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O antigo Governador de Macau, Carlos Melancia, disse hoje que pretende publicar até ao final do ano um livro de memórias sobre os cerca de três anos (1987-1990) que liderou a Região para “pôr algumas coisas preto no branco”.
“O general Garcia Leandro publicou um livro sobre as memórias do tempo em que cá esteve (1974-1979). Combinámos entre os ex-governadores de Macau fazer depoimentos dessa natureza e vou tentar fazê-lo até ao fim do ano”, disse Carlos Melancia aos jornalistas durante a sua primeira visita a Macau desde a transferência de administração para a China, em 1999.
À margem de uma receção na residência consular portuguesa, Carlos Melancia, que regressou a Macau com outro antigo governador Garcia Leandro, lembrou que Rocha Vieira (governador entre 1991-1999) também já publicou um livro, “com caráter mais autobiográfico”, realçando que pretende elaborar um “depoimento histórico”, por considerar “valer a pena ousar pôr algumas coisas preto no branco”.
“Por exemplo, tive quatro reuniões em Pequim no período do início da transição com o então primeiro-ministro chinês, Li Peng, mas nunca contei a ninguém o que lá aconteceu e vou ver se consigo sublinhar esses aspetos que mostram a importância que, na prática, Macau tinha em relação a essa estratégia”, disse.
“Todas as conversações com a China que visavam – e tinham abertura no quadro da Declaração Conjunta Sino-Portuguesa – assegurar para Macau a autonomia que estava prevista” será um dos principais temas que o ex-Governador pretende desenvolver no seu livro, considerando o “início do período de transição mais importante do que os últimos três anos”, sob a liderança de Rocha Vieira.
“Não estou a minimizar nada”, salientou ao sustentar que nos três anos antes da transferência de administração “já não havia espaço para se fazer nada por a China estar a chegar”.
O ex-Governador considera mesmo que “se não tivesse conseguido aquele objetivo, a Declaração Conjunta (assinada em abril de 1987) era um ‘bluff’”, realçando que “era fundamental fazê-lo no período inicial da entrada em vigor da Declaração para se ter espaço para se desenvolverem estratégias”: “Não era com certeza nos últimos quatro anos, em que já não havia tempo”, acrescentou.
Carlos Melancia, que abandonou o cargo de governador em 1990, entre alegações de corrupção passiva no processo de lançamento do projeto do aeroporto de Macau, no que ficou conhecido como o “caso do fax”, tendo sido ilibado de todas as acusações em 2002, disse que também pretende explicar no seu livro o processo de negociações para a construção daquela infraestrutura.
“A decisão de se construir o aeroporto de Macau não foi pacífica. Era muito mais fácil fazer-se um aeroporto na China do que um em Macau”, disse aquele responsável ao lembrar que foi difícil “conseguir o apoio da China” para tal.
Carlos Melancia e Garcia Leandro iniciaram hoje uma visita a Macau de cinco dias a convite do Governo local. PNE- Lusa
Reprodução de ‘take’ da Agência Lusa de 12 Abril 2011
Calros Melancia enquanto governador numa das visitas do então Presidente da República, Mário Soares, a Macau.

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Pinto Machado ocupou o cargo de governador de 15 de Junho de 1986 a 8 de Julho de 1987, tendo sido o primeiro governador não militar daquele antigo território português.
O antigo governador de Macau, médico, professor universitário e político, Joaquim Pinto Machado, morreu esta segunda-feira, no Hospital de São João, no Porto, onde encontrava internado há já algum tempo.
Pinto Machado teve uma preenchida trajectória académica e também exerceu o cargo de secretário de Estado do Ensino Superior, em 1984 e 1985, num governo do “Bloco Central” e chefiado por Mário Soares. Por escolha de Mário Soares, Pinto Machado manteve-se como governador de Macau de 15 de Junho de 1986 a 8 de Julho de 1987, tendo sido o primeiro governador não militar daquele antigo território português. (o 124º)
O Presidente da República, Cavaco Silva, enviou já uma mensagem de condolências à família de Pinto Machado frisando que este foi “um médico e professor universitário de renome, que desde o início da sua vida pública se destacou pela defesa dos valores da liberdade e da democracia e que deu um contributo decisivo para o prestígio de Portugal no mundo”.
Já a Faculdade de Medicina do Porto declarou três dias de luto pelo falecimento do antigo professor catedrático.
Pinto Machado em Março de 1987. Foto do JTM – Jornal de Macau

