anos 70


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Vista de Macau a partir do Monte da Guia: início da década 1970. Destaca-se o hotel Matsuya, o edifício residencial dos CTT, o hotel Lisboa, o hospital s. Januário, etc…

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Década 1970 – Av. Infante D. Henrique
Imagem do Centro de Informaçao e Turismo de Macau – Digitalizada por ACTD – IICT

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Em 1966, Macau tinha vivido o momento das maiores incertezas. A Revolução Cultural da China, provocara danos incalculáveis que se estenderam ao Território português onde os guardas do socialismo, operários e estudantes, já que em Macau não havia camponeses, a não ser os poucos que cultivavam hortas nas traseiras de suas casas nas ilhas da Taipa e Coloane e nos terrenos vagos do Bairro do Hipódromo (actualmente regurgitante de edifícios). Mas esses não se podiam classificar tecnicamente como tais e por lá ficaram sossegados nas suas hortas a regar hortaliças.

Os outros empunhando o “livrinho vermelho” tinham tido a ousadia de invadir o Palácio da Praia Grande, derrubando as vacilantes barragens policiais e obrigando o recém-chegado governador Nobre de Carvalho, ignorante do que se passava, a ouvir em indecifrável cantonense as palavras revolucionárias do “Livro Vermelho” de Mao Tsé-tung” recitadas pelos pequenos estudantes adolescentes da “Escola Hou Kong”, entre outras, no átrio do seu próprio gabinete, facto que para além de ofender a ordem pública, perturbava o normal despacho da burocracia do Estado que teimava em continuar apesar do “cataclismo” em curso.
Nobre de Carvalho, apesar de ter sido avisado do que se passava apenas à chegada a Hong Kong pelo seu homólogo britânico Sir David Clive Crosbie Trench, saiu-se bem do caos político oriental conseguindo, ao contrário de Vassalo e Silva (em Goa), salvar Macau de uma eventual (ainda que muitos considerem, ainda hoje, duvidosa) invasão e retomar o ritmo de crescimento económico que se prefigurava antes, mas que tinha sido brutalmente interrompido quando ainda mal dava os primeiros passos a dita “Revolução Cultural”.

“Nobre de Carvalho teve muito azar. Quando chegou a Macau apanhou com o “1, 2, 3”, sobre o qual sabia talvez menos do que eu e no fim do mandato apanhou com o 25 de Abril”, recorda o então director da “Rádio Macau” (“RM”), Alberto Alecrim, um veterano da queda de Goa, onde conheceu o cativeiro como prisioneiro de guerra.

