Famílias


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Depois de um primeiro post em Novembro último e de uma primeira resposta há poucas semanas por parte de Artur de Almeida, eis que Maria de Fátima responde encerrando por agora este capítulo. Aos dois, bem hajam. Ainda bem que o “Macau Antigo” proporcionou o reencontro.
Voltar de férias e receber esta manifestação de carinho, da parte de quem eu só conhecia através das trocas de correspondência da sua mãe Armanda de Almeida e da minha mãe Paulina de Oliveira, é para mim, primo Artur, um privilégio e uma honra a que eu retribuo calorosamente e permita-me que eu diga que sinto uma grande estima por si e me orgulho de saber que partilhamos do sangue dum grande herói e mártir, o nosso bisavô, José Abellard Borges. Do mesmo modo saúdo a minha prima Beatriz e estou feliz de saber que ela se encontra bem. Hei-de vos enviar uma foto que sempre guardei com muito carinho. Já lá vão 36 anos. Irão com certeza reconhecer essa foto. 

Eu tinha uma cópia da “Chinesinha” que me foi dada pelo primo José Maria Abellard Borges quando ele esteve em Timor. Infelizmente, no tumulto da fuga de 1975, esse livro foi uma das preciosidades que deixei para trás. Lamento com muito pesar o falecimento da prima Armanda cujas cartas eram sempre motivo de júbilo para a minha mãe que infelizmente também ja faleceu em 2002. Igualmente entristece-me não ter conhecido a Lolly, a Conchita e o Padre Albino em vida. Fico altamente grata ao primo Sonny que tambem tive a felicidade de conhecer recentemente, por me dar a conhecer os rostos desses membros da familia, através de fotos do seu album de família. 

Quanto a campa do nosso bisavô José Abellard Borges, os descendentes dos filhos dele de nome Raúl Avelar Borges e Eulália Maria Borges (minha avó materna) continuam a zelar para que os seus descendentes mantenham viva a sua memória. Por isso apreciamos toda a informação que poderá prestar sobre o nosso saudoso bisavô. Da minha parte farei o possível para lhe enviar alguns documentos que tenho.

Gostaria de mencionar ao primo que descobri recentemente que o seu bisavô materno o Tenente Lúcio Gaudioso Borges (irmão do Capitão José Abellard Borges) também esteve em Timor. Tenho um documento datado de 15/6/1906 em que ele assina como Presidente da Comissão Municipal de Liquiçá. A partir de 1906 não consegui obter mais dados sobre o Capitão Borges e por isso ignoro a data de falecimento deste. O irmão Tenente Borges faleceu em 1911, o que leva a crer que também tenha morrido na Guerra de Manufahi(?). 

O primo pode pedir o meu email ao nosso prestimoso Sr João Botas a quem expresso a minha gratidão por ter facilitado este meu encontro emocionante consigo. Agora que reatamos a nossa amizade iniciada pelas nossas mães, espero poder partilhar mais informações e conversar amigavelmente consigo e com a prima Beatriz através de email, se os primos estiverem de acordo. Também eu estou muito feliz e emocionada pela segunda vez, após o meu recente contacto com o primo Sonny. 
Ganhei três novos primos a quem envio um forte abraço de saudades. Obrigada primo Artur pelas suas palavras de afecto e amizade que me tocaram a alma.

Maria de Fátima.
NA: este comentário pode ainda ser lido no respectivo post.

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Em resposta a um pedido de uma leitora do Blog Macau Antigo que está na Austrália, junto publico alguma informação sobre o capitão José Abellard Borges que encontrei no livro “Famílias Macaenses” do historiador Jorge Eduardo de Abreu Pamplona Forjaz. São 3 grandes volumes editados em 1996.
José Abelard Borges nasceu a 28 de Julho de 1861 (filho de Manuel José Borges (1834-1889) e Filomena Francisca Batalha (1838-1915) e foi baptizado/registado na Igreja de S. Lourenço. Casou com Veríssima Eulália dos Remédios (1863 com quem teve 4 filhos. Terão casado, como era tradição na altura, pouco antes do nascimento do 1º filho, portanto, cerca de 1880, quando tinha 19 anos, o que é muito natural para a época.
O primeiro nasceu em 1883, Luísa Emília Borges, em 1889 Rafael Gastão Bordalo Borges, em 1892 Artur António Tristão Borges e, em 1898, Mário Augusto Tancredo Borges. 
Embora a informação não conste do já referido livro, José Abelard Borges, terá morrido em 1913, na Guerra do Manufahi (1911-1913), uma revolta contra o domínio português em Timor que contou com o apoio dos holandeses e que não foi bem sucedida devido sobretudo à actuação dos chamados “Leais Moradores de Manatuto”, um corpo de voluntários favoráveis à presença dos portugueses.
A razão pela qual Abellard Borges terá participado neste conflito tem a ver com o facto de se tratar de um militar e naquela altura Macau, Timor e Solor fazerem parte de uma única ‘província’. Esta chamava-se “Província de Macau, Timor e Solor”. Tinha sede em Macau e era independente, quanto ao seu governo, do “Geral Estado da Índia.” Para além das guarnições locais estas províncias tinham ainda militares que iam de Portugal.