anos 20


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Na década de 1920 proliferam os jornais portugueses apesar de, tal como hoje, os leitores (portugueses) serem uma imensa minoria em Macau. Eis a título de exemplo, alguns jornais da época.
O jornal saiu pela primeira vez a 1 de Julho de 1923. A redacção era no Seminário de S. José e a impressão no Orfanato Salesiano. Teve uma periodicidade semanal até 1 de Dezembro de 1925 quando passa a diário. Durou até 30 de Abril de 1928.
Na imagem dois números (1927 e 1928) do jornal “A Pátria”, “diário destinado à defesa dos interesses portugueses”. O director e proprietário era A. J. Gomes (doutorado em Teologia). O redactor principal A. da Silva Rego. Neste jornal escreveram, por exemplo, Camilo Pessanha, o padre Silva Rego e Charles Boxer. 
Na mesma época destava-se, por oposição ao “A Pátria”, jornal católico favorecido pelo governador, “O Combate” de Rosa Duque. Este período tem como lema “pela Pátria e pela República”… o que indicia bem da rivalidade. Começou a ser publicado em Dezembro de 1923.
Naqueles anos de republicanismo exacerbado um outro título fez história. “A Verdade”, dirigido por Constâncio José da Silva, apareceu em 1927. Publicava-se às 5ªs e domingos e era impresso na tipografia da Rua dos Prazeres, nº 5.“O Liberal” foi um semanário republicano independente publicado entre 1919 e 1923. 

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Ementa do dia 26 Novembro de 1920 do vapor S.S. Sui An que fazia a carreira Macau – Hong Kong em conjunto com o S.S. Sui Tai. Fonte: eBay

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A propósito do post anterior, A. Cação enviou-me esta mensagem: “mais uma vez lhe envio um abraço de parabéns pela descoberta e publicação do magnífico trabalho do tenente coronel Albino Ribas da Silva, militar do Quadro de Macau e Timor,que tem descendência em Macau, alguns dos quais estiveram ligados à Catografia e Cadastro, às Obras Públicas e a outros serviços da Administração.” E assim é. Eis um pouco mais de informações sobre este militar.
A imagem, do IICT, é um retrato de Ribas da Silva, que no início do século XX foi nomeado comandante militar da Taipa e Coloane. Foi quando se agravou o problema dos piratas na zona fazendo ínúmeros presos entre a população civil chinesa. Por esta altura as ilhas da Taipa e Coloane eram guardadas por um destacamento de pouco mais de 20 homens que, na opinião do padre Manuel Teixeira, “mal chegavam para guardar a fortaleza e o quartel de Ká-Hó, quanto mais parea patrulhar as aldeias e as montanhas.”
Albino Ribas da Silva nasceu em Portugal (Lamego) em 1868. Em 1892, com 24 anos, já está em Macau onde casa com Domícilia Maria Marques e com quem tem cinco filhos. Em 1931 casa em segundas núpcias com Margarida Cleófa Casanova (dois filhos, nascidos antes do casamento), 34 anos mais nova do que ele. Albino Ribas da Silva morre com 65 anos em 1934.

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Década 1920

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Chegou à Marinha portuguesa em 1897 depois de adquirido a Itália com recurso a uma subscrição nacional. O momento mais emblemático do seu percurso deu-se na madrugada do dia 4 de Outubro de 1910. Foi a bordo deste navio, fundeado no Tejo, que partiu o sinal que desencadeou a revolução republicana. Este aviso fez-se através do disparo de três tiros das suas peças e constituiu o início de todo um plano, que culminou na implantação da República em Portugal.
Cumpriu variadas comissões em África (Angola e Moçambique) e no Extremo Oriente.
João de Canto e Castro (1862-1934), que viria a ser o 5º Presidente da República, foi nomeado comandante do “Adamastor em 1913. Para tomar posse foi buscá-lo a Macau, fazendo a viagem por terra, utilizando o transiberiano.
Com o golpe de estado 1926 foi enviado para Macau – para reforço da Estação Naval juntamente com o “República”, por causa da invasão da China pelos japoneses tendo socorrido a comunidade portuguesa de Xangai – tendo regressado seis anos depois em muito mau estado e já reclassificado como “aviso de 2ª classe”. Foi abatido um ano depois, em 1933.