Leal Senado


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A Coca-cola e a Pespi tinham acabado de ‘chegar’ a Macau. Os painéis publicitários são bem visíveis tendo ao fundo o hotel Central. À esquerda, junto a tabacaria Filipina e ao cinema Apollo um anúncio à marca de cigarros Chesterfield. Logo a seguir, a mercearia Soi Cheong. No meio da praça a estátua do herói macaense, o coronel Nicolau Mesquita. Dia soalheiro, quase sem carros, sem semáforos ou passadeiras. Um triciclo passa frente ao edifício dos Correios e Telégrafos. Os outros estão estacionados logo a seguir. Um retrato de Macau na década de 1950…

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Dois anjos seguram o escudo de Portugal. Por cima da cabeça do anjo do lado direito, o globo terrestre (esfera armilar) simboliza a epopeia dos Descobrimentos.  Do lado  esquerdo  está a Cruz de Cristo.  Por cima do escudo de Portugal, temos uma coroa que simboliza o antigo patrocínio da monarquia ao Senado de Macau.
Para os macaenses esta sempre foi a ‘verdadeira’ bandeira de Macau.
Uma das três bandeiras que existiam no interior do Leal Senado pode ser vista no Palácio da Independência, em Lisboa (Largo S. Domingos, Portas de Sto Antão). Um local que merece uma visita aprofundada pelo seu valor histórico intrínseco, pelos azulejos (no interior e nos jardins exteriores), pela arquitectura, pela muralha ‘fernandina’, etc… incluindo o restaurante.
Tem vindo a ser recuperado nos últimos anos.
E como é que tudo isto se relaciona? Pela frase “não há outra mais leal”…  Durante o domínio filipino (1580-1640) Macau manteve-se fiel ao rei português (exilado no Brasil) e não aos espanhóis. Foi assim que recebeu do rei D. João IV este ‘título’ em 1654.
Na imagem abaixo – inscrição existente à entrada do edifício do Leal Senado – pode ler-se: “Em nome d’el rei nosso senhor dom joão IV o capitão geral d’esta praça joão de souza pereira pôs este letreiro em fé da muita lealdade que conheceu nos cidadãos d’ella em 1654”.
NA: curiosamente, o dia da cidade de Macau, 24 de Junho, já não é celebrado; por Portugal, o feriado de 1 de Dezembro, tambám já viveu melhor dias. A reflectir…
O Palácio da Independência antes da sua compra à família Almada, (detentora da representação do título conde de Almada e Abranches), era conhecido por Palácio Almada ou Palácio do Rossio ou Palácio de S. Domingos.
É um dos mais representativos exemplos arquitecturais seiscentistas em Portugal. Mesmo assim, apesar de ser visível a sua antiguidade para essa recuada época, ainda podemos andar ainda mais para trás alguns séculos. Pois há conhecimento de um pergaminho do século XIV com a sua compra. Precisamente a altura em que passou para a mão da referida família e passa a ser a sua «casa-mãe» ou «solar».
Implantado em terreno com declive ascendente para Este e encostado a Norte à Cerca Fernandina, encontra-se inserido em pleno centro histórico da cidade de Lisboa, a noroeste da Praça do Rossio, no Largo de São Domingos e à entrada das Portas de Santo Antão.
Conta a História que foi aqui que, na sua casa, D. Antão de Almada e os 40 Conjurados planearam a última reunião que deu origem à Restauração da Independência de Portugal, no dia 1 de Dezembro de 1640, com o derrube do jugo filipino e com a aclamação a rei de D. João IV.
Em 21 de Fevereiro de 1824 os condes de Almada não se encontram aí a viver, em 9 de Setembro de 1833, aparecem aos olhos da recente governação liberal como “rebeldes”. Por essa altura parte deste edifício surge ocupado, ao que tudo indica pelas palavras apresentadas que terá sido «à força» e sem o consentimento da família Almada, nomeadadamente pela Comissão Geral dos Estudos, em Novembro de 1833. Foi assim, que embora mais tarde tivesse sido recuperada a plena propriedade de direito hereditário, este palácio nunca mais foi usado como habitação própria principal.
O edifício já classificado pela Direcção de Obras Públicas como património nacional por decreto de 16/06/1910, foi entregue à Sociedade Histórica, em cerimónia pública, que se efectuou na Praça do Comércio, em 24 de Novembro de 1940 e a sua posse efectiva ocorreu no dia 1.º de Dezembro daquele que também foi o Ano dos Centenários.
Após ter sido vendido em 1940 – comprado pela comunidade portuguesa no Brasil que o doou ao Estado português, teve aí a sede da Mocidade Portuguesa e outras associações entretanto desaparecidas após a revolução de 25 de Abril de 1974. Neste ano o espaço foi tomado de assalto e vandalizado.
Actualmente está sob a tutela administrativa da Sociedade Histórica da Independência de Portugal (SHIP), aí instalada desde 1861 embora com outra designação. Em 24 de Maio de 1861 fundava-se a Comissão Central do 1º de Dezembro de 1640 como reacção ao sentimento iberista que grassava em largos sectores da sociedade portuguesa.
Descendentes dos conjurados de 1640 no Palácio dos Condes de Almada em 1940, aquando da doação deste palácio a Portugal pelo Brasil.
A SHIP desenvolve várias actividades e partilhando o espaço com diferentes entidades culturais e recreativas e tem sido presidida (desde 2005) pelo macaense Jorge Alberto Conceição Hagedorn Rangel.
Escrito a partir da informação do site da SHIP que este ano comemora 150 anos de existência.

O Palácio da Independência há algumas décadas…

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