curiosidades


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… a primeira experiência de rádio em Macau data de 26 de Agosto de 1933 com a estação “CQN-Macau”. Foi a primeira do então Império Colonial e até mesmo da metrópole, já que a Emissora Nacional só começou a funcionar em Fevereiro de 1934. À “CQN” sucedeu em Maio de 1938 a “CRY-Macau” e meses depois, em Setembro, a “Rádio Polícia XX9”, pertença da corporação e com um pequeno emissor que só era utilizado fora do expediente daquela força policial. Funcionava na esquadra nº 2, junto ao canídromo.
Com o aparecimento do Rádio Clube de Macau  (RCM) em Maio de 1941, extinguiram-se a CRY e a Rádio Polícia. O RCM teve um papel muito importante durante a Guerra do Pacífico. Funcionava numa pequena sala junto à torre do relógio do edifício dos Correios. Tinha apoio do governo mas era privada. Ainda assim, ao serviço da ideologia do Estado Novo. Emitia programas em inglês, português, cantonense e japonês. No âmbito dos noticiários terá utilizado, para além das já mencionadas, o francês e o alemão. A razão é simples. Ir de encontro às diferentes comunidades estrangeiras de refugiados.
Pelos microfones do RCM passaram nomes como Francisco de Carvalho e Rêgo, Evaristo Fernandes Mascarenhas, José de Sousa Lourenço, padre Fernando Leal Maciel, tenente Alberto Ribeiro da Cunha, Bernardino de Senna Fernandes, tenente Virgílio Abrantes Pereira, Carlos Lun Chou, Cassiano da Fonseca, entre outros.Uma nota final para a estação XKRA sobre a qual pouco se sabe. Surgiu em 1939 na banda dos 200,7 metros em 1380 quilociclos por segundo. Emite programas às 14h e às 20 horas a partir da Ilha da Lapa, operada por uma locutora de Cantão. Com uma potência de 100 watts, “destinava-se a dinamizar o comércio de Macau, numa iniciativa da comunidade local dos negócios”. A fim de evitar as operações de pirataria, contrabando e outras ilegalidades, na época era proíbido instalar emissores privados em Macau. A ilha da Lapa (frente ao Porto Interior) pertencia a Portugal mas só em teoria.
Em Outubro de 1941 é adquirida uma nova antena que faz com que as emissões do RCM pudessem ser captadas em todo o Extremo Oriente, “chegando mesmo a alcançar o Alasca e a Nova Zelândia”.
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Pavilhão do Chá (Macau) na Exposição Colonial Portuguesa realizada no Porto em 1934. Ali foram também exibidos diversos trabalhos em talha, no estilo oriental. Entre eles, este exemplar que um leitor do “Macau Antigo” me fez chegar.
Informações adicionais sobre aquela que foi a 1ª Exposição Colonial Portuguesa aqui http://macauantigo.blogspot.com/2009/05/1-exposicao-colonial-portuguesa-1934.html

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Feito à mão, em 1928, este Atlas Ilustrado das Possessões Portuguezas ao Sul da China foi concebido pelo Tenente Albino Ribas da Silva que o ofereceu ao seu amigo, o Major Salvador Pinto da França. Ribas era cartógrafo. Trabalhava para o Ministério da Marinha e Ultramar – Comissão de Cartografia – Macau. Não sei se em comissão prolongada ou numa missão mais específica.
Handpainted Macao atlas. Made by Albino Ribas da Silva in 1928 to offer to is friend Major Salvador Pinto da França. Lieutenant Ribas was a military cartographer and worked for the “Ministério da Marinha e Ultramar. Comissão de Cartografia. Macau”  

