>

Artigo da autoria de João Paulo Meneses publicado no jornal Ponto Final de 16-04-2011
A 15 de Abril mas de 2012 assinalam-se 100 anos do nascimento daquele que foi o maior investigador da presença portuguesa em Macau e o seu mais prolixo autor, Monsenhor Manuel Teixeira (falecido a 15 de Setembro de 2003, em Chaves) e pelo menos a Fundação Oriente promete evocar a sua obra e memória, no Museu do Oriente.
O Ponto Final tentou obter informações no mesmo sentido em outras entidades com responsabilidades nesta área, mas não obteve resposta. Entre elas destaca-se o Centro Científico e Cultural de Macau (CCM), a quem Manuel Teixeira doou todo ou quase todo o seu espólio documental (uma biblioteca com cerca de três mil títulos, perto de dois mil manuscritos, além de uma colecção de fotografias que é considerada das mais ricas sobre o Macau português). Este centro, ainda durante a gestão do anterior presidente, realizou, cerca de um ano depois da morte do Padre Teixeira, uma exposição, mas depois disso nunca mais essa herança foi valorizada publicamente (até porque essa exposição mostrava uma ínfima parte do que doou ao Centro). Apesar da pergunta ter sido enviada atempadamente, a resposta não chegou – o que não significa que o CCCM não venha a evocar essa memória no próximo ano.
Outra entidade com responsabilidades é a Câmara Municipal de Freixo de Espada à Cinta, onde nasceu Manuel Teixeira (tal como o navegador Jorge Álvares, existindo mesmo uma Praça Jorge Álvares). A autarquia também não quis informar se está a pensar evocar um dos seus mais ilustres concidadãos, e onde ainda residirão, de acordo com os últimos relatos, alguns dos seus familiares.
Logo após a sua morte, e em resultado da iniciativa da sua amiga e contemporânea Ana Maria Amaro, foi anunciado que algumas fundações poderiam patrocinar a reedição de alguns dos livros de Manuel Teixeira. Essa intenção chegou a ser anunciada publicamente, havendo planos concretos para a reedição, por exemplo, de “Macau no Século XIX”, uma das obras fundamentais do autor, e que está esgotada.
Nem essa nem qualquer outra reedição se concretizaram, sendo hoje praticamente impossível encontrar à venda, em livrarias de Portugal, qualquer um dos cerca de 130 livros que escreveu (com excepção de alguns alfarrabistas).
Oito anos depois da sua morte, em Chaves, onde viveu desde 2001, quando saiu de Macau, apenas se lembram dele os seus amigos e aqueles que regular ou irregularmente o consultam nas bibliotecas (a propósito, Ana Maria Amaro revelou ao Ponto Final que, dependendo das verbas que tiver para realizar o seu VII Fórum de Sinologia, pretende fazer essa evocação).
É que, tirando o nome de uma rua em Algés, Oeiras, perto de Lisboa, e essa exposição em 2004 no Centro Científico e Cultural de Macau, nunca mais se ouviu falar de Monsenhor Manuel Teixeira em Portugal. (fim do artigo)
agradecimento pela imagem ao meu amigo António Cambeta 
Monsenhor assistindo a uma palestra em 1969,
no Dia da Marinha, em Macau 
Respondendo a um pedido de uma leitora, reproduzo um excerto de uma notícia sobre a sua morte a 15 de Setembro de 2003, com 91 anos. “O conhecido padre e historiador de Macau, monsenhor Manuel Teixeira, morreu hoje aos 91 anos, em Chaves, na Casa de Santa Marta, o lar onde residia desde que regressou a Portugal, há dois anos. O corpo de Manuel Teixeira encontra-se na Casa de Santa Marta até terça-feira, de onde seguirá para a igreja matriz de Chaves. Aí será realizada a missa de corpo presente. O funeral sai para o cemitério da cidade, cerca das 15:00. Nascido em Freixo de Espada à Cinta, Manuel Teixeira regressou a Portugal a 16 de Maio de 2001, depois de ter passado 76 anos no Oriente, nomeadamente em Singapura e Macau.
NA1: são tantos os post’s sobre o Monsenhor aqui pelo Macau Antigo que não arrisco escolher um, convido-os antes a pesquisarem.
NA2: o site do CCCM tem disponíveis algumas das obras do Monsenhor.
NA3: para quando uma homenagem condigna em Macau?
NA3: termino com uma frase do Monsenhor que tive a honra de conhecer.“O homem é pó, a fama é fumo e o fim é cinza (…) só os meus livros permanecerão (…) e essa é a minha consolação!” 
Anúncios