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O 1º Cabo Luís Amadeu Marrucho desembarcou em Macau a 24 de Agosto de 1949 depois de uma viagem a bordo do ‘Niassa’ que durou 40 dias. Fez parte do grupo de homens que constitui a ‘Bataria Independente de Artilharia Anti-Aérea 4 cm Expedicionária’, uma das várias unidades criadas na altura para proteger o Território da situação conturbada que se vivia na China. Aos 83 anos recorda momentos únicos da sua vida de militar e só tem pena de nunca ter regressado ao Macau.
Marrucho: à esquerda na imagem

Luís Amadeu Marrucho nasceu a 27 de Maio de 1927 na aldeia de São Gregório, freguesia de Cristóval, concelho de Melgaço, no Norte de Portugal colado a Espanha. Aos 21 anos deixou a sua aldeia natal para cumprir o serviço militar. “A 4 de Abril de 1948, pelas 14 horas, junto com outros companheiros entrei no Quartel Militar de Penafiel (Grupo de Artilharia Contra Aeronaves nº 3). Logo de seguida, um cabo indicou-me o meu número, 463/48, dizendo-me para me dirigir ao Depósito de Fardamento, onde me entregaram o respectivo fardamento. Seguidamente, um furriel deu-me um papel para me dirigir à Caserna da 1ª Bateria para me distribuírem a cama e cacifo. Nesse dia não nos forneceram qualquer refeição, valeu-nos o que tínhamos comido antes pois também não nos foi permitido sair.”
Na manhã seguinte, logo cedo, tocou o clarim e toca a levantar, fazer a cama e arranjar-se rapidamente. Novo toque para formatura dos recrutas das 1ª,2ª e 3ª baterias. “Não tardou, um Tenente passou revista às baterias e ordenou ao Sargento para nos encaminhar para o refeitório, a fim de tomarmos o pequeno-almoço. No final, de novo para a caserna substituir a farda pelo fato de ginástica. Toque de clarim para a ginástica.” Tudo tinha que ser feito rapidamente pois quem chegasse atrasado, no final da instrução iria descascar batatas ou lavar pratos. A seguir à ginástica, toca a marchar… “Passados dias tive instrução de manejo de espingardas e de peças de artilharia.”
Assim decorreram 4 meses, no fim dos quais se realizou o sorteio e juramento de bandeira. “No sorteio saiu-me o número 7 o que significava permanecer 16 meses como militar. Todos os que tinham a 4ª classe iam tirar o curso de 1º Cabo, o que foi o meu caso. Como tinha tirado o nº 7 no sorteio permaneci no quartel até nova recruta se apresentar, já no ano de 1949. Feito o curso da Escola de Cabos, fui promovido e realizei as tarefas que me foram atribuídas, até ao dia 3 de Junho de 1949.”
Certo dia, de finais de Outubro ou inícios de Novembro, da parte da tarde, tocou a formatura geral. O Comandante mandou ligar os “Matadores”, camiões fortes onde eram atreladas peças de artilharia e tomou-se a estrada em direcção ao farol da Guia para tomar posição de fogo. “Perguntámos o motivo de tal acção e o comandante disse-nos para verificarmos, pelo binóculo, o que se estava a passar no porto interior, no meio do rio. Ali, encontravam-se vários barcos e barcaças cheias de gente.”
Por esta altura Luís Amadeu Marrucho foi mobilizado pela nota 3/3º do Ministério da Guerra nº 543/MT de 3/06/1949, e destacado para a colónia de Macau, fazendo parte da 2ª Bateria Expedicionária do Regimento de Artilharia Antiaérea Fixa localizada em Queluz. “O Comandante do quartel de Penafiel reuniu todos os cabos e soldados que iam para Macau e lamentou que, a poucos dias de irmos para casa, tivéssemos sido mobilizados, mas as ordens eram para cumprir.”
Cinco ou seis dias depois receberam as guias de marcha para se apresentarem no Regimento de Artilharia Antiaérea Fixa de Queluz, onde permaneceram dois dias. Daí foram transportados para um quartel em Paços Brandão, pertencente ao dito Regimento e que estava praticamente desactivado. Este quartel ficava na outra margem do rio Tejo, em frente ao Palácio de Belém. O Comandante da Bateria informou-os de que não precisavam de estar no quartel. Os de Lisboa podiam ir para casa e os restantes podiam andar pela cidade, ou ir onde quisessem, até ao dia do embarque. Marrucho decidiu ir passear. “Deixei Paços Brandão e fui ter com um amigo e vizinho da terra que estava no Regimento de Cavalaria 7 na Calçada da Ajuda. Aí passei o tempo, a visitar Lisboa.” E assim fez durante vários dias. De dia vagueava por Lisboa e à noite regressava ao quartel. Até que uma noite … “cheguei atrasado, não pude entrar e tive que dormir num banco de jardim, em frente ao Palácio de Belém. Fui interpelado por um polícia que me disse que não podia dormir ali. Respondi-lhe que estava mobilizado e que me deixasse em paz. Foi-se embora. “
Chegou o dia 15 de Julho de 1949 e reuniram-se todos os que tinha guia de marcha rumo a Macau no quartel de Paços Brandão como lhes tinha sido dito pelo Capitão. Com ele estavam 3 tenentes, um alferes, sargentos e furriéis. Pelas 13horas chegou a lancha da Marinha para os iria transportar até ao cais de Alcântara. “Quando lá chegamos já lá se encontravam uma Companhia de Engenharia, duas de Infantaria, uma de Sapadores Amadores, telegrafistas, etc. …Formámos no cais à espera da chegada do Sr. Ministro da Guerra para a revista das tropas. Após cumprimento das formalidades foi-nos dada a ordem de embarque. “
No cais a multidão era imensa. Familiares e amigos vinham para a derradeira despedida. “Entrámos no navio, O Niassa, dirigimo-nos aos porões à procura do nosso número de cama e lá colocámos a nossa bagagem. À medida que o navio afastava, a nossa tristeza aumentava com as saudades dos nossos familiares e amigos. Tínhamos jurado amor ao nosso Portugal e à nossa Bandeira mas era doloroso deixar o solo Pátrio. Passando a barra recolhi ao porão onde me deitei e nem sequer fui jantar.”
40 dias a bordo do Niassa
A viagem seguiu em direcção a Porto Said. Mais ou menos a meio da viagem um dos três capelões que seguia a bordo faleceu. Foi depositado durante 24h no Salão Nobre do navio. Um dos seus colegas disse uma missa e, de seguida, a urna foi levada para a proa. O navio parou, lentamente, a urna desceu à água onde se afundou. “Visto na época não existirem câmaras frigoríficas, não foi possível levá-lo até Porto Said onde o esperava um irmão. Foi um momento muito triste.“
Chegado a Porto Said, o navio Niassa não pôde atracar junto ao cais. Fundeou ao largo e as tropas foram transportadas a terra em baleeiras. “Deram-nos 200$00 e dirigimo-nos ao banco onde trocamos os escudos por rupias ou piastras, não sem antes os funcionários nos dizerem que o nosso dinheiro era muito bom. As ruas da cidade eram muito sujas e algumas não podíamos visitar, já que a polícia não o permitia. Apenas bebi uma cerveja porque estava lacrada, não comi nada porque tudo me pareceu impróprio. No dia seguinte, após o navio ter sido abastecido com carvão e água, partimos.”
O Canal do Suez foi atravessado sob escolta de aviões ingleses e foi necessário ligar na proa do navio holofotes que iluminavam o Canal de margem a margem. Seguiam sete ou oito navios, uns atrás dos outros. O Niassa era o último uma vez que transportava explosivos. “Entrámos no Mar Vermelho e fomos visitar a cidade de Adem (Golfo de Adem). Fomos em grupo pois era perigoso ir só. Nesta cidade as mulheres usavam a cara tapada. Durante este passeio fomos abordados por um homem que se abraçou a nós a chorar. Era um português que nos pediu para o trazermos para Portugal pois tinha ido num barco que ali atracara, perdeu-se na cidade e quando regressou ao cais já o navio tinha partido. Informámo-lo que nos dirigíamos para Macau. Este conterrâneo acompanhou-nos durante a visita à cidade. Em frente à cidade de Adem vê-se uma colina escarpada, o Monte Sinai. Os Padres informaram-nos que tinha sido ali que Jesus entregara a Moisés as Tábuas da Lei. “
A viagem prosseguiu pelo Mar Arábico com destino a Colombo. Poucas horas navegadas e surgiu uma tempestade de areia. “Era como se chovesse. Muito engraçado e diferente. Dizia a tripulação que a areia devia vir do Deserto do Sara.” Chegados a Colombo nova visita a terra para visitar a cidade. “Num jardim bem cuidado encontramos uma pedra, de enormes proporções, onde estava gravado o Escudo Português com a coroa do Rei. Era uma cidade limpa e muito bonita.” De volta ao Niassa a viagem prosseguiu para a última etapa rumo a Singapura. Novo porto de escala, nova cidade. “Visitámos a cidade, suja e velha. No porto de mar viam-se os mastros dos navios afundados durante a 2ª Guerra Mundial.”
Junto à ‘pedra’ gravada que asinala olocal o foi assassinado o gov. Ferreira do Amaral
(perto de Mong Há e do templo de Lin Fong)
De Singapura o Niassa partiu rumo a Macau onde chegou a 24 de Agosto de 1949 ao fim de 40 dias de viagem. “Chegados à barra, na foz com o rio Cantão, o navio fundeou ao largo pois a maré estava baixa. Fomos transportados, através do rio Cantão, em grandes barcaças até ao porto. Avistava-se uma grande avenida, a Avenida da Praia com árvores frondosas. No alto da colina, o Farol da Guia. Sentimos muito calor que era amenizado pela brisa do mar, mas em terra o calor abrasava. No porto encontravam-se dois navios de guerra portugueses, o Pedro Nunes e João de Lisboa.”
Os homens foram então transportados para o quartel em Mong Ha. Este aquartelamento ficava situado junto à estrada da Areia Preta, que se juntava, numa bifurcação, da Avenida Almirante Lacerda, que por sua vez ia directa às Portas do Cerco. “No quartel encontravam-se 5 ou 6 soldados duma Companhia, dita das Beiras. Fui dos primeiros a chegar e esperei pelos restantes. Fomos para a formatura, munidos com um copo, cantil e marmitas. Pelas 14h30m, em fila, fomos receber a 1ª refeição do dia: uma concha de arroz, meio frango grelhado, sopa, vinho e fruta à escolha. Perguntei se era sempre assim e disseram-me que ainda era melhor já que aquilo tinha sido à pressa. Nesse quartel não havia refeitório e no dia seguinte foi necessário improvisar um, e à pressa. Estas instalações improvisadas só duraram aproximadamente dois meses pois entretanto foi construído o quartel e ficamos bem instalados. Já tínhamos casa de banho, mosquiteiros e ventoinhas.” Guerra civil chinesa chega a Macau
Marrucho – é o segundo da dta. para a esq. – no novo aquartelamento
A China sofria uma guerra civil. Combatiam Nacionalistas contra Comunistas e vice-versa. “Como chefes comunistas Mao Tse Tung e Ling Chiu, e do lado dos nacionalistas Chian Kai-Shek. Os nacionalistas foram perdendo terreno e recuando até ao rio Cantão, também chamado dos Piratas. Aí não tiveram outra solução senão meterem-se nos barcos (soldados, oficiais, mulheres, crianças, material de guerra etc.) e atravessarem para o meio do rio.” As tropas de Mao queriam que se rendessem; eles não queriam pois sabiam que morreriam, mas também não queriam entregar-se às tropas portuguesas. “Entretanto nós enchíamos sacos de areia para proteger as peças de artilharia. Aproximou-se a noite, levaram-nos de comer e capotes por causa do frio. Como já era escuro, cada um pegou um capote; de manhã foi uma farta de rir porque estavam todos trocados, (soldados com capotes de furriéis e vice-versa, etc.).”
Esperavam-se novos acontecimentos em relação com os chineses… “Uma lancha da nossa Marinha dirigiu-se aos chineses para se entregarem, eles recusaram, mas de quando em vez, as forças contrárias atiravam algumas rajadas de metralhadora.”
Quem mantinha contacto com o Governo de Portugal era o comandante do navio Pedro Nunes, da Marinha Portuguesa, que transmitia todas as informações recebidas ao governador de Macau, Albano Rodrigues de Oliveira e ao Comandante Militar, Cota de Morais. “O nosso governo aconselhava calma. Após algumas tentativas da nossa marinha, os chineses resolveram entregar-se. Como tudo se resolveu, não foi necessário abrir fogo.”
Todos aqueles militares e familiares, bem como o material, à excepção dos explosivos, foram encaminhados para o campo de futebol 28 de Maio (Canídromo). Aí dormiam debaixo das bancadas do campo e as refeições eram-lhes ministradas por chineses credenciados, bem como sabão e tabaco. “Nunca soube, ao certo, quem ordenava estas coisas, mas talvez o Governador. Ninguém podia entrar ou sair sem ser pela porta principal, guardada pelas tropas portuguesas. Também lá fiz serviço. Passado algum tempo foram autorizados a sair do Campo para a cidade. No início voltavam mas por fim desapareceram. Alguns ainda foram vistos pelas redondezas do quartel a pedir comida.”

Na inauguração da gruta em Outubro de 1949. Marrucho é o primeiro à direita na imagem
“Quando saímos de Lisboa dizia o ‘jornal da caserna’ que o Sr. Bispo de Leiria tinha oferecido uma imagem de Nossa Senhora de Fátima. Éramos muitos e de armas diferentes, a imagem, por questões de segurança, não podia andar de Companhia em Companhia.” Após um sorteio recaiu na unidade de Marrucho a responsabilidade de construir uma gruta para a colocação da dita imagem. “Para a inauguração da mesma foi efectuada uma missa campal com guarda de honra, da qual fiz parte.” A porta do quartel foi aberta para apresentação de todas as guarnições militares, para chineses e macaenses. A esta cerimónia, além dos comandos militares, também assistiu o Governador, Albano Rodrigues de Oliveira, natural de Viana do Castelo.
Durante o tempo que esteve em Macau a cumprir o serviço militar Luís Amadeu Marrucho foi ainda monitor das aulas regimentais para ensinar a ler e escrever os soldados que não sabiam, “acompanhando o professor da classe civil que lá ia dar as aulas.”

(NA: após esta entrevista a filha de um antigo aluno de Marrucho pediu-me os seus contactos para reavivar memórias do seu falecido pai; ver post sobre António de Matos Oliveira)
Passados dois dias da chegada Amadeu Marrucho dirigiu-se ao edifício dos Correios para enviar uma carta e, ao mesmo tempo, conhecer a cidade. “Cheguei ao centro “Largo do Leal Senado”e Câmara e lá encontrei a estátua de Vicente Nicolau de Mesquita, um tenente macaísta que com alguns soldados se dirigiu para a China, passando num local denominado Passaleão onde estavam entrincheirados alguns soldados chineses. Travou uma luta com eles e saiu vencedor. Foi promovido a Coronel.”
Percorreu avenidas, ruas e ruelas e tudo apreciou com curiosidade. “Junto às Portas do Cerco passei alguns momentos a ver a passagem dos chineses que entravam na cidade trazendo tudo o que fosse comestível: legumes, galinhas, patos, porcos e até serpentes aprisionadas numas redes finas. Tudo isto era destinado aos restaurantes.”
Certo domingo Marrucho passava em frente à igreja de S. Domingos, próxima do mercado, e resolveu entrar. “Pela porta aberta vi que havia missa, entrei no momento em que o padre começava a falar. Apercebi-me que falava chinês e que a missa era dirigida a chineses. O Padre olhava para mim admirado, bem como os chineses; eu, com a insistência dos olhares, acabei por sair.”
Durante o tempo em que Marrucho permaneceu em Macau surgiram dois tufões. “O 1º foi fraco mas o 2º foi horrível e causou muitos danos (queda de árvores, postes de electricidade no chão, casas desmoronadas, etc.). Nas ruas só podia andar a polícia para evitar os roubos. Os chineses sabiam o que ia acontecer: dias antes colocaram no Alto da Guia um aparelho através do qual avisavam a população para se preparar comprando géneros alimentícios, pois não se sabia a duração e intensidade do tufão.”
Um dia, junto com outros colegas, Marrucho pagou a uns chineses para os levarem de barco até à praia da Ilha de Coloane. “Lá encontravam-se algumas chinesas. Como fazia muito calor, rapidamente nos dirigimos para a água. De repente começou a chover e as chinesas abriram os guarda-sóis e foram para a água. Nós, admirados, rimos imenso, pois para nós era estranha aquela situação.”
Como apenas estava de serviço quatro dias por mês, dois dias de cabo de dia ao quartel, e dois dias juntamente com seis soldados para velar pela segurança dos paióis do material bélico, Marrucho tinha muito tempo livre que aproveitou para conhecer toda a cidade de Macau, desde as Portas do Cerco até ao Pagode da Barra dedicado à Deusa A-MA, e da Ilha Verde até à Baía da Praia Grande. “Percorri avenidas e ruas, lindos jardins, visitei a Gruta de Camões, o hipódromo onde regularmente se realizavam corridas de cavalos, igrejas, pagodes chineses, cinemas e casinos. Nestes era-nos proibido entrar mas, como nos podíamos vestir à civil, de vez em quando lá entrávamos, no meio dos outros. Todas as noites saía para passear,” recorda.
Voltando ao dia-a-dia da vida militar, Marrucho recorda ainda a alimentação que classifica de boa e “bem confeccionada por cozinheiros chineses. Todos os dias ao pequeno-almoço tomávamos um comprimido, chamado quinino para evitar doenças por causa da picada dos mosquitos. A roupa, marcada com o número de cada um, lavada e passada a ferro na lavandaria, era colocada sobre cada cama. Não faltava nada, era como se tivéssemos ido passar férias.”
Umas ‘férias’ que duraram três anos e que estiveram para ser prolongados. “Poucos dias antes do regresso a Portugal, alguns polícias foram ao quartel convidar-nos para ficar naquela corporação em Macau. Ninguém respondeu. Passadas umas horas, o 1º Sargento David Coelho Araújo, oriundo do Cartaxo, disse-nos que quem quisesse aceitar ficar na polícia podia fazê-lo, mas quem o fizesse podia dizer adeus à família. Enquanto militares, a viagem para Macau e o regresso eram gratuitos mas, caso ficássemos, nunca mais ganharíamos dinheiro para regressar.”
Marrucho decidiu regressar a casa mas antes “pedi a um médico amigo que me facilitasse a realização de alguns exames médicos, pelo que estive internado 4 dias no Hospital de S. Januário.”  O embarque rumo a Portugal aconteceu a 23 de Outubro de 1951 no navio “Timor” que passou por Macau proveniente da Província de Timor na sua viagem inaugural. “Chegámos a Lisboa a 23 de Novembro de 1951. Custou muito partir e deixar a família. Foram muitas as saudades. No entanto, não fosse a tropa, nunca teria conhecido estas longínquas paragens. Hoje sinto alguma nostalgia daqueles tempos e muito gostaria de voltar a rever aqueles locais que, sendo maravilhosos então, agora ainda estarão mais bonitos.”
Luís Amadeu Marrucho tem hoje 83 anos (à data da entrevista) e nunca regressou a Macau.

Entrevista publicada no Jornal Tribuna de Macau em 9 de Abril de 2010

http://www.jtm.com.mo/view.asp?dT=342801001
NA: Esta é mais uma forma que encontrei para agradecer ao Sr. Marrucho por ter partilhado as suas memórias.

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