Imagens: a partir de um leilão na internet

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Nesta imagem são visíveis as tangerineiras em miniatura (até metro e meio de altura), apelidadas de kumquat (em cantonense)… qualquer coisa com “golden tangerine”. Embora algo amargos há quem faça marmelada deste pequenos frutos. Nos anos que vivi em Macau era habitual ter uma em casa apenas para efeitos decorativos – dá sorte – e para respeitar a tradição da mais importante festividade chinesa que dura cerca de 30 dias.
O nome científico da árvore e do fruto é Fortunella japonica. O Kumquat é um pequeno fruto oval, de 2 a 5 cm de diâmetro, que quando está maduro é laranja-amarelado. É um fruto comestível. Também apelidado de Kinkan, assemelha-se a uma pequena laranja, pouco maior que um ovo de codorniz. De sabor adocicado e ácido, pode-se comer com a casca. Também é utilizado em produtos cosméticos e de beleza.
Década 1970. Largo do Senado frente aos Correios. Foto IICT
(…) Naquele ano, nos princípios da década de setenta, talvez porque já tivessem passado todos os medos que sofrêramos com a revolução cultural, era um ano de alegria. O bairro do Bazar fervilhava de entusiasmo na expectativa de tudo de bom que o novo ano traria … durante a semana anterior as mobílias das casas térreas que havia – ainda eram muitas – tinham saído para a rua para serem lavadas com água e sabão e depois engraxadas com pomada de sapatos e readquirirem a dignidade que só as mobílias de pau preto conseguem ter quando a idade se alia à limpeza e ao brilho do tempo.
Os galhos ou até mesmo as pequenas árvores de pessegueiro em botão circulavam pelas ruas embrulhadas em papéis cor de rosa, de forma já previamente calculada para que não abrissem antes nem depois daquela noite tão ansiosamente esperada.
Um frenesim de gentes invadia as ruas. Cuidavam de fazer as últimas compras. Durante, pelo menos, uma semana as lojas iam ficar fechadas – e cada qual como podia transportava mobílias novas, vasos com flores, roupas vermelhas para adultos e crianças, roupas de cama e sacos com os mais variados achares. Eram os cocos, as abóboras, as tangerinas em miniatura ou cortadas em pedaços, os frutos de lótus, deliciosos bocados de gengibre no vinho e fresco, era tudo o que podia ser passado por açucar em ponto e conservado, eram ainda as sementes brancas e vermelhas das abóboras, bem torradinhas para serem facilmente descascadas com os dentes da frente…
Nas ruas viam-se peças de mobília, almofadas, lençóis, ‘mintóis’, … tudo o que ligeiramente exibisse um ar de cansado era mudado e atirado para a rua onde pacientemente esperava por uma camioneta que, antes da noite do novo ano, sempre passaria para levar.
Quem passou pelo Largo do Senado naquele cair de tarde, de certeza ainda hoje o conserva na lembrança como imagem da alegria e da cor. Homens que acompanhavam crianças recheando bonitos ‘mináps’ vermelhos, muito saltitantes, muito barulhentas, conversavam com os amigos em encontros fortuitos ou previamente combinados. As avós, sempre muito respeitadas, levavam severamente mas com responsabilidade as suas tarefas de guardião, enquanto falavam com as suas amigas. Por aí, como num pequeno écran, desfilavam todas as tristezas do ano que estava a acabar, de quando em quando interrompiam as lamentações para chamar a atenção das tropelias dos netos, e voltavam às suas conversas. Tinham que despejar tudo o que havia de desagradável pois o novo ano estava a chegar e não se podia falar mais em tristezas.
As mães estavam nos cabeleireiros, que nesta época fervilhavam de gente, esperando a sua vez de ser atendidas e, logo que estavam despachadas, davam um salto a casa e enfiavam uma bela cabaia vermelha já preparada em cima da cama para finalmente acompanharem a família neste fim de tarde e de ano.
À volta do largo, historicamente preparado com compridíssimos degraus feitos com tábuas de madeira e forrados de papel vermelho, esperavam por nós lindos vasos de flores cultivados de ano para ano, com saber cientificamente milenar para esta ocasião festiva: eram as tangerinas anãs, carregadas de frutos muito amarelos mesmo a atrair todo o ouro que ainda existia no ar; igualmente atraindo o vil metal, estavam os carnudos crisântemos e os modestos cravos de burro que nunca, em nenhuma parte do mundo se sentiam tão prestigiados; os junquilhos, dedicadamente armados em rodelas concêntricas e sobrepostas, altivamente mostravam a sua delicadeza e a sua arte, e assim justificavam o seu alto preço. Eram estas as flores mais características do Ano Novo Chinês, como característica era também a competição assumida pelas duas potências China – Japão aqui representada. Como prova dessa eterna contenda, num canto mais reservado, as carnudas peónias exibiam despudoradamente toda a sua frágil mas provocante beleza como que a justificar o título que lhe tinha sido atribuído (a flor da China), enquanto que os crisântemos (a flor do Japão) mostravam a sua pujança, pela enorme variedade de cores fortes e caules duros, mas eram igualmente muito belos. Mais discretas, as orquídeas de todos os formatos estavam começando a enriquecer esta parafernália florida. Agora muitas outras flores ocidentais se têm vindo a juntar a esta explosão de beleza. Tudo fica mais belo mas fica também menos característico.
Parecia que todas as magias do mundo tinham combinado juntar-se em Macau: era aqui e era agora que esse encontro iria realizar-se, a modernidade convivia com a tradição, o vulgar com o exótico, a tristeza acabaria por se esconder, dando lugar a uma exuberante alegria que extravasava em enormes gargalhadas; eram os gritos de prazer pelo ouvir do rebentar de panchões cada vez mais frequente, eram risadas alegres e barulhentas para atrair a atenção dos amigos que passavam.”