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O lançamento do livro “Macau nos Anos da Revolução Portuguesa 1974-1979”, da autoria do Antigo Aluno Garcia Leandro (94/1950), terá lugar no dia 10 de Março, pelas 18h30 no auditório do Centro Científico e Cultural de Macau, na Rua da Junqueira, nº 30, em Lisboa. O evento será presidido pelo General Ramalho Eanes e a obra apresentada pelo Doutor Almeida Santos.
Segundo João Paulo Meneses no jornal “Ponto Final” “neste livro Garcia Leandro terá oportunidade de revelar a sua versão relativamente a diversos factos que, do seu ponto de vista, não têm sido apresentados de forma correcta. Interessante, para os historiadores que se interessam pela história contemporânea, será confrontar, por exemplo, aquilo que o antigo governador escreveu com o que o historiador e investigador Moisés Silva Fernandes tem publicado sobre esse período.
O papel de Garcia Leandro à frente do Governo de Macau, hoje muito elogiado, foi nesses anos seguintes à Revolução um pouco polémico. É ele quem tem de lidar com a Revolução em Macau e com os objectivos de uma facção militar que pretendia outras soluções políticas. Almeida Santos, precisamente, já contou um episódio tenso que então se viveu em Macau e o tenente-general não deixará de o abordar neste livro.
“Não são as minhas memórias, são factos fundamentados em documentos que dão conta de muitas coisas que são ainda desconhecidas. Será uma história de Macau nesse período de grande agitação política em Portugal com muitos factos não conhecidos”, disse Garcia Leandro em 2009 à agência Lusa. “Deixar este livro escrito é uma das coisas mais importantes que tenho para fazer, é daquelas coisas que se tem que fazer antes de morrer”, disse na mesma entrevista.
Antes de ter sido nomeado governador do território, para fazer a transição com o último governador escolhido por Marcelo Caetano (Nobre de Carvalho), Garcia Leandro já tinha muita experiência no então Ultramar (Angola, Guiné ou Timor). Depois de regressar manteve-se sempre atento ao desenvolvimento de Macau e ocupou postos relevantes, em Portugal e no estrangeiro.
Nos últimos anos, Garcia Leandro tem estado ligado ao ensino superior, leccionando em diversas escolas. É curador e administrador da Fundação Jorge Álvares. Este é o seu primeiro livro, mas alguns textos seus, nomeadamente sobre Macau, podem ser encontrados em colectâneas.
Informação adicional aqui http://macauantigo.blogspot.com/2009/04/mfa-enviou-garcia-leandro-macau.html

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Maurício Teixeira em Agosto de 1940 na resposta (excerto) ao convite de Salazar para ser governador de Macau: “Enfim, é serviço, e serviço não se discute: cumpre-se”. O desagrado era evidente mas era nele que o Presidente do Conselho confiava para conduzir os destinos da então colónia. E quem é dizia que não a Salazar?…
Gabriel Maurício Teixeira foi governador de Macau entre 1940 e 1946, um dos períodos mais conturbados da sua história, o da Guerra do Pacífico. No link mais alguns dados…
Entre os chineses era conhecido como Tai Si Lok (a tradução fonética do apelido). Nomeado por Salazar após a morte de Artur Tamagnini de Sousa Barbosa a 10 de Julho de 1940 (nascido em Macau e governador por 3 vezes), foi reconduzido no cargo em 1944 mas o desfecho da guerra ditou um regresso antecipado a Portugal/Moçambique. Macau ficou então com um encarregado de governo – Samuel Vieira, o comandante do “Afonso de Albuquerque” – desde 5 Agosto de 1946 até 1 Setembro 1947 quando um novo governador, Albano Rodrigues de Oliveira, tomou posse.
Depois de saír de Macau – onde foi o 2º governador a estar mais tempo no cargo de forma contínua – Gabriel Teixeira foi governador-geral de Moçambique (1948-1958), onde estava quando Salazar o nomeou. Morreu em 1973.
No livro “Marinheiros Ilustres relacionados com Macau” Monsenhor Manuel Teixeira cita uma nota publicada nos Anais do Clube Militar Naval, em 1973, à data da morte de Gabriel Maurício Teixeira, assinada por alguém que Monsenhor refere como L.A. e do qual transcrevo alguns excertos:
“Em 24 de Julho de 1973 faleceu o Comandante Gabriel Maurício Teixeira, que foi um dos melhores valores de que dispôs a Armada na sua geração. (…) serviu o País com excepcional brilho, tanto na Armada como na Administração Pública. (…) Desde muito novo que se revelaram as suas notáveis qualidades de militar, de marinheiro e de homem de acção, que sempre esteve pronto a demonstrar em quaisquer dificuldades ou momentos de risco (…) Fora da sua arma, não foi menos apreciável a sua actuação em altas funções da Administração Pública e noutras de grande interesse para a Nação. Ficou vincada por múltiplas e valiosas intervenções a sua passagem pela Assembleia Nacional, como deputado em várias legislaturas e teve também especial relevo uma longa permanência que fez no Ultramar, em postos da maior responsabilidade, que soube ocupar com mais são critério, esforçada diligência e grande distinção. Bastará recordar os vários lugares de Governo que lhe estiveram confiados. Começou por ser, ainda no começo da sua carreira, encarregado de Governo do distrito de Cabo Delgado. Mais tarde, em circunstâncias particularmente difíceis, foi Governador da Província de Macau. E mereceu especial menção o longo prazo de três mandatos em que foi Governador-Geral de Moçambique, onde continuam a não ser esquecidos o seu bom senso, a sua integridade e a sua hábil condição dos negócios públicos dessa grande parcela da terra portuguesa. (…) Com o seu desaparecimento perdem o país e a Marinha um dos seus mais ilustres servidores, e os seus camaradas um companheiro e um amigo que profundamente estimavam.”
NA: a fotografia é anterior à sua passagem por Macau onde chegou com 43 anos.