente interessada”. Na mesma entrevista a um jornal local, o “Ponto Final”, Rui Rocha disse ainda que “quando o euro está elevado, a situação é complicada. Acho que a actividade livreira em Macau, pelo volume de vendas, não é uma actividade que se possa dizer lucrativa”. E eu pensei… E há interessados? Alguém conhece o caderno de encargos?
Para ajudar a pintar o ‘quadro’ reproduzo as palavras do ainda responsável pela livraria, Aloísio da Fonseca, ao mesmo jornal há algumas semanas atrás. “De 1998 a 2003, houve uma média de 632 mil patacas de prejuízo por ano. Era necessário controlar os stocks e conseguimos, era necessário encurtar distâncias e conseguimos. Vinte e nove por cento daquilo que é vendido são livros de Macau, consignados, 71 por cento são livros importados de Portugal. Desses, 60 por cento esgotam-se no manual escolar e no livro de Direito. O restante é o Hélder, o António e o João que entram na livraria e compram. Por estes números, imagine qual é o universo de clientes particulares que a livraria tem… Isto para lhe dizer que a nossa preocupação de 2003 esgotou-se. A livraria está equilibrada para que o IPOR pegue nela ou a concessione. (…)”
É, portanto, esta a realidade que se coloca no futuro. Pois bem, eu, que não percebo nada disto, mas que nutro uma especial preocupação com o futuro de Macau (e já agora com o passado…), não ficaria bem com a minha consciência se não dissesse publicamente o que me vai na alma. O futuro da Livraria Portuguesa em Macau não passa por uma livraria!
Feita a declaração de intenções, importa referir a declaração de interesses. Não sou gestor, editor ou livreiro, e a única coisa que me liga à actual gestão – de Aloísio da Fonseca da sociedade AF Amagao Publicações desde 2003 – é o facto de ter lá à venda, em regime de consignação, alguns exemplares do livro que escrevi há uns anos, o “Liceu de Macau 1893-1999”.
Na Livraria Portuguesa em 2009 aquando da apresentação do livro a convite do Jornal Tribuna de Macau
Importa ainda dizer que o meu conhecimento da realidade de Macau é um saber difuso e filtrado pela distância dos oceanos e de alguns milhares de quilómetros. Nas linhas que se seguem vou tentar demonstrar que tipo de tipo de livraria portuguesa Macau necessita para o futuro.
A expressão que dá título a esta prosa é retirada da publicidade às LAG – linhas de acção governativa do Governo na RAEM para o ano financeiro de 2011. Também eu, como ‘filho da terra’ adoptivo partilho dos mesmos desejos. A propósito das LAG, disse o chefe do executivo que “as comunidades macaense e portuguesa aqui residentes são importantes elementos constituintes da sociedade de Macau”, que referindo-se ainda ao “rico legado histórico” do território. Tal como em 2010, foi ainda reafirmado o papel de Macau enquanto ponte entre o Continente e os países lusófonos: “continuaremos a dar ênfase ao papel de Macau como plataforma de serviços comerciais entre a China e os países de língua portuguesa, incentivando a cooperação económica e comercial do Interior da China e de Macau com os países lusófonos”.
Ora este parece-se ser o ‘ponto’ fulcral. E não é só de agora, é esta a estratégia de Pequim há décadas. Outra das ideias defendidas nas LAG para 2011 – onde se prevê um saldo positivo de 50 mil milhões de patacas! – passa pela aposta num turismo de qualidade. Um turismo, acrescento eu, que se impõe uma oferta mais diversificada e que tem de aproveitar mais e melhor o estatuto de património mundial da humanidade.
Chegado aqui o leitor poderá perguntar, com toda a legitimidade, de que forma se relaciona o que escrevi até agora com o futuro da livraria portuguesa. Na minha opinião, tudo. Não acredita? Então repare… O que defendo é a continuidade de uma livraria que não pode ser só livraria no sentido mais restrito e cuja propriedade e/ou gestão poderá ser partilhada pelas diferentes entidades com responsabilidades na matéria: do Governo ao IPOR, passando pela Fundação Macau ou Fundação Oriente, Instituto Internacional de Macau, Casa de Portugal, APIM, Consulado de Portugal… Meus senhores, entendam-se!
A pergunta que coloco é a de saber se se justifica a existência de uma Livraria Portuguesa em Macau. Será que tem alguma razão de ser para uma comunidade tão reduzida? A propósito, alguém sabe quantos são? E quanto aos jornais de língua portuguesa? E já agora rádio e televisão em português? No contexto de Macau parece-me que fazem todo o sentido mas… se não fossem os subsídios (com os quais concordo) poderiam existir? O que significa a venda em banca dos jornais locais em língua portuguesa?
Mesmo perante todas as vicissitudes e especificidades, impõe-se a existência de um espaço com vocação de livraria. Portugal, China e, acima de tudo, Macau, precisam de uma livraria portuguesa (que não pode ser exclusivamente uma livraria). Não o digo só agora, disse-o e escrevi desde que a polémica em torno do eventual encerramento da Livraria Portuguesa surgiu. E reafirmo-o agora que os prazos chegam ao fim.
Precisa tanto de uma livraria com vocação lusófona (e por que não anglófona) como de muitas mais livrarias de vocação chinesa. São públicos diferentes que exigem espaços distintos. E, claro, um espaço que tenha em conta o seu público-alvo: turistas com interesse cultural elevado e poder de compra similar, macaenses que ali encontram as suas referências culturais em forma de livro (e quantas edições estão esgotadas!) e os portugueses oriundos de Portugal, na maior parte juristas, advogados, jornalistas, professores, estudantes e ainda alguns funcionários públicos.
É curioso registar que na página da internet do Turismo de Macau nos locais de compras de índole cultural apenas são mencionadas três livrarias, a portuguesa, a de S. Paulo (encerrada segundo julgo saber) e a Plaza Cultural.
Um espaço de múltiplas valências parece ser a melhor solução. E se por acaso as actuais instalações não servirem tais objectivos, então que se venda o edifício e que se abra o novo espaço num novo local, adaptado aos dias de hoje.
Na década de 1950 Macau tinha oito livrarias, dessas de vender livros, não confundir com papelarias. Quantas serão hoje? Para os que já não têm memória, recordo espaços que entre as décadas de 50 e 90 fizeram parte da matriz cultural da cidade: a Pou Man Lau (no nº 2 do Largo de S. Domingos que era ainda tipografia e estúdio fotográfico), a Polidor (no Largo do Leal Senado, onde chegavam não só os livros mas também os jornais vindos da então Metrópole), a Tabaqueria Filipina (no início da San Ma Lou) ou a Livraria S. Paulo (cujas portas já se fecharam mas a montra pode ainda ser vista…).
A Livraria Portuguesa foi criada em 1985 pelo Instituto Cultural de Macau. Desde então muita coisa mudou. Desde que o IPOR assumiu o espaço este passou também a chamar-se “galeria de arte”. Os tempos mudaram. Mas num negócio o objectivo não se alterou: o lucro. Essa margem financeira num produto cultural como os livros ou revistas é, no caso em apreço, esmagada pelos custos associados ao transporte dos produtos. A última revista que comprei numa livraria ‘online’ veio dos EUA e o preço do transporte foi três vezes superior ao da publicação.
Hoje viaja-se com frequência e relativa facilidade entre Macau e a Europa. Por que não levar na viagem aquele livro que nos faz tanta falta no lazer ou no trabalho e que em Macau custa mais caro? E a venda de jornais? Com a sua disponibilidade imediata na internet está completamente fora de causa. Dito isto, o que resta para vender neste futuro espaço de localização privilegiada a escassos minutos de distância das Ruínas de S. Paulo, Jardim de S. Francisco, Sé e Largo do Leal Senado?
Pois bem, aqui fica o rol de sugestões: livros (de Portugal e do mundo e especialmente de Macau, a começar pelos que vão sendo editados aqui e ali pelas mais diversas fundações e institutos – e até da Universidade local – e que são tão difíceis de encontrar nas ditas livrarias comerciais…); postais, café; pastéis de nata; vinhos (com provas); azeite (e outros produtos tradicionais portugueses que tanto sucesso têm feito nas exportações); espaço de exposições; ‘souvenirs’ de qualidade elaborados pelo meu amigo António Conceição Júnior e demais artistas locais (na viagem que aí fiz o ano passado não encontrei nada! e só nas ‘tendinhas’ encontrei umas t-shirts com uns caracteres inscritos cujo significado desconheço); guias turísticos; bilhetes para os diversos museus e demais locais cuja entrada é paga; espaço multimédia na montra; espaço para tertúlias…
Em suma, o antigo e o moderno. O passado, mas também o presente e sobretudo o futuro do que as gentes de Macau têm para mostrar a quem por ali passa. E são aos milhares todos os anos.
Um ano próspero e feliz para todos!
João F. O. Botas – 22 Nov. 2010 PS: artigo escrito antes de 26-11-2010 data em que o IPOR anunciou o lançamento do novo concurso de concessão da gestão da LP para os próximos 5 anos.