Excerto de “O livro da Ana Maria”, de Margarida Ribeiro , Editora da Bisavó – Fund. do Santo Nome de Deus, 2007

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Dois anjos seguram o escudo de Portugal. Por cima da cabeça do anjo do lado direito, o globo terrestre (esfera armilar) simboliza a epopeia dos Descobrimentos.  Do lado  esquerdo  está a Cruz de Cristo.  Por cima do escudo de Portugal, temos uma coroa que simboliza o antigo patrocínio da monarquia ao Senado de Macau.
Para os macaenses esta sempre foi a ‘verdadeira’ bandeira de Macau.
Uma das três bandeiras que existiam no interior do Leal Senado pode ser vista no Palácio da Independência, em Lisboa (Largo S. Domingos, Portas de Sto Antão). Um local que merece uma visita aprofundada pelo seu valor histórico intrínseco, pelos azulejos (no interior e nos jardins exteriores), pela arquitectura, pela muralha ‘fernandina’, etc… incluindo o restaurante.
Tem vindo a ser recuperado nos últimos anos.
E como é que tudo isto se relaciona? Pela frase “não há outra mais leal”…  Durante o domínio filipino (1580-1640) Macau manteve-se fiel ao rei português (exilado no Brasil) e não aos espanhóis. Foi assim que recebeu do rei D. João IV este ‘título’ em 1654.
Na imagem abaixo – inscrição existente à entrada do edifício do Leal Senado – pode ler-se: “Em nome d’el rei nosso senhor dom joão IV o capitão geral d’esta praça joão de souza pereira pôs este letreiro em fé da muita lealdade que conheceu nos cidadãos d’ella em 1654”.
NA: curiosamente, o dia da cidade de Macau, 24 de Junho, já não é celebrado; por Portugal, o feriado de 1 de Dezembro, tambám já viveu melhor dias. A reflectir…
O Palácio da Independência antes da sua compra à família Almada, (detentora da representação do título conde de Almada e Abranches), era conhecido por Palácio Almada ou Palácio do Rossio ou Palácio de S. Domingos.
É um dos mais representativos exemplos arquitecturais seiscentistas em Portugal. Mesmo assim, apesar de ser visível a sua antiguidade para essa recuada época, ainda podemos andar ainda mais para trás alguns séculos. Pois há conhecimento de um pergaminho do século XIV com a sua compra. Precisamente a altura em que passou para a mão da referida família e passa a ser a sua «casa-mãe» ou «solar».
Implantado em terreno com declive ascendente para Este e encostado a Norte à Cerca Fernandina, encontra-se inserido em pleno centro histórico da cidade de Lisboa, a noroeste da Praça do Rossio, no Largo de São Domingos e à entrada das Portas de Santo Antão.
Conta a História que foi aqui que, na sua casa, D. Antão de Almada e os 40 Conjurados planearam a última reunião que deu origem à Restauração da Independência de Portugal, no dia 1 de Dezembro de 1640, com o derrube do jugo filipino e com a aclamação a rei de D. João IV.
Em 21 de Fevereiro de 1824 os condes de Almada não se encontram aí a viver, em 9 de Setembro de 1833, aparecem aos olhos da recente governação liberal como “rebeldes”. Por essa altura parte deste edifício surge ocupado, ao que tudo indica pelas palavras apresentadas que terá sido «à força» e sem o consentimento da família Almada, nomeadadamente pela Comissão Geral dos Estudos, em Novembro de 1833. Foi assim, que embora mais tarde tivesse sido recuperada a plena propriedade de direito hereditário, este palácio nunca mais foi usado como habitação própria principal.
O edifício já classificado pela Direcção de Obras Públicas como património nacional por decreto de 16/06/1910, foi entregue à Sociedade Histórica, em cerimónia pública, que se efectuou na Praça do Comércio, em 24 de Novembro de 1940 e a sua posse efectiva ocorreu no dia 1.º de Dezembro daquele que também foi o Ano dos Centenários.
Após ter sido vendido em 1940 – comprado pela comunidade portuguesa no Brasil que o doou ao Estado português, teve aí a sede da Mocidade Portuguesa e outras associações entretanto desaparecidas após a revolução de 25 de Abril de 1974. Neste ano o espaço foi tomado de assalto e vandalizado.
Actualmente está sob a tutela administrativa da Sociedade Histórica da Independência de Portugal (SHIP), aí instalada desde 1861 embora com outra designação. Em 24 de Maio de 1861 fundava-se a Comissão Central do 1º de Dezembro de 1640 como reacção ao sentimento iberista que grassava em largos sectores da sociedade portuguesa.
Descendentes dos conjurados de 1640 no Palácio dos Condes de Almada em 1940, aquando da doação deste palácio a Portugal pelo Brasil.
A SHIP desenvolve várias actividades e partilhando o espaço com diferentes entidades culturais e recreativas e tem sido presidida (desde 2005) pelo macaense Jorge Alberto Conceição Hagedorn Rangel.
Escrito a partir da informação do site da SHIP que este ano comemora 150 anos de existência.

