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A vida e obra de Sun Yat Sen, fundador da República na China, foram evocados em Lisboa, num colóquio organizado pelo Instituto Internacional de Macau (IIM), realizado a 22 de Junho 2011, no Palácio da Independência, sede da Sociedade Histórica da Independência de portugal, onde funciona a delegação do IIM.
Foram oradores os Professores António Vasconcelos Saldanha, catedrático do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa, e Ming K. Chan, da Universidade de Stanford.
O tema do colóquio foi “Sun Yat Sen – a fundação da República na China e Macau” e as comunicações subordinaram-se aos títulos “Macau visto pelas duas Repúblicas” e ” The Luso-Macau connections in Sun Yat Sen´s modern Chinese revolution”, dando lugar a um animado debate, no final do qual foram sugeridas novas pistas para trabalhos de investigação sobre este tema, especialmente no que respeita ao papel de Macau na formação e afirmação política daquela grande figura da China moderna.
Texto e imagens do IIM

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A Universidade de São José (USJ) vai publicar correspondência entre Sun Yat-sen e o antigo governador de Macau Carlos da Maia, anunciou vice-reitor da Universidade de São José (USJ). “Temos um conjunto, tanto de cartas como de documentação relativa à intervenção decisiva de Sun Yat-sen no conflito de 1922, onde houve uma greve geral e envolveu conflitos em Macau até mais violentos do que o próprio ‘1,2,3’”, disse Ivo Carneiro de Sousa ao Hoje Macau, avançando ainda que a ideia daquele instituto é “avançar com a publicação dos documentos no próximo ano, entre Maio e o final de 2012”. Carneiro de Sousa frisou que as publicações focam o cruzamento entre “a República Portuguesa de 1910 e a República chinesa”. De acordo com o académico, o material que vai ser publicado dá “outra visão do homem político” que foi Sun Yat-sen, considerado o “pai da república chinesa”.
O advento faz parte de uma série de iniciativas da USJ para assinalar os 100 anos da Revolução Republicana chinesa que arrancou quinta-feira com a conferência “1911-2011: Da revolução às reformas – Caracterizando os paradigmas de transição ‘made in China’”.
Durante dois dias o evento reuniu 17 académicos de Macau, do Continente, Nova Zelândia, França e Estados Unidos para debater “os seis paradigmas de transição da China republicana”. Segundo Ivo Carneiro de Sousa, a iniciativa inseriu-se na estratégia de investigação científica da USJ de tentar compreender os novos territórios do processo de globalização “tomando a China como um exemplo-chave de uma potência emergente”.

Excerto de notícia assinada por Filipa Queiroz publicada no HojeMacau de 20-6-2011

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A tradicional romagem à Gruta de Camões é uma interessante característica da vida cultural, educacional e social de Macau, instituída pelo governador Rodrigo José Rodrigues em 1923.
O Padre Manuel Teixeira refere que a “iniciativa partiu dum patriota exaltado e fervoroso cultor de Camões, o Governador Rodrigo José Rodrigues, que logo no primeiro ano da sua chegada a Macau convidou as escolas e as forças armadas para irem à gruta homenagear o épico. E, caso único na história destas romarias, foi ele que enalteceu o vulto imortal do poeta e a sua emoção foi tão profunda que desatou a chorar, tendo de interromper o discurso”.
Rodrigo Rodrigues (1879-1963), foi uma invulgar figura de político, (médico militar do quadro colonial, com comissões em Cabo Verde (1903) e Índia (1904-1910), reitor do Liceu de Goa, ministro do interior, governador civil, deputado, autor de vasta bibliografia, bastante ostracizado pelo Estado Novo) que merece ser resgatada do esquecimento.
Desde então a romagem à Gruta de Camões ficou institucionalizada ao mesmo tempo que se legitimou a presença histórica de Luís de Camões em Macau. Camões esteve em Macau, sem dúvida, e o recente livro de Eduardo Ribeiro vem reforçar essa tese, aduzindo uma argumentação tão inteligente quanto historicamente segura. Gostaria de evocar a romagem à Gruta de Camões realizada no ano de 1937.
O governador Artur Tamagnini Barbosa cometeu a António Maria da Silva, Chefe da Repartição Técnica do Expediente Sínico, a tarefa de proferir uma conferência sobre a vida e a obra de Luís de Camões, no dia 10 de Junho de 1937, no cenário bucólico da Gruta, perante a mocidade escolar, o professorado, os convidados e as autoridades da Província.
António Maria da Silva evoca a constelação de valores do seu tempo: “Graças a Deus, Portugal vai regressando ao seu antigo apogeu, desde que passou novamente a tomar como lema da sua nacionalidade a Fé e o Patriotismo, a Religião e a Pátria. Devemos incontestavelmente este nosso regresso à Fé e ao Amor de Deus ao facto de sermos guiados por esse homem extraordinário que se chama António de Oliveira Salazar, português de raça e católico de alma e coração. Camões nunca separou a sua Pátria do seu Deus; Camões nunca imaginou que Portugal pudesse ser grande, sem o auxílio do Alto”. António Maria da Silva será, bastantes anos volvidos, deputado na V legislatura da Assembleia Nacional, em Lisboa. Essa interessante conferência é publicada nas línguas portuguesa e chinesa, em 1937, com o insólito título de “Sumário dos Luziadas”. A versão chinesa foi revista por Chu-Pui-Chi, letrado da Repartição Técnica do Expediente Sínico.
Excerto de artigo da autoria de António Aresta publicado no JTM de 9-6-2011

