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No dia 7 de Abril, pelas 18 horas, o poeta e investigador António Graça de Abreu apresentará, no âmbito do SPEM –Seminário Permanente de Estudos sobre Macau – um olhar de Macau a partir da China.

O seminário terá lugar na sala de reuniões, no piso 7 da torre B da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da UNL (no recinto principal da Faculdade), em Lisboa.
“Entre Setembro de 1977 e Maio de 1983 vivi em Pequim e Xangai, com curtas estadias em Macau e em Portugal. Na capital trabalhei durante quatro anos e meio com mais de vinte chineses a quem também ensinei Português. Em Xangai casei com uma mulher chinesa em Fevereiro de 1983. Enfim, a imersão em pleno no mundo chinês.
E Macau, como olhar e entender Macau nesses já recuados anos, a partir de Pequim ou Xangai, com os olhos chineses ou com os meus humildes e transviados olhos portugueses? Na altura falava-se muito pouco de Macau, nada se sabia sobre a cidade que era assunto quase tabu na China. Porquê? Procurarei dar algumas respostas possíveis.
Nos anos (19)80 começa-se a falar de Macau, a saber-se que a cidade existe, a separá-la de Hong Kong, a apontar a data mágica de 19 de Dezembro de 1999 para a reintegração na grande pátria-mãe. Que significado tem tudo isto para o anónimo cidadão Wang, Liu ou Yao habitante de uma vila da Manchúria, de Pingyao, cidade da província de Shanxi, de Chengdu, capital de Sichuan? E hoje, como é? Desde 2003, Macau está aberta às sete ou oito dezenas de milhares de chineses que todos os dias atravessam as Portas do Cerco ou aterram no aeroporto da Taipa para se perderem e perderem nos casinos. Embora os visitantes sejam predominantemente gente da província de Guangdong (com 96 milhões de habitantes!) são também oriundos de toda a China. Um dia e uma noite em Macau, os bolsos vazios, e oregresso a casa, muito para lá das Portas do Cerco.
A minha proposta é conversarmos sobre as origens de Macau e o fascinante (des)entender das gentes do velho e sempre renovado Império do Meio, em tudo a que a Macau diz respeito.”
A.G.A.
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