O Palácio da Independência há algumas décadas…

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“A quadra festiva do Natal era assinalada, como de costume, com a tradicional Missa do Galo nas igrejas, exposição de presépio e a presença de árvores de Natal nas escolas e instituições de caridade. As igrejas paroquiais de Macau e as restantes enchiam-se de fiéis, na noite de 24, para a tradicional Missa do Galo, umas cantadas e outras rezadas. As missas eram acompanhadas de cânticos próprios da quadra. (…)
As congregações marianas concentravam-se na Igreja de São Domingos, onde assistiam à missa, que era acompanhada de cânticos. Nesta igreja, como nas restantes, havia uma grande afluência de fiéis à mesa da Comunhão e à cerimónia de ‘beijar o Menino Jesus’.
Em várias escolas, oficiais e particulares, faziam-se festas de Natal, com distribuição de prendas aos seus alunos. Na escola infantil D. José da Costa Nunes havia também uma festa. As crianças desta escola levavam a efeito um engraçado programa de variedades, com cantorias e danças, todas vestidas com trajes regionais, e outros entretenimentos infantis de boa disposição e alegria.

No dia 31 de Dezembro, o último dia do ano, era tradição cantar um Te Deum em quase todas as igrejas. O Te Deum dá graças ao Altíssimo por mais um ano que passou e implora ainda a bênção para o novo ano que vai começar e que, na vida da Humanidade, é incógnita difícil de prever ou de calcular.”

in “Igrejas de Macau e Cerimónias Religiosas”, da autoria de Leonel Barros, editado pela APIM, em Novembro de 2010

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