Mas se o Governador nada sabia da “Revolução Cultural” que conheceria do que se preparava em vésperas de 25 de Abril de 1974 em Portugal? Provavelmente saberia o mesmo, ou seja nada mais do que rumores sem importância, pensaria o general… Quando muito, o seu chefe de gabinete, Lajes Ribeiro, seria o mais avisado para os efeitos do que uma guerra colonial, que se prolongava há anos consecutivos, provocava nas fileiras militares, cada vez mais desmoralizadas. Isto a avaliar pelos contactos que Lajes Ribeiro tinha mantido pouco antes na Metrópole durante um dos seus cursos de promoção com oficiais que participariam activamente na revolta de Abril, nomeadamente com o major Ramalho Eanes (seu contemporâneo). A mobilização para Macau (e regresso já que antes tinha aqui cumprido comissão de serviço anterior) afastou-o, porém, dos labirintos da conspiração impedindo-o de seguir os acontecimentos que se desenvolviam em movimento acelerado na “Metrópole” nos anos de estertor do “Estado Novo”. Quanto à generalidade da população de Macau mantinha-se alheia já que as notícias de Portugal chegavam previamente censuradas de Lisboa aos jornais e à “RM” e as notícias trazidas pelas cartas do correio, ou por um ou outro qualquer novo oficial, ou funcionário público, que chegava não eram nem suficientemente claras nem consistentes para serem consideradas como mais do que anedotas, boatos e opiniões pessoais.
Tudo isso provocava, naturalmente, discussão (em voz baixa, é claro) no “Clube Militar”, “Restaurante Solmar” (centro da “má-língua” e dos diz-se que se diz), algumas conversas no “Clube de Macau” (local onde tudo interessava menos isso) e nas tertúlias em casa de cada uma. O “Universo” local não passava disso mesmo: Tertúlia conspirativa eventualmente sem consequências de maior que se manifestava sem consequências há décadas e décadas. Dizer mal do Governador e da República era, pode dizer-se, desde sempre uma exercício cultural interessante mas politicamente inconsequente. Macau estava muito longe das “tricas” políticas do outro lado do Mundo, ou seja de Lisboa. O que interessava, de facto, eram os desenvolvimentos da China.
A tentativa fracassada de sublevação do regimento de infantaria 5 das Caldas da Rainha de 16 de Março de 1974, também não esclareceu ninguém já que, mais uma vez, os três jornais de Macau (“Gazeta”, “Notícias” e “Clarim”) recebiam apenas para publicação inócuos telexes do regime através da “Agência ANI” (antecessora da “ANOP” e da actual “Lusa”) informando que “a situação estava calma em todo o país” e nada mais.
Esses telegramas eram tão parcos que nem sequer referiam que tinha havido uma sublevação militar ainda que frustrada na Metrópole (?…). Na prática não diziam nada a não ser que Portugal do Minho a Timor continuava a vogar no “melhor dos mundos”… Por seu turno o serviço mundial da “BBC” e amplamente escutado em Macau pouco mais acrescentava. No entanto, “que o ambiente andava tenso em Portugal todos sabíamos, mas ninguém esperava uma acção tão súbita das forças militares. E que a insatisfação no país e a guerra em África tinham de ter um desfecho, também se sabia”, escreve nas suas memórias Graciete Batalha, professora do ensino secundário interventora na vida social e política local, membro do então chamado “Conselho Legislativo” e acérrima defensora dos princípios mais conservadores do “Estado Novo”.
Apesar da sensação de que algo ia mal na Metrópole certo é que esse sentimento partilhado esteve longe de constituir óbice à reunião solene da sessão legislativa (no rés-do-chão do Palácio da Praia Grande) para ouvir um longo discurso do governador Nobre de Carvalho, no qual figuravam as grandes linhas de acção governativa para o ano seguinte, com destaque para os benefícios evidentes que a eminente conclusão da ponte entre Macau e a Taipa trariam ao Território (e que de facto trouxeram, ainda que fosse pouco e parco, mesmo nesse tempo). Principalmente numa altura em que Macau se debatia com a escassez de abastecimento de água e electricidade por falta de meios de pagamento). Terminado o discurso foi a vez do deputado Henrique de Senna Fernandes, agradecer protocolarmente a presença e os esclarecimentos do Governador. Depois disso e também de acordo com os costumes, o “Conselho” elaborou o habitual telegrama de apoio ao regime e à sua política ultramarina (que elaborava todos os anos numa burocracia antiga). “Fui até eu que redigi o telegrama, que seguiu para Lisboa e que chegou à capital precisamente no dia 25 de Abril”, lembra Henrique de Senna Fernandes, que acrescenta: “Fi-lo com convicção, porque nós ultramarinos gozávamos de uma situação privilegiada no antigo regime. Sentíamo-nos garantidos com essa política”. Mais de 20 anos depois, Senna Fernandes (entrevista que me concedeu para um documentário sobre a passagem dos 15 anos do 25 de Abril em Macau para a “TDM”) recordou com humor a situação então vivida, ainda que na altura a chegada das notícias da revolução estivessem longe de lhe ser agradáveis.

