anos 30


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Equipa de atletismo, 1935 (da esquerda, fila de trás) Frederico Pedruco, Joaquim Collaço, Alberto Cortiço, João Coelho, Delfim Carvalho (King Kong), António Collaço; (filas da frente) Paulo Rocha, Nino Santos, César Amarante, Luís Collaço, Fernando Morais, José Cortiço, Manuel Rego e Vítor Souza.
Cecília Jorge publicou um artigo sobre este Grupo Desportivo na Revista Macau em Novembro de 1994 (II Série nº 31) que a seguir se reproduz e de onde tiveram também origem as imagens.
“O Tenebroso” era formado por jovens simpáticos, uma mão-cheia de atletas que deixaram boas recordações aos que ainda se lembram dos seus brilharetes desportivos durante quase uma década. Falar nas memórias do Piolho (Luís Gonzaga Collaço) e não referir “o Tenebroso” seria imperdoável. Nele alinharam o Collaço e mais dois irmãos, Joaquim e António, este último considerado um dos mais completos atletas do seu tempo: quer no atletismo, quer no futebol.
O Grupo Desportivo O Tenebroso foi fundado em princípios dos anos 30, por Manuel de Jesus (o Manecas), na altura subchefe da PSP. Os rapazes treinavam-se na zona da “avenida” (Vasco da Gama), passando posteriormente para o chamado “bairro da Cadeia”.
Muitos deles (como o famoso Cheiney Airosa) eram ex-membros do Sporting Clube de Macau, e havia também grande rivalidade entre estes e a Associação Desportiva Macaense (ADM), dirigida pelo Vaz, então dono da Leitaria Macaense. Aliás, o próprio fundador do “Tenebroso” a dada altura largou o grupo – abandonando a camisola dos “T” – e foi a correr fundar outro não menos conhecido: o “Argonauta”, cuja sede se manteve até há poucos anos na rua do Campo.
Portanto, grupos desportivos havia uns quantos, numa alegre desorganização, e com falta de tudo, horários, disponibilidade, equipamento. Longe estavam ainda os tempos das associações de estrutura rígida, com regulamentos, calendários, subsídios oficiais e campeonatos. Para além do “T”, Luís Collaço lembra-se que havia na altura, o grupo desportivo da Polícia (a reunir portugueses e chineses), o da Artilharia de Campanha e o da Infantaria, no quartel de São Francisco. Dos chineses, os mais conhecidos eram os de Kong Caio do bairro de São Lázaro) e o de San Kiu, do bairro do mesmo nome.
Jogava-se muito, e jogava-se bem e com gosto, recorda, insistindo no civismo que marcou sempre os desafios de futebol e a grande mágoa que lhe causa agora contrastar essa época com a actualidade – sobretudo porque nunca deixou de ler os jornais, ver televisão e ouvir rádio – e verifica que, além de se engalfinharem, os jogadores se voltam contra o árbitro, chegando a vias de facto.

Equipa de futebol com os troféus da época de 1935-36

Sem taças ou medalhas, na altura jogava-se futebol apenas por amor à camisola e pelo gosto de triunfar. Equipamento e bolas também não havia, e muitas vezes foi sina do “Tenebroso” jogar com um simples calção branco e a camisola de alças, depois já ornamentada com o “T” da praxe, quando começaram a ter nome… Até que um dia, alguém de posição e posses, pela grande simpatia que lhe despertava aquele grupo de bons atletas “rafeiros”, se lembrou de lhes custear um equipamento completo: calção, camisola, peúgas e, melhor que tudo, sapatilhas e bolas de futebol. Vestiu e calçou quer a primeira, quer a segunda divisão do “Tenebroso”. Adolfo Jorge, o advogado, fê-lo por interposta pessoa, mas fê-lo pela representatividade de Macau, porque oito ou nove dos jovens do grupo Já integravam a selecção nos jogos com Hong Kong.

“Combinavam-se” jogos e os campeonatos anuais, não só de futebol, mas também de atletismo, e o “Tenebroso” foi vitorioso praticamente anos a fio, tendo perdido apenas duas ou três vezes o título de campeão até se desmembrar, depois da Guerra, com a saída de vários jogadores. Os árbitros eram convidados na véspera do encontro ou escolhidos na altura, e fosse qual fosse a arbitragem, os jogadores respeitavam-na. Mas havia dois mais respeitados: o Chico Constando e um tal cabo Santos, do quartel da Infantaria.
Os encontros dos macaenses com a tropa eram renhidos e bem disputados no recinto, mas independentemente do resultado, a rapaziada acabava com palmadas nas costas e numa valente jantarada na messe, sendo convidados para comer o “rancho” com os militares.
Em atletismo, o “Tenebroso” marcou também pontos nas provas disputadas tradicionalmente na Páscoa. Das medalhas é que ficaram por vezes apenas recordações, tal como em 1935: tendo ganho as estafetas nos 800, 400, 200 e 100 metros, Fernando Morais, Vítor Souza, Manuel Rego e Luís Collaço ainda hoje estão por saber o que foi feito das medalhas respectivas…
Com o desmantelamento do “Tenebroso” depois da Guerra, Collaço ainda participou num grupo desportivo nos seus tempos de funcionário das Obras Públicas. Sabendo-se que são necessárias duas equipas para disputar um jogo de futebol, e tendo formado, no caso, duas equipas igualmente representativas daquela repartição do Estado, avançou-se com uma solução brilhante: uma era a equipadas “Obras Públicas” e outra, a das “Públicas Obras”.
Mas das especificidades do desporto de então, “falam” hoje melhor as fotos…

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Publicidade de 1937 – Exclusivo “Macau Antigo”

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Passam poucos minutos das 10 horas da manhã quando o ‘Hong Kong Clipper’ da Pan Am amara nas águas do Porto Exterior dando assim início às viagens regulares da Pan Am para Macau (cidade terminal da ligação S. Francisco-Honolulu-Manila-China). A bordo só tripulantes. Um pequeno balde água fria para quem achava que com esta ligação chegariam os turistas.

À partida de Macau seguem dois americanos com destino a Hong Kong e 42 mil cartas/aerogramas. Um recorde para os correios de Macau que montaram especialmente para o efeito um pequeno escritório ao lado do hangar da Pan Am no Porto Exterior. Era a primeira vez que o correio aéreo saia directamente da cidade e todos se lembraram de escrever aos amigos e familiares assinalando a data.
Esta ligação terminará em Março de 1939 por causa do agudizar do conflito sino-nipónico. Curiosamente, um mês depois a Pan Am inicia a ligação regular com Lisboa.
Esta veio dos EUA – 21 Abril de 1937
  

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A 2ª Guerra Mundial ainda não se tornara verdadeiramente ‘mundial.’ Chegaria ao Pacífico em Dezembro de 1941. O jornal “A Voz de Macau” noticia os desenvolvimentos na Europa no final de 1939. 

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Pavilhão do Chá (Macau) na Exposição Colonial Portuguesa realizada no Porto em 1934. Ali foram também exibidos diversos trabalhos em talha, no estilo oriental. Entre eles, este exemplar que um leitor do “Macau Antigo” me fez chegar.
Informações adicionais sobre aquela que foi a 1ª Exposição Colonial Portuguesa aqui http://macauantigo.blogspot.com/2009/05/1-exposicao-colonial-portuguesa-1934.html

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… o cinema “Apollo” inaugurado a 2 de Fevereiro de 1935 se chamava no projecto “Carlton”?
Imagem do final da década de 1930 (autor desconhecido).
Av. San Ma Lou: em frente os Correios e à direita a entrada para o cinema Apollo

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Contra-torpedeiro japonês “Sagi” de 595 toneladas da classe “Otori” construído em 1937 e afundado pelos norte-americanos em 1944.
É recebido em Macau a 10 de Janeiro de 1939 com a tradicional salva de 21 tiros pelas autoridades locais. A bordo possui três canhões de 4,7 polegadas, uma metralhadora e três lançadores de torpedos de 21 poleghdas. A tripulação passeia pelos mais diversos locais da cidade. Os momentos são registados em fotografia com destaque para a zona do Porto Exterior onde ficava um cais e o hangar de aviação.
Conjunto de fotografias tiradas pela tripulação do contra-torpedeiro japonês Sagi que visitou Macau a 10 de Janeiro de 1939 sendo recebico com uma ‘salva’ de 21 tiros. Desde 1937 que o Japão iniciara uma nova guerra com os chineses tendo invadido o país. Portugal, e por via disso Macau, manteve-se neutral face ao conflito. Por esta altura a cidade já começara a receber milhares de refugiados, a sua maioria chineses, mas também os portugueses da comunidade de Xangai e os funcionários das legações estrangeiras espalhadas pela China. Era o prenúncio da pior fase da história de Macau que já orignou alguns posts e que certamente originará outros.
Em Macau exisitia uma grande comunidade civil de japoneses, a maioria comerciantes cujo negócio começou a ser boicotado pelos chineses de Macau. A 1 de Outubro de 1940 é instalado o comsulado do Japão em Macau. Ficava na esquina das ruas Ouvidor Arriaga e Pedro Coutinho. Afecto ao consulado existia uma “agência especial do exército japonês.”
No final de 1941 o Japão invade Hong Kong e Pearl Harbour. Os EUA entram na 2ª  G. Guerra  que ao estender-se ao Pacífico e Extremo-Oriente é verdadeiramente de âmbito mundial.

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