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É a “feérie lúdica que Macau representa” que Ana Maria Amaro procura registar na sua obra “Jogos, Brinquedos e outras Diversões de Macau”. A sinóloga está a ultimar a segunda parte do livro, que conta publicar ainda no primeiro semestre do ano, em edição de autor, mas com o apoio da Fundação Macau e, talvez, da Fundação Jorge Álvares. Com prefácio do jornalista João Botas, o volume terá cerca de 700 páginas e surge complementado por fotografias e ilustrações da época.
Nele são descritos pormenorizadamente jogos de azar (incluindo o ‘fan tan’ e jogos de dados), jogos de cartas e dominós, adivinhas populares de Macau (de tradição oral e impressas), puzzles e jogos relacionados com práticas divinatórias.
Nascida em 1929, a autora é professora catedrática jubilada do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa e também presidente do Instituto Português de Sinologia (criado em 2007). Tem vindo a estudar a China e Macau há mais de 50 anos, desde que veio viver para o território, onde permaneceu entre 1957 e 1973. O primeiro tomo de “Jogos, Brinquedos e outras Diversões de Macau” foi publicado em 1976, mas já estava esgotado nos anos 80. É dedicado aos jogos populares de Macau entre as crianças, enquanto os dois volumes da segunda parte da obra centram-se nos jogos que preenchem – ou preenchiam, dado que alguns deles caíram em desuso – os tempos lúdicos da população adulta.
Jogo de Fant Tan em desenho de Felipe Emilio de Paiva em 1902
O hiato de tempo entre as duas partes desta obra quase enciclopédica deve-se ao facto de manuscritos terem estado em Macau “durante muitos anos” para publicação, pelo Instituto Cultural e por uma editora local. A ideia foi sendo protelada e parte das ilustrações perderam-se, pelo que a autora decidiu tomar em mãos o projecto. Se já é certo que o primeiro volume da segunda parte vai ser publicado, ainda não está totalmente garantido o financiamento do segundo volume, onde são descritos mais de 40 jogos de tabuleiro e “outras diversões”, culminando a obra com uma investigação sobre a ópera de Cantão. É bastante provável, no entanto, que este trabalho venha a ser patrocinado pelo Albergue da SCM, dado que inclui referências às lanternas do coelhinho. Para reunir apoios para a publicação, que tem muitas ilustrações e é onerosa, será organizado um lançamento público da primeira parte, em Lisboa. A autora refere que alguns dos 500 exemplares serão vendidos na RAEM, mas está posta de parte uma visita sua, para fazer a apresentação localmente. Por opção pessoal, Ana Maria Amaro não quer voltar a Macau, apesar de acompanhar regularmente as notícias do território. “Macau já não é a minha Macau” – aponta – e um regresso iria ser “uma desilusão”.
Em declarações ao JTM, a autora recorda que, quando veio para Macau, se sentiu pouco estimulada pela vida social da comunidade portuguesa então residente no território. Motivada por uma “curiosidade imensa” em perceber a cultura chinesa que via pelas ruas, aprendeu a falar cantonense e procurou uma Associação de Artes Marciais chinesas, um mundo onde o mestre Pun Su Sam foi o seu guia. Paralelamente, surgiu o interesse pelos jogos, que motivou uma recolha exaustiva de materiais – tais como baralhos ou tabuleiros – e testemunhos orais. “Não fiz mais nada nos tempos livres (…) Pedia às pessoas para descrever como é que se jogava. Os chineses achavam muita graça ao facto de querer jogar com eles e aprender com eles”, descreve a académica, frisando a dificuldade de alguns dos jogos com que se deparou: “Os carteados não são nada fáceis, são sequências e sequências. No caso dos jogos de tabuleiro, é ainda pior.”
Ao longo dos 16 anos em que viveu na região, Ana Maria Amaro foi “apanhando no terreno coisas que se estão a perder”, não só em Macau, mas em vários locais da China. Tais como, por exemplo, um jogo que viu ilha de Lama [em Hong Kong], em que os jogadores rasgavam as cartas depois de as usarem. 
Perguntas e Respostas: década 1970
Na nota prévia à edição que está em fase de publicação, a investigadora considera que a “simplicidade do primeiro volume” foi tida como o modelo para os seguintes. “A simplicidade será, pois, o traço de união entre os dois trabalhos. E isso porque foi o povo simples de Macau que nos ensinou como, ali, se jogava; como ali, se ocupavam os tempos livres”, escreve. Para Ana Maria Amaro, em Macau os jogos – por regra disputados a dinheiro e não unicamente origem chinesa -, são “algo que domina as pessoas como passatempo”, e até como compensação para as agruras do quotidiano: “Alguns daqueles que jogavam em Macau esqueciam, através do jogo, o próprio desemprego, o desenraizamento, ou , por vezes, até, a fome: fome de arroz, de afecto, ou de estupefacientes. É que o jogo, de certo modo, e em certas condições, desempenha também um notável papel psico-profiláctico, além de indiscutível indicador social”, analisa a autora.
Jogando Seng Kwan Tou nos anos 60 na Areia Preta
O fervor pelo jogo é particularmente vivo durante as comemorações de ano novo, quando os “os chineses jogam para atrair a sorte, procuram abrir o ano novo com sorte”, como descreve a autora na já referida nota prévia: “No Ano Novo Lunar, é o jogo que reina em Macau. É o jogo que prenuncia a boa sorte e a abastança no ano que vai entrar. É o jogo o áugure mais procurado quando o ano abre, com o abrir das flores de pessegueiro e das flores de ameixieira. Joga-se no casino, em casa, na rua, na loja de tomar chá; tão bem sobre um caixote, como sobre um pano de feltro ou de flanela verde. Jogam xadrez os anciãos, à sombra amena das árvores dos jardins e esquecem o seu Outono. Jogam as crianças, também, xadrez, ingenuamente, sobre um papel que colocam no chão, preparando o êxito do seu Outono futuro. Jogo, jogo, jogo!”.
Artigo publicado no JTM de 7-4-2011

em cima: tabuleiro de Pat Sin
em baixo: sequência de imagens publicadas num artigo sobre o jogo em Macau na década de 1930 pela revista francesa L’Illustration: “Un Monte Carlo Populaire en Extrême-Orient”
  

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Alberto Magalhães Alecrim nasceu em 1932 e “atracou” em Macau em 1965, após um rol de aventuras. Esteve para ser fuzilado, foi expatriado para o Paquistão. Passou uns anos pela Índia, em Goa. Voltou a Portugal no paquete “Vera Cruz”, um dos mais emblemáticos navios da Companhia Colonial de Navegação, que faz parte da história da emigração para o Brasil e, na década de 60, do transporte de tropas de e para as ex-colónias.
Era para ir para Angola, mas o destino quis que Alberto Alecrim, adepto do Sporting, viesse para Macau, onde chegou a dirigir a Rádio. Escreveu durante anos para o semanário católico “O Clarim” e livros. Uns quantos também foram escritos sobre si. Sabe contar até três em cantonense, mas “tem de ser devagar” e, em 1999, chegou a mandar a sua “biblioteca” para a terra que o viu nascer.
Hoje celebra 79 anos de vida. Mais de metade… 46… foram passados em Macau. Parabéns!
NA: escrito a partir de diversos artigos publicados no JTM

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Já desapareceram do mundo dos vivos mas a sua dedicação a Macau, em diferentes áreas, deixou marcas e os seus pares querem homenageá-los.
Francisco Figueira, Chico, partiu