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O restaurante Solmar, que hoje (1 Julho) assinala 50 anos, é bem conhecido das “gentes” de Macau, mantém-se como ponto de encontro no centro da cidade e guarda no silêncio das paredes muitas decisões políticas que poderão ter marcado a cidade. Entre os seus fundadores, contam-se nomes como Carlos Assunção, o primeiro presidente da Assembleia Legislativa de Macau, Pedro Lobo, ilustre representante da comunidade macaense, ou Roque Choi, um elo de ligação entre as comunidades chinesa e portuguesa.
Mas é ao longo dos anos, com fundadores e seus descendentes, com a comunidade e, como explicam alguns “filhos da terra”, muito escárnio e maldizer, que o Solmar ganhou fama e conquistou um espaço na vida social da cidade.
“Um grupo de três macaenses está sentado a uma mesa em amena cavaqueira. Quando saírem vão todos ‘má linguá’ (falar mal uns dos outros)”, diz um cliente habitual, com algum exagero próprio do que eram as pequenas cidades onde todos se conheciam. Retirando o exagero que possa existir quando se associa o Solmar à má língua local, não deixa de ser verdade que o restaurante ficou conhecido por ser um dos “pontos estratégicos” na luta do poder em Macau quando a comunidade macaense afrontou o então Governador Almeida e Costa. E na gastronomia local o restaurante também já teve a honra, em setembro de 2010, de ser entronizado como “confrade extraordinário” da Confraria da Gastronomia Macaense a par dos restaurantes chineses Fat Siu Lau e do Long Kei, sendo que este último não resistiu à pressão dos preços do imobiliário.
Meio século depois de aberta a porta pela primeira vez, com 33 empregados e alguns, como o cozinheiro chefe Ieong Choi Yun e o chefe de mesa Sam Veng Yun, há, respetivamente, 43 e 42 na casa, Edith Silva, filha de um dos sócios fundadores, recorda que o espaço é conhecido como a “Gazeta de Macau”.
Edith Silva sublinhou também que o restaurante “faz parte da comunidade” e que, coisa rara nos dias de hoje com a especulação imobiliária, “há 50 anos está implantado no mesmo edifício”. Depois de tantos anos de porta aberta, Edith Silva diz haver vontade de continuar a servir a comunidade e não partilha a opinião daqueles que acham que o espaço muitas vezes serviu para maldizer. “Quando o meu pai e os outros sócios fundaram o Solmar foi para que os macaenses tivessem um ponto de encontro. Não sei se era para dizer mal
dos outros, mas para espalharem a notícia. E hoje continua a ser um ponto de encontro e já não existem muitos onde fazê-lo”, disse. Edith Silva reconheceu, no entanto, que muitas das políticas de Macau foram desenhadas ou pensadas à mesa do Solmar e recordou que, quando ela própria foi deputada, “muitas das coisas que se sabiam era no Solmar”. “No tempo de Carlos Assumpção (…) muitas coisas eram aqui negociadas à mesa do Solmar”, concluiu, garantindo estar pronta para mais 50 anos, assim tenha saúde para isso.
Artigo da autoria de José Costa Santos, Agência Lusa, Macau a 1 de Julho de 2011
NA: Local de tertúlia, mexericos e conspirações domésticas surgiu em 1961 e depressa se tornou numa ‘instituição’ de Macau como se pode verificar no artigo do José Costa Santos da Agência Lusa.
Nos primeiros anos era frequentado essencialmente por portugueses da então ‘metrópole’ e macaenses mais abastada. Na ementa destacava-se, entre outros, a famosa a “galinha africana”. Ainda hoje funciona na av da Praia Grande, quase em frente ao hotel Metrópole. Na imagem um anúncio publicado no jornal O Clarim na década de 1960.
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