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Em resposta a um pedido de uma leitora do Blog Macau Antigo que está na Austrália, junto publico alguma informação sobre o capitão José Abellard Borges que encontrei no livro “Famílias Macaenses” do historiador Jorge Eduardo de Abreu Pamplona Forjaz. São 3 grandes volumes editados em 1996.
José Abelard Borges nasceu a 28 de Julho de 1861 (filho de Manuel José Borges (1834-1889) e Filomena Francisca Batalha (1838-1915) e foi baptizado/registado na Igreja de S. Lourenço. Casou com Veríssima Eulália dos Remédios (1863 com quem teve 4 filhos. Terão casado, como era tradição na altura, pouco antes do nascimento do 1º filho, portanto, cerca de 1880, quando tinha 19 anos, o que é muito natural para a época.
O primeiro nasceu em 1883, Luísa Emília Borges, em 1889 Rafael Gastão Bordalo Borges, em 1892 Artur António Tristão Borges e, em 1898, Mário Augusto Tancredo Borges. 
Embora a informação não conste do já referido livro, José Abelard Borges, terá morrido em 1913, na Guerra do Manufahi (1911-1913), uma revolta contra o domínio português em Timor que contou com o apoio dos holandeses e que não foi bem sucedida devido sobretudo à actuação dos chamados “Leais Moradores de Manatuto”, um corpo de voluntários favoráveis à presença dos portugueses.
A razão pela qual Abellard Borges terá participado neste conflito tem a ver com o facto de se tratar de um militar e naquela altura Macau, Timor e Solor fazerem parte de uma única ‘província’. Esta chamava-se “Província de Macau, Timor e Solor”. Tinha sede em Macau e era independente, quanto ao seu governo, do “Geral Estado da Índia.” Para além das guarnições locais estas províncias tinham ainda militares que iam de Portugal.

