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Em Abril, o Clube Militar de Macau será palco de mais uma exposição de postais antigos da colecção de João Loureiro, organizada pelo Instituto Internacional de Macau. A mostra contará com 170 postais fotográficos, datados dos finais do século XIX até aos anos 60 do século passado, que se referem ao Estado da India (Goa, Damão e Diu), Macau e Timor.
“O Oriente que na era quinhentista começou a ser percorrido por navegadores, militares, comerciantes e missionários lusitanos teve a sua matriz na mítica Ilha de Moçambique, por onde passaram, entre tantos outros vultos ilustres, Vasco da Gama, Afonso de Albuquerque, Camões e S. Francisco Xavier. Desde então e até ao último ano do Século XX, quando ocorreu a transferência da administração de Macau para a China, decorreram cerca de cinco centúrias em que, a uma escala global, a língua e a influência cultural portuguesas chegaram a terras distantes do Índico e do Pacífico.
É precisamente esta herança cultural lusitana no Oriente, bem como variados aspectos da paisagem geográfica, urbanística, arquitectónica, social e humana dos territórios por ela impactados – documentados de forma singular e muito expressiva nos bilhetes postais – que esta exposição pretende pôr em relevo, contribuindo, desse modo, para ampliar o seu conhecimento e incentivar a sua preservação.” Palavras de João Loureiro

João Loureiro é detentor de uma invulgar colecção de mais de 12 mil postais fotográficos, datados desde finais do século XIX até 1975, que foi reunida numa série de 14 livros e que constitui uma imprescindível fonte iconográfica da presença portuguesa em África e no Oriente. Registos fotográficos que ilustram a História, as Regiões, as Paisagens, as Actividades Económicas, os Povos e os Costumes das antigas colónias portuguesas na época em que as fronteiras de Portugal ainda abrangiam terras de África, da Ásia e da Oceania.

Largo do Senado/San Ma Lou: início década 1950
Veja aqui o livro de postais de João Loureiro sobre Macau: http://macauantigo.blogspot.com/2009/12/postais-antigos-de-macau.html
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As imagens pretendem ilustrar Macau à chegada e à partida de Danilo Barreiros…
Vista da Praia Grande final década 1920
Em sessão organizada pelo Instituto Internacional de Macau e integrada no Encontro das Comunidades Macaenses de 2010, foi prestada a devida homenagem ao escritor e estudioso das “coisas” de Macau que foi Danilo Barreiros, cujo centenário do nascimento ocorreu em Outubro passado. No palco do Teatro D. Pedro V, local de grande simbolismo para a comunidade, fez-se a evocação do homem e da sua obra e foi apresentado, pelo seu filho Pedro, major-general médico da Força Aérea Portuguesa, natural de Macau e também escritor, artista, e dinamizador cultural, o livro “Danilo no Teatro da Vida” (edição do autor, Outubro de 2010).
Pedro Barreiros, autor do livro, também protagonizou dois encontros com professores e estudantes, no Departamento de Português da Universidade de Macau e na Escola Portuguesa de Macau, e foi entrevistado pela Rádio Macau e por jornais locais. Conseguiu-se, assim, uma divulgação oportuna de uma personalidade invulgar já bastante esquecida entre nós e ficou aberto o caminho para a reedição de algumas das suas obras. No prefácio, o Professor Paulo Franchetti, que conheceu Danilo Barreiros em 1989 e com ele falou longamente, várias vezes, revela-nos as impressões positivas que colheu deste livro: “Da leitura deste romance biográfico, saí com a impressão de que a vida aventurosa e rica de Danilo encontrou aqui o seu narrador ideal. E posso imaginar o quanto ele ficaria feliz ao se ver assim retratado, com tal fidelidade e afeição, pelo filho que lhe herdou os papéis e os livros e, por meio de ampla pesquisa e sistematização de informações, conseguiu compor à volta da vida do pai um vívido quadro da vida portuguesa no começo do século, aquém e além-mar. Especial relevo ganha, naturalmente, a segunda parte do livro, a partir do capítulo XIV, quando começa a aventurosa vida oriental de Danilo Barreiros, pois aí se juntam de modo mais harmónico a experiência do biografado e a vivência do biógrafo que, junto com Graça, sua mulher, é dos maiores conhecedores e dos mais dedicados preservadores da cultura macaense em Portugal”.
E vai ainda mais longe quando, convictamente, assevera que “a melhor homenagem que Pedro Barreiros poderia ter feito ao seu pai era este seu retrato de corpo inteiro, movendo-se contra o pano de fundo de uma época tão próxima e diferente da nossa, ainda capaz de se constituir em palco aberto à aventura e ao exercício triunfante da audácia criativa”. É que, como disse, “não é trivial juntar com equilíbrio e proveito o gesto afetivo, o olhar para dentro do ambiente familiar, a objetividade histórica e o interesse amplo na cultura geral”. “Por isso, se lhe é grata a memória do pai por este ato de preservação, também lhe serão gratos os leitores que, por meio deste volume, poderão ter o prazer de travar contato ou conviver de novo, por algumas horas, com essa personagem fascinante que foi – e agora, graças a este livro, continua sendo – Danilo Barreiros”.
Danilo Barreiros nasceu em Lisboa na tarde de 11 de Outrubro de 1910, um dia após a implantação da República. O regicídio tivera lugar dois anos antes e a mudança de regime dera início a um novo tempo para Portugal, com acrescidas esperanças, muitas promessas que ficaram por cumprir e uma ainda mais acentuada instabilidade política.
“Seus pais andavam na Vida do Teatro e o menino Néné cresceu sem eles em Lisboa que respirou os primeiros anos de República. Tinha nome de herói romântico e as suas aventuras no Teatro da Vida fazem dele o protagonista deste Romance biográfico, que celebra os 100 anos do seu nascimento. Leopoldo Danilo Barreiros, filho da Mouraria e Alcântara; menino de colégio interno, que odiava, e da vida alfacinha dos anos 20, que amava de paixão. Danilo: o aventureiro, que dançava o Tango em Paris, seduzia no Rio de Janeiro, percorria a Bélgica vestido de estudante e decide ir para o Grande Oriente por sugestão de ‘uma rajada de vento’; homem de grande coragem e inteligência, que cultivava a amizade e não fugia a qualquer desafio. Sempre com ‘ânsia da fuga’, navegando pelo ‘Mar Portuguez’, em aventuras pelos portos que levam a Macau, onde finalmente encontrou a estabilidade, o amor e novas paixões intelectuais e culturais”.
Foi no dia 18 de Dezembro de 1930 que Danilo Barreiros embarcou num navio nipónico rumo ao Oriente. Com ele iam outros três portugueses, chineses repatriados da América do Sul e alguns sul-africanos, “boers” e ingleses, com destino à cidade do Cabo. Só a 16 de Fevereiro de 1931, o navio deu entrada no porto de Singapura. Seguiu-se Saigão e, finalmente, Macau, onde o barco atracou na manhã de 3 de Março. Foram três meses de viagem desde o Brasil! “Tinha lido muito sobre o Oriente e sentido o fascínio pelas gentes e epopeia dos portugueses, que as mostravam ao Mundo e de lá trouxeram tantas coisas e tantas ideias e sabedoria, totalmente novas na Europa e que vieram alterar todo o rumo do desenvolvimento do velho continente”.
Em Macau desempenhou cargos variados e casou com “a linda Henriqueta, na altura com vinte e seis anos, culta, professora primária, adorada por toda a gente”. Era filha de José Vicente Jorge, personalidade influente e culta, além de grande coleccionador de arte chinesa. O casamento foi celebrado na Igreja de S. Lourenço, a cuja freguesia pertencia a noiva, no dia 23 de Abril de 1935. “Curiosamente, o Danilo, de 24 anos completados em Outubro do ano anterior, tinha nascido também na freguesia de S. Lourenço, mas de Lisboa”. “O adro e a escadaria da Igreja estavam apinhados de convidados vestidos a rigor, pois o clima do mês de Abril ainda o permitia, e uma multidão de curiosos, grande parte da população do território, que se empurrava para arranjar um bom lugar, onde pudesse ver o cortejo da noiva, de bom ângulo”. “A casa da Rua da Penha engalanou-se como o não tinha feito desde as bodas de prata de José Jorge e Matilde Pacheco”.
Em 1940, Danilo Barreiros, a convite de Henrique Galvão, comissário-geral da grande Exposição do Mundo Português, coordenou a representação de Macau naquele imponente certame, partindo para Lisboa em Março desse ano, com a esposa e oito colaboradores. As peripécias da participação de Macau são relatadas de forma muito apelativa no livro, que não deixa de realçar alguns aspectos mais insólitos. O lançamento da revista “Renascimento” e o envolvimento activo de Danilo Barreiros na sua produção são também explicados, assim como a ocupação japonesa de Hong Kong e a sua forte influência em Macau. Nem que seja só por isso, vale a pena ler este romance biográfico, de prosa fluente e atraente, integrando o leitor facilmente na sociedade macaense das décadas de 30 e 40 do século XX.

“Terminada a guerra, começou, em Macau, a debandada. Estavam todos fartos das violências, crueldade, limitações, racionamentos e fome que tinham experimentado durante aquele tempo hostil”. Pouco depois também partia a família Barreiros: “Em Julho de 1946, para gozo de licença graciosa de quase seis meses, o Danilo, a Henriqueta, e seus filhos Manuel e Pedro, partiram de Macau, no navio ‘Lourenço Marques’. Chegaram a Lisboa com mais um rebento, o José Manuel, que, entretanto, nascera a 16 de Agosto à vista de Port-Said”.

Após longa convalescença de um problema de saúde, Danilo Barreiros estudou Direito em Lisboa. “O êxito do primeiro ano fez com que decidisse terminar o curso. Para poder estudar, demitiu-se das suas funções em Macau, e arranjou emprego na Companhia dos Diamantes de Angola”. Foi depois, durante alguns anos, notário em São Tomé. No resto da vida foi advogado em Lisboa.
“Coleccionou, em mais de trinta grandes livros de recortes (…) tudo o que tinha a ver com Macau e com a China. Acabava de jantar e enfiava-se no seu escritório, com resmas de papel ‘Almaço’, tesoura e cola e, durante horas, engrossava, volume após volume, as suas ‘coisas chinesas’. A biblioteca crescia, recheada de livros, revistas, opúsculos, manuscritos, que ia comprando por tudo o que era alfarrabista em Lisboa”.
No epílogo, Pedro Barreiros diz-nos que “esta foi a história de Danilo que me foi contada por ele, nas longas conversas que tivemos ao longo da vida em comum, desde aquele dia 9 de Julho de 1946 em que deixámos Macau (…)”. “Nestes 48 anos, que correram velozes, nunca o Danilo, nem a Henriqueta voltaram a Macau. Perguntei-me muitas vezes porquê. Nunca lhes perguntei a eles. Sempre a nossa casa em Portugal, quer enquanto vivíamos com o avô, na Praceta Almirante Reis, quer depois da morte deste, foi um bocado de Macau, recheado de objectos, louças, mobílias, livros, álbuns de fotografias que, nunca, pessoalmente me deixaram ser, qualquer outra coisa, que não macaense”.
Além dos trabalhos publicados na revista “Renascimento”, Danilo Barreiros distinguiu-se pelos estudos sobre Wenceslau de Moraes e Camilo Pessanha e sobre outros temas extremo-orientais relacionados com Macau e a China. Colaborou abundantemente em jornais e revistas, como “A Voz de Macau”, “Diário de Notícias”, “O Dia”, “Diário da Manhã”, “Boletim Eclesiástico de Macau”, “A Voz de Olhão”, “A Capital”, “A Tarde”, “Século Ilustrado”, “Notícias de Lourenço Marques”, “A Noite” e “A Noite Ilustrada” (Rio de Janeiro), “Panorama”, “Persona” e “Mais Alto”, além da revista “Renascimento”, que durou quase três anos, de 1943 a 1945, e onde Danilo Barreiros publicou o seu estudo sobre o dialecto português de Macau.
Em Lisboa, foi um dos fundadores da Casa de Macau e “viveu sempre com a cabeça em Macau, mas nunca mais lá foi …”
Artigo da autoria de Jorge Rangel, Presidente do Instituto Internacional de Macau, publicado no JTM a 17-01-2011
Vista de Macau na década de 1940

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O quotidiano das ruas de Macau, os costumes chineses e portugueses e factos da mistura entre Ocidente e Oriente estão a estampar, desde ontem, as paredes da Faculdade Frassinetti no Recife, Brasil. A exposição “Macau é um Espectáculo” é itinerante e já passou por diversos países como Canadá, Estados Unidos, Portugal e Espanha. Agora faz parte da programação de preparação para o 5.º Congresso Festlatino (Festival Internacional de Línguas e Literaturas Neolatinas). Quando terminar a temporada no Recife, daqui a dois meses, as fotos seguem para a Biblioteca Nacional de Brasília.

Notícia do Hoje Macau de 16-02-2011

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