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Maurício Teixeira em Agosto de 1940 na resposta (excerto) ao convite de Salazar para ser governador de Macau: “Enfim, é serviço, e serviço não se discute: cumpre-se”. O desagrado era evidente mas era nele que o Presidente do Conselho confiava para conduzir os destinos da então colónia. E quem é dizia que não a Salazar?…
Gabriel Maurício Teixeira foi governador de Macau entre 1940 e 1946, um dos períodos mais conturbados da sua história, o da Guerra do Pacífico. No link mais alguns dados…
Entre os chineses era conhecido como Tai Si Lok (a tradução fonética do apelido). Nomeado por Salazar após a morte de Artur Tamagnini de Sousa Barbosa a 10 de Julho de 1940 (nascido em Macau e governador por 3 vezes), foi reconduzido no cargo em 1944 mas o desfecho da guerra ditou um regresso antecipado a Portugal/Moçambique. Macau ficou então com um encarregado de governo – Samuel Vieira, o comandante do “Afonso de Albuquerque” – desde 5 Agosto de 1946 até 1 Setembro 1947 quando um novo governador, Albano Rodrigues de Oliveira, tomou posse.
Depois de saír de Macau – onde foi o 2º governador a estar mais tempo no cargo de forma contínua – Gabriel Teixeira foi governador-geral de Moçambique (1948-1958), onde estava quando Salazar o nomeou. Morreu em 1973.
No livro “Marinheiros Ilustres relacionados com Macau” Monsenhor Manuel Teixeira cita uma nota publicada nos Anais do Clube Militar Naval, em 1973, à data da morte de Gabriel Maurício Teixeira, assinada por alguém que Monsenhor refere como L.A. e do qual transcrevo alguns excertos:
“Em 24 de Julho de 1973 faleceu o Comandante Gabriel Maurício Teixeira, que foi um dos melhores valores de que dispôs a Armada na sua geração. (…) serviu o País com excepcional brilho, tanto na Armada como na Administração Pública. (…) Desde muito novo que se revelaram as suas notáveis qualidades de militar, de marinheiro e de homem de acção, que sempre esteve pronto a demonstrar em quaisquer dificuldades ou momentos de risco (…) Fora da sua arma, não foi menos apreciável a sua actuação em altas funções da Administração Pública e noutras de grande interesse para a Nação. Ficou vincada por múltiplas e valiosas intervenções a sua passagem pela Assembleia Nacional, como deputado em várias legislaturas e teve também especial relevo uma longa permanência que fez no Ultramar, em postos da maior responsabilidade, que soube ocupar com mais são critério, esforçada diligência e grande distinção. Bastará recordar os vários lugares de Governo que lhe estiveram confiados. Começou por ser, ainda no começo da sua carreira, encarregado de Governo do distrito de Cabo Delgado. Mais tarde, em circunstâncias particularmente difíceis, foi Governador da Província de Macau. E mereceu especial menção o longo prazo de três mandatos em que foi Governador-Geral de Moçambique, onde continuam a não ser esquecidos o seu bom senso, a sua integridade e a sua hábil condição dos negócios públicos dessa grande parcela da terra portuguesa. (…) Com o seu desaparecimento perdem o país e a Marinha um dos seus mais ilustres servidores, e os seus camaradas um companheiro e um amigo que profundamente estimavam.”
NA: a fotografia é anterior à sua passagem por Macau onde chegou com 43 anos.
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