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“Quando estive a preparar e seleccionar os conteúdos para as exposições do Museu de Macau, cerca de 1995, pedi a um professor da escola “Pui Ching” e a um jovem jornalista chinês de Pequim, que trabalhava na altura em Macau, para me fazerem algumas pesquisas e apresentar os respectivos trabalhos, relativos aos seguintes assuntos: “Barbeiros de Rua”, “Farmácias Chinesas”, “Profissões Típicas” e “Lojas de Chá”.”
Carlos Bonina Moreno acabou por não os utilizar no Museu, mas teve a amabilidade de os oferecer ao Blog Macau Antigo respondendo a um desafio que lhe coloquei. Muito obrigado, Carlos.
O texto relativo ao tema Barbeiros de Rua intitula-se “Associação de Cabeleireiros de Macau” (ACM) e refere que foi fundada em 1946. Nos primeiros anos tinha mais de 100 sócios e combra uma quota mensal de 50 avos. Era a associação que fixava os preços praticados pelos barbeiros aos clientes A sede ficava na Av. Almeida Ribeiro, Farmácia de Yu Kon, 3º andar. Na década de 1950 a crise do pós guerra fez com que os barbeiros de Macau reduzissem os preços que só começaram a subir em 1958. Esta tabela terminou em 1987.
Nos anos de maior dificuldade no negócio a ACM ajudava os sócios e respectivas famílias fornecendo-lhes roupa e alimentos. Na década de 1960 há registo de mais de 600 sócios. Nos anos 90 o número de sócios era muito semelhante, sendo que 50 eram barbeiros de rua. A quota mensal era de 5 patacas. A sede ficava na Rua 5 de Outubro.
Desenhos de Chinnery

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“Neto Valente preocupado com as “forças” que querem destruir a herança portuguesa”. Este é o ante-título de um artigo/entrevista publicado no Hoje Macau de 26-11-2002 e  que é assinado por António Falcão.
“O advogado Jorge Neto Valente passa o aviso de que há forças na RAEM que querem destruir o equilíbrio instituído, que detém na sua génese a geminação portuguesa, tanto nas estruturas administrativas, como na orgânica de todo o território.” 
As palavras de Neto Valente, presidente da Associação de Advogados de Macau, foram proferidas à margem da exposição comemorativa do 10º aniversário da RAEM.
Pormenor do forte da ilha da Taipa construído em 1847: alusões à monarquia portuguesa

“(…) Deviam olhar para Hong Kong e ver que aí há muito mais cuidado em preservar o passado do que em Macau. O passado não são só os edifícios, os monumentos e o património histórico classificado pela UNESCO. Há muito mais do que isso e o facto de haver preocupação de dar continuidade significa que as pessoas têm em conta a realidade e a realidade não é feita do apagamento da história. O apagamento da história não deu bons resultados em lado nenhum, é sempre negativo.”

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Numa altura em que os macaenses da diáspora ‘regresssam’ a Macau – esperam-se cerca de 1500 – para o seu encontro  anual (iniciado em 1993), o 4º sob os auspícios da RAEM, o blog Macau Antigo dá especial atenção às marcas da identidade cultural de uma comunidade ímpar.
Já por variadísimas vezes o “Macau Antigo” tem servido como ‘ponto de encontro’ de pessoas que tendo Macau em comum, pelos mais variados motivos perderam o rasto a familiares e/ou amigos. Desta vez uma leitora da Austrália pede informações sobre Maria Pacheco Borges, o seu bisavô e Beatriz de Almeida.

Sobre M.P.Borges o pouco que sei foi que escreveu em 1974 um livro intitulado “Chinesinha” que teve uma segunda edição em 1995 pelo IPOR e que contou com o prefácio de Maria Ondina Braga (1932-2003). Segundo pude apurar, Maria Pacheco Borges – de alcunha Lolly – nasceu em Macau em 1919 e faleceu em Portugal em 1992. O Capitão José Abelard Borges nasceu em Macau a 28 de Julho de 1861 e casou com Veríssima Eulália dos Remédios. Já o Padre – salesiano macaense – Albino António Pacheco Borges, nascido em Macau a 1 de Julho de 1917 morreu na Alemanha no início de 2008, país onde residia há cerca de 30 anos, trabalhando em Essen como professor de filhos de emigrantes portugueses. Tinha 90 anos de idade.
Quem souber de mais informações agradeço que me façam chegar pelo e-mail: macauantigo@gmail.com

“Li com interesse o seu artigo Escritores de Macau de 22/04/2009 no qual menciona o nome duma prima minha, a Maria Pacheco Borges. Eu gostaria imenso de poder entrar em contacto com ela. Nós temos um avô e bisavô em comum: o Capitão José Abellard Borges que em 1905 era o Comandante Militar em Liquiçá, Timor..Gostaria ainda de saber se a Beatriz de Almeida (filha da prima Armanda Borges Ferreira de Almeida) ainda está viva. Ela vivia com a mãe na Rua Inácio Baptista nos anos 70. Talvez alguém as tivesse conhecido? (…)

Eu (bisneta) ando à procura de qualquer arquivo a respeito do Capitão Jose Abellard Borges, que se presume ter falecido durrante a Guerra de Manufahi. Uma das razões é porque estou tentando arranjar a campa dele (muito delapidada) no Cemitério de Santa Cruz e não sei o lugar ou data de nascimento e falecimento. Agradeceria imenso se os membros da familia em Macau me pudessem ajudar nesse sentido. A familia talvez tambem gostaria de saber que nos Boletins Oficiais de Timor, está uma menção honrosa do Governador Celestino da Silva na altura que o bisavô ainda era Tenente. Também achei documentos em quando ele era Presidente da Comissão Municipal de Liquiçá e todos os anos tinha que apresentar ao Governo conta das receitas e despesas dessa Comissão para o “ano económico” de 1902-1903, 1903-1904, 1904-1905, etc. Atenciosamente, Maria de Fátima Oliveira Toms.”

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Inaugurada em 1948, depois do final da II Grande Guerra, foi criada em Macau, com fundos privados, a Rádio Vila Verde, colmatando as necessidades de entretenimento da população portuguesa e chinesa residente, mas também os muitos estrangeiros que ainda por aqui se encontravam, a maior parte refugiados do trágico conflito internacional. Durante a fase experimental o seu primeiro locutor foi Jorge Estorninho, empregado superior dos Correios, Telégrafos e Telefones de Macau. A emissora Vila Verde começava às 9 horas da manhã com uma marcha de autoria de Pedro José Lobo. Durante o dia dava música chinesa e reclames comerciais em chinês com um intervalo apenas de meia hora às 14 horas para música inglesa. Das 21 até à hora do fecho – às 24 horas – a emissão utilizava as línguas portuguesa e inglesa.
Recordo com saudade que o programa mais popular da emissora era emitido às terças e quintas-feiras, pelas 22 horas e denominava-se “Request”. Como o seu nome indicia, os ouvintes faziam pedidos de canções, dedicadas às suas namoradas ou namorados, parentes e amigos, mensagens que eram lidas pelos locutores João Reis, Walter Reis e Nuno de Senna Fernandes, antes das músicas irem, para o ar. O programa principiava com as canções “Happy Birthday” e “Congratulations” e eram dedicadas a todos os que faziam anos nesse dia.
Algumas das músicas mais populares de que me recordo eram o Tennessee Waltz, Mockin Bird Hill, Doggie in the Window, You belong to me por Patti Page , Tea for two e On Moon Light Bay por Doris Day, Twilight Zone por Perry Como, Mule Trail por Frankie Laine, Answer me O My Lord por Nat King Cole, Buttons and Bows, C’est si Bon, La vie en Rose, Crying in the Chapel, Down the Trail of Broken Heart etc., etc, tudo canções bem dirigidas ao romantismo dos que pediam e dos que recebia as canções.
Relembro ainda que a canção que no meu tempo dominou largamente os pedidos das emissões do “Request” foi o “Forever and Never”.
Como não havia televisão nem os divertimentos nocturnos de hoje, pode dizer-se que durante as horas do “Request” o “coração” de Macau estava parado. A sua popularidade era tal que prosseguia depois nos dias seguintes com as pessoas (mesmo as não envolvidas) a comentarem as mensagens amorosas que se ouviam.
A Rádio Vila Verde também tinha um programa de meia hora todas as quartas feiras, para locutores amadores. Tomei parte duas vezes nesse programa, apresentando as músicas mais em voga dessa altura.
Curiosamente, a Rádio Vila Verde, que era mais popular que o oficial RádioClub de Macau, dava muito pouco música portuguesa. Nunca consegui saber a razão desta decisão…
Mas não eram apenas as duas Rádios locais que eram populares na Macau do após Grande Guerra. A Rádio Hong Kong e a Rádio Manila eram também muito ouvidas pelo facto de apresentarem uma selecção musical muito variada e de bom gosto.
Ainda me lembro dum pedido feito por Diana Marques à Rádio Manila para difundir a canção “It’s Magic” por Doris Day. Pelo facto de ter vindo de Macau, a Rádio Manila fez grande referência a esse pedido. Diana Marques, que ainda vive em Macau, é cunhada da minha prima Eulália, casada com Ivo Marques.
A Rádio Vila Verde que era captada em Hong Kong, perdeu certa importância quando foi fundada a Rádio Comercial de Hong Kong. Que tinha como um dos grandes accionistas o famoso actor norte-americano William Holden
Os tempos mudaram muito, o Rádio Macau impôs-se a partir dos anos 80 mas a Rádio Vila Verde continua existir. Agora limita-se a notícias das Corridas de Cães e Cavalos…
Artigo da autoria de Henrique Manhão publicado no JTM a 15-10-2009
NA: há tb a indicação de que a Rádio Vila Verde terá surgido em 1952; era uma rádio privada propriedade de Pedro José Lobo. 

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