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Inicio com este post algumas memórias avulso deixadas em diversas entrevistas por Henrique de Senna Fernandes. Este post refere-se à sua primeira viagem a Portugal para onde foi estudar, direito, em Coimbra. Terminara o Liceu em 1942 mas as circunstância da guerra obrigaram-no a ficar no território por mais cinco anos a trabalhar.
“A minha primeira viagem a Portugal foi no segundo transporte que se fez de Macau para lá, depois da grande guerra (1947). Foi no velho Lourenço Marques. Gastámos cinquenta e tal dias de viagem. O barco tinha um grande arcaboiço para resistir às ondas, mas era muito sujo. Nós, os estudantes, íamos em terceira classe suplementar. Parece que estou a ver aquele reboliço no fundo do barco, onde estávamos todos misturados com os soldados que tinham terminado a sua comissão, depois da guerra. Era como que um transporte de refugiados. Passámos por coisas horríveis! O barco era lento e tão lento que nós dizíamos que ele andava três metros por segundo, recuava dois e avançava portanto um metro. Apanhei a monção do Índico. Quando chegámos a Colombo e a Cochim já havia a ideia de uma revolta e desembarcámos num bairro indiano. Fiquei com uma péssima da Índia porque só vi misérias.”

De acordo com o anúncio da empresa publicado na revista O Mundo Português, número 86, de Fevereiro de 1941, a Companhia Nacional de Navegação mandou construir na década de 1930 quase vinte mil toneladas, correspondentes aos navios Quanza (6.000), S. Thomé (9.100), Inharrime (1.665) e Tagus (1.600). O anúncio informa ainda que, no início desse ano, a CNN dispunha também dos navios Nyassa (9.000), Angola (8.300), Cubango (8.300), Lourenço Marques (6.400), Cabo Verde (6.200), Congo (5.000),Luabo (1.385), Chinde (1.382) e Save (763). Em Moçambique prestavam serviço costeiro as unidades Chinde, Luaboe Save, destinando-se o navio Inharrime ao serviço de cabotagem.
Os navios Angola, Nyassa e Quanza serviam a linha rápida da África Oriental, destinando-se os navios Lourenço Marques e S. Thomé à linha rápida da África Ocidental. As unidades Cabo Verde e Cubango desempenhavam serviço de carga também na África Ocidental.
Dos restantes, o navio Tagus prestava serviço de cabotagem entre o Porto e Lisboa e o navio Congo encontrava-se de reserva em Lisboa. O serviço de carga e passageiros para a África Oriental partia mensalmente de Lisboa no dia 30 e o serviço para a África Ocidental tinha também a mesma periodicidade, partindo no dia 6 de cada mês.

Postal de ca. de 1950
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