Palácio do Governo

“Cerca das três e tal, da tarde do dia 25 de Abril fui para o meu escritório, quando recebo um telefonema do Pedrinho Lobo que me diz: – Tu estás ‘lixado’! Acabaste de fazer o discurso de apoio ao regime e o regime caiu! Exclamou o Pedrinho. Cinco minutos depois telefona-me meu pai a dizer também que Marcelo Caetano e Américo Tomas tinham ido ao ar. Claro que já não trabalhei mais nesse dia. Eram notícias impossíveis para nós que tínhamos sido criados no regime. Como era possível?”. Durante todo esse dia, Alberto Alecrim continuou a manter no ar a programação normal da “RM” sem que os telexes das agências “Reuters” e “France Press”, recentemente instalados nos estúdios da “emissora” mostrassem nada que merecesse particular destaque para inserir no boletim noticioso seguinte, a não ser um desastre de combóio na Índia, uns mortos em combate na guerra do ditador Marcos das Filipinas contra os comunistas em Manila e arredores e os últimos avanços do Vietname recém-unificado (em Janeiro do ano anterior) sobre os países vizinhos. De resto, mais nada de relevante para o mundo e muito menos para Macau. Só à noite Alecrim soube da revolução e não através dos telexes, mas sim graças a um convidado para o seu programa.
O visitante era Rui de Mascarenhas, um dos maiores expoentes do que era conhecido então como “nacional cançonetismo” que tinha combinado entrevista com Alecrim para essa noite antes de actuar no Hotel Lisboa (como é que Rui de Mascarenhas soube? Alecrim não explica. Qualquer dia hei-de lhe perguntar porquê…).
“Ficamos logo a recolher toda a informação disponível nos telexes e nas rádios estrangeiras, que levei depois ao ‘Portas do Sol’ (famoso restaurante do Hotel Lisboa) onde estava o senhor major Lajes Ribeiro a jantar (era o ‘Abril em Portugal’ que se comemorava todos os anos) e ao qual entreguei o que tinha podido colher”.
Mas Lajes Ribeiro já sabia. “A notícia chegou-me por um telefonema do posto de rádio da polícia o qual recebia a ‘Press’ (‘Press’ eram os chamados ‘SITREPES’, espécie de relatórios de conjuntura distribuídos diariamente pelo ‘Estado Maior das Forças Armadas’ para todas as unidades militares de Portugal e do Ultramar) que me deu conhecimento de que tinha acontecido o movimento e sido feita aquela declaração inicial que eu recebi passado algum tempo e tive ocasião de dar a notícia ao major Rocha Vieira (Chefe de Estado Maior da Guarnição de Macau). Foi com muita alegria, porque todos nós, ou pelo menos muitos de nós ansiavam que a solução viesse”.

