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Com as comemorações do novo ano lunar quase a terminar e relembrando a iniciativa que ontem teve lugar no Centro de Documentação da Fundação Casa de Macau, em Lisboa. Adé, o “senhor patuá” foi o ‘convidado’ de honra numa tertúlia singela mais genuína e bastante participada.
Para além dos livros, Adé deixou-nos ainda algumas gravações dos seus poemas declamados. Como esta edição da Tradisom de 1998.
Aqui no “Macau Antigo” são vários os post’s sobre a sua vida e obra.
O Patuá macaense, também designado por Crioulo macaense, Patuá di Macau, Papia Cristam di Macau, Doci Papiaçam di Macau ou ainda de Macaista Chapado, é uma língua/dialecto crioula de base portuguesa formada em Macau a partir do século XVI, influenciada pelas línguas chinesas, malaias e cingalesas. Sofre também de alguma influência do inglês, do tailandês, do espanhol e de algumas línguas indianas. O assunto é completo e para especialistas. Esta foi a explicação mais simples que consegui.
Pelo patuá fizeram, e muito, outros nomes da terra como Jorge Roberts ou Tarcísio da Luz. Actualmente diversas associações locais buscam o reconhecimento por parte da Unesco para que o patuá seja considerado património intangível da humanidade. Mesmo que não venha a ser o seu trabalho foi de extrema utilidade de forma a evitar que se perdesse para sempre uma das maiores marcas da identidade cultural macaense.
Aqui fica mais um texto (1983) do Adé… “Poéma di Macau”
Pa vôs, Macau quirido, pequinino,
Nésga di chám pa Dios abençoado,
Macau cristám, qui fórça di destino
Já botá na caminho alumiado;
Pa vês, iou pensá vêm co devoçám,
Rabiscá unga poema di amôr,
Enfeitado co vôs no coraçám,
Pa têm mercê di bénça di Sinhôr.
Tera qui nôsse Rê chomá lial,
Sômente unga: sã vôs, bunitéza,
Filo di coraçám di Portugal,
Alma puro inchido di beléza.
Iou querê vêm contá co sentimento,
Vôsso estória pa mundo uvi!
— Qui di péna fino? Qui di talento?
Ai, qui saiám Camões nom-têm aqui!
Para ti, Macau querida, pequenina,
Nesga de terra por Deus abençoada
Macau cristão, que a mão do destino
Colocou no caminho iluminado;
Para ti, pensei vir com devoção,
Compor um poema de amor,
Contigo enfeitado no coração,
E assim merecer a bênção do Senhor.
Terra que um nosso Rei chamou leal,
Só uma: és tu, graciosa
Filha do coração de Portugal,
Alma cândida, impregnada de beleza;
Quero vir contar com sentimento,
A toda o mundo a tua história!
Ah, que pena não estar aqui Camões.
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