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Leonel Barros em 2007 – foto de António  Falcão/Bloomland
Natural de Macau onde nasceu em agosto de 1924, faleceu na noite de segunda-feira Leonel Zilhão Ayres da Silva Barros, conhecido contador de histórias de Macau a quem os amigos chamavam apenas “Neco”.
Português de nacionalidade, como se fazia referir em vários livros que publicou, Leonel Barros era oriundo de uma família tradicional de Macau e ao longo da sua vida dedicou muito do seu tempo à cultura e aos animais, uma das suas paixões.
Através dos desenhos, das aguarelas, da pintura a óleo ou em azulejo, Leonel Barros tinha várias obras em Macau, entre as quais um painel que executou para a sala de refeições do antigo hotel da Bela Vista, hoje a residência consular portuguesa, e na qual destacava a Torre de Belém.
Observador do quotidiano de Macau, Leonel Barros era um contador de histórias e nos últimos anos trabalhou em vários livros – como Igrejas e Ritos de Macau, publicado em 2010, Tradições Populares, de 2004, Memórias Náuticas (2003).
Funcionário público de carreira teve intervenção decisiva na construção do mini-zoológico do jardim da Flora, o a granja no parque de Seac Pai Van, na ilha de Coloane, que hoje alberga também o casal de pandas oferecido por Pequim aquando do décimo aniversário da transferência de poderes de Macau de Portugal para a China.
Em Macau, além do Governo, Leonel Barros trabalhou para a Companhia de Electricidade local e foi um dos responsáveis da equipa que criou e instalou o Museu Marítimo ou o Museu de Macau, onde teve um papel na “construção” da casa tradicional das famílias macaenses.
A sua dedicação a Macau valeu-lhe a Medalha de Mérito Cultural em 1995 ou um louvor pela Capitania dos Portos de Macau em 1999, ainda na administração portuguesa. Colaborador assíduo da imprensa, manteve sempre um espaço no Jornal Tribuna de Macau desde a fundação do periódico, na altura semanário, em Novembro de 1982.
A música levou-o a instrumentos como a viola, flauta e bateria, integrando vários conjuntos musicais como a antiga banda do Hotel Estoril, onde teve inicio a nova era do jogo em Macau com Stanley Ho, ou a banda Six Rockers que animava serões da Macau de outrora.
Notícia da agência Lusa de 1-2-2011.
 2003
2004
2006
Leonel Barros só começou a escrever por volta dos 80 anos de vida, mas ainda muito a tempo de nos deixar cerca de uma dezena de títulos que são uma testemunho precioso da identidade macaense. Desde a primeira hora – e já lá vão três anos – que aqui no “Macau Antigo” Leonel Barros é presença assídua. E vai continuar sê-lo. Diversos posts revelam a sua passagem pelo Liceu, pela tropa (durante a Guerra do Pacífico), pela função pública, pela música (“Six Rockers”). Por onde passou deixou marcas da sua arte, quer fosse na música, no desenho, pintura e por fim na escrita.
Em boa hora o Jornal Tribuna de Macau e, mais tarde a APIM deram a conhecer o muito que fez pela preservação e divulgação da cultura macaense.
Livros:
“Macau – Coisas da Terra e do Céu” (Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, 1999), “Templos, Lendas e Rituais – Macau” (Associação Promotora da Instrução de Macaenses – APIM, 2003), “Memórias Náuticas – Macau” (APIM, 2003), “Tradições Populares (APIM, 2004) e “Memórias do Oriente em Guerra – Macau” (APIM, 2006), “Homens Ilustres e Benfeitores de Macau” (APIM, 2007), “Igrejas de Macau e Cerimónias Religiosas” (APIM, 2010).
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