Independentemente das suas próprias convicções, também o seu chefe Nobre de Carvalho confirmaria, em entrevista à “TDM”, onze anos depois dos acontecimentos, que “o 25 de Abril foi recebido bem por todos os portugueses e chineses. Os chineses, evidentemente, tendo uma ignorância grande sobre o que se estava passando embora eu tivesse tido ocasião de no ‘Conselho Legislativo’, com as notícias que recebia de Lisboa os pôr ao corrente do que se passava”. No entanto, Macau (comunidade portuguesa e chinesa) recebia com cautela as novas informações que iam chegando, estando longe de registar (como seria de esperar, aliás) as esfusiantes cenas de entusiasmo das ruas de Lisboa. “Aqueles factos mais emblemáticos do 25 de Abril, não tinham possibilidade de concretização em Macau. Em Portugal, foram abertas as prisões e soltos os presos políticos, mas em Macau não tínhamos presos políticos. Foi o encerramento da PIDE/DGS, até com cenas de algum dramatismo. Mas, Macau era o único ponto do território português que não tinha PIDE/DGS (sublinha Lajes Ribeiro). Se alguns vivas se pronunciaram, ou garrafas de champanhe se abriram em honra da revolução não foi nas ruas mas tão-somente na discrição disciplinada de alguns quartéis ou na intimidade das casas dos democratas”.
A este propósito diga-se que se efectivamente em Macau, formalmente, não havia PIDE/DGS (como a RPC tinha imposto anos antes, ao que se diz), de facto, esta funcionava efectivamente sob cobertura de subsecções nas Polícias Judiciária e de Segurança Pública. O primeiro sinal verdadeiro de entusiasmo e rebeldia que se coadunava perfeitamente com o espírito da revolução veio não em forma de manifestação, de rua, mas através de um soneto à liberdade do então poeta proscrito Manuel Alegre, declamado de forma arrebatada em plena sessão do Conselho de Governo. Quem o fez foi o jovem deputado José Celestino Maneiras, um arquitecto formado no Porto, que ali se tinha ligado aos círculos estudantis da oposição. Homem de esquerda que sempre manteve as suas convicções.Um acto inesperado de um jovem renovador que deixou estupefactos os seus colegas. Mas a atitude desse deputado ainda que de uma forma anti-regimental limitava-se, na prática, a declarar oficialmente, em nome de todos, autorizada a liberdade no território português da China. Isto ainda que o carimbo da censura perdurasse por mais de um mês em Macau depois da revolução de Abril.
O Conselho de Governo e o próprio Governador ficaram estupefactos, tanto mais que em Macau o autor de “A Praça da Canção” e de “O Canto e as Armas”, por não constar dos manuais do liceu era absolutamente desconhecido de quase todos, embora o não fosse há muito tempo dos círculos da oposição “portuguesa continental insular e ultramarina”. Manuel Alegre e Zeca Afonso já eram há muito os trovadores da liberdade em Portugal. Mas a Macau nunca tinha chegado até então a voz grave e séria de Manuel Alegre que falava contra o regime nas ondas curtas desde Argel (Argélia) através da “Rádio Portugal Livre”. Enfim! Uma surpresa para Macau habituada no liceu a ouvir apenas as rimas de Camões, António Lopes Vieira e quejandos que constavam da selecta literária que Graciete Batalha ensinava no liceu e que via com maus olhos (supõe-se) a “Primavera Marcelista” que já admitia outros trovadores mais hodiernos.
O caso ocorria em vésperas da fundação da primeira associação cívica local (concomitantemente com a restauração dos partidos políticos em Portugal) o “Centro Democrático de Macau” (CDM) agrupamento de democratas de diversas tendências formado com vista a contribuir para a liberalização política do Território.
Até ali a timidez continuava imperar, ainda que no dia 29 de Abril, os deputados (que então ainda não possuíam essa designação) tivessem concordado em obliterar o telegrama de Senna Fernandes enviado alguns dias antes e a insistências (diz-se) do Governador reformular o dito decidindo-se por nova fórmula do mesmo texto, ou quase, reenviando desta vez com novo endereço e esse era não já o Palácio de S. Bento, mas o da Cova da Moura onde o General Spínola liderava a “Junta de Salvação Nacional” novo telegrama.

Porto Interior: década 1970

Este, agora, transmitia incondicional apoio de Macau à nova liderança Nacional Revolucionária. Para além de uma deputada (a inevitável Graciete Batalha), que se recusou a aprovar o teor do novo texto (como seria de esperar), ninguém mais pareceu registar qualquer contradição no facto.
O governador Nobre de Carvalho, acabava de anunciar ter sido confirmado no cargo pelo novo poder de Lisboa, o que parecia bom sinal, levando a generalidade dos deputados a acreditar nas boas intenções dos elementos da “Junta de Salvação Nacional”, entre os quais se contava o general Jaime Silvério Marques que governara Macau (1959/62) onde deixou numerosos amigos e saudades (ainda que também inimigos como é natural nestas coisas da política) e ao qual foi enviada igualmente uma mensagem especial de regozijo por constar na primeira fila da Revolução de 25 de Abril de 1974.
No “entrementes”, como se diria nas telenovelas brasileiras, Macau inteiro ficava na expectativa sobre o que iria acontecer a seguir. E o que se seguiria não seria fácil para ninguém. 

Artigo da autoria de João Guedes publicado no JTM de 19-04-2011
Fotos várias da época: algumas de Susan Blumberg-Kason

Outros – entre muitos – posts sobre o tema:

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Chegada a Macau e passeio de riquexó: fotos de A. Martins
 “Foi bastante emotiva a recepção pelo povo Macaense, que nos proporcionou um espectáculo de fogo de artifício à nossa chegada, com música e muita alegria. Enquanto a Fragata esteve atracada naquele local era visitada diariamente por milhares de pessoas sendo necessário fazer filas para a coordenação da respectiva visita.” As palavras são de António Martins que fez parte da guarnição e que num blog dedicado à fragata recordou aquela viagem de há 40 anos.
A fragata Comandante João Belo foi a 1.ª de uma classe de quatro fragatas construídas em França para Portugal.. Tratava-se de um ‘escoltador oceânico’, dispunha de armamento anti-aéreo e anti-submarino, podia transportar uma força de desembarque e  receber a bordo um helicóptero. 
Começou a operar na marinha portuguesa a 1 de Julho de 1967, tomou parte em missões no Ultramar e em exercícios internacionais e nacionais. Realizou frequentemente viagens de instrução com os alunos da Escola Naval de outras escolas da Marinha. Em Abril de 2008, a João Belo foi vendida à Marinha do Uruguai.
Visita oficial duma unidade da marinha de guerra em 1970
Vinda de Hong Kong, aportou à Ponte Nova do Porto Exterior no dia 14 de Março pelas 13h30 a fragata da nossa Marinha de Guerra “João Belo” coadjuvada na sua pilotagem por um prático da barra devido aos numerosos baixios existentes nas águas ribeirinhas de Macau. A bateria da fortaleza da Guia troou festivamente numa sentida salva aos sucessores de Peres de Andrade, orgulhosos de apresnetarem no seu trilho um dos mais modernos navios da sua classe. A guarnição foi recebida com simpatia quer pelas autoridades quer pela população portuguesa e chinesa. Durante vários dias a fragata esteve patente ao público, tendo surpreendido e entusiasmado todos quanto a visitaram pelo ser equipamento electrónico e pelas suas instalações. Partiu no dia 24 em direcção a Timor, a caminho da Austrália, onde se dirige em representação oficial.
NA: a notícia e imagem acima apresentados foi retirada de uma publicação – Lanceiros do Oriente  – feita em Macau por uma unidade militar, a CPM 2428.

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Riccardo Patrese follows Alan Jones on the R bend.
Ricardo Patrese persegue Alan Jones na curva ‘R’.

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O lançamento do livro “Macau nos Anos da Revolução Portuguesa 1974-1979”, da autoria do Antigo Aluno Garcia Leandro (94/1950), terá lugar no dia 10 de Março, pelas 18h30 no auditório do Centro Científico e Cultural de Macau, na Rua da Junqueira, nº 30, em Lisboa. O evento será presidido pelo General Ramalho Eanes e a obra apresentada pelo Doutor Almeida Santos.
Segundo João Paulo Meneses no jornal “Ponto Final” “neste livro Garcia Leandro terá oportunidade de revelar a sua versão relativamente a diversos factos que, do seu ponto de vista, não têm sido apresentados de forma correcta. Interessante, para os historiadores que se interessam pela história contemporânea, será confrontar, por exemplo, aquilo que o antigo governador escreveu com o que o historiador e investigador Moisés Silva Fernandes tem publicado sobre esse período.
O papel de Garcia Leandro à frente do Governo de Macau, hoje muito elogiado, foi nesses anos seguintes à Revolução um pouco polémico. É ele quem tem de lidar com a Revolução em Macau e com os objectivos de uma facção militar que pretendia outras soluções políticas. Almeida Santos, precisamente, já contou um episódio tenso que então se viveu em Macau e o tenente-general não deixará de o abordar neste livro.
“Não são as minhas memórias, são factos fundamentados em documentos que dão conta de muitas coisas que são ainda desconhecidas. Será uma história de Macau nesse período de grande agitação política em Portugal com muitos factos não conhecidos”, disse Garcia Leandro em 2009 à agência Lusa. “Deixar este livro escrito é uma das coisas mais importantes que tenho para fazer, é daquelas coisas que se tem que fazer antes de morrer”, disse na mesma entrevista.
Antes de ter sido nomeado governador do território, para fazer a transição com o último governador escolhido por Marcelo Caetano (Nobre de Carvalho), Garcia Leandro já tinha muita experiência no então Ultramar (Angola, Guiné ou Timor). Depois de regressar manteve-se sempre atento ao desenvolvimento de Macau e ocupou postos relevantes, em Portugal e no estrangeiro.
Nos últimos anos, Garcia Leandro tem estado ligado ao ensino superior, leccionando em diversas escolas. É curador e administrador da Fundação Jorge Álvares. Este é o seu primeiro livro, mas alguns textos seus, nomeadamente sobre Macau, podem ser encontrados em colectâneas.
Informação adicional aqui http://macauantigo.blogspot.com/2009/04/mfa-enviou-garcia-leandro-macau.html

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