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O Instituto Internacional de Macau e o Instituto do Oriente (ISCSP-Universidade Técnica de Lisboa) apresentaram recentemente em Macau o livro “Negociações e Acordos Luso-Chineses sobre os Limites de Macau no Século XIX: contribuição para a compreensão dos actuais limites da RAEM da RPC”, da autoria de António Vasconcelos de Saldanha, conhecido especialista das relações luso-chinesas, que em Macau foi presidente do Instituto Português do Oriente.
Este livro – por recurso a fontes, muitas delas inéditas, do Arquivo do MNE, do antigo Ministério das Colónias, em Lisboa, e dos arquivos imperiais chineses – vem deitar uma luz reveladora sobre um período recente da história de Macau: a fixação definitiva dos limites territoriais de Macau na segunda metade do século XIX, hoje da actual RAEM.
A obra – através do tratamento minucioso e sucessivo de 50 anos de disputas e negociações sobre os limites das Portas do Cerco, aldeia de Mongha, ilhas da Taipa, Coloane e Montanha, e sobretudo as águas territoriais de Macau – contribui decisivamente para colocar nos seus devidos termos a origem da parte territorial dos “poderes de administração” que Portugal devolveu à China em 1999.
Segundo os editores, esta obra traz dois notáveis contributos: em primeiro lugar, vem colocar em causa a ideia estabelecida da imposição total da vontade portuguesa sobre uma administração chinesa incompetente e inerte, quando o que se nos depara é uma luta e uma negociação complexa, constante, tenaz e frequentemente paritária entre as autoridades portuguesas e chinesas. Em segundo lugar, reforça e confirma a ideia que o equilíbrio entre os dois países no que toca à existência de Macau na segunda metade do século XIX só se ficou a dever, não a um entendimento entre os dois governos centrais, mas à flexibilidade, capacidade negocial e pragmatismo dos governos regionais de Macau e de Cantão.in Hoje Macau de 30-09-2010
Mapa de 15 de Março de 1889 realizado e desenhado por António Heitor, “condutor civil das Obras Públicas de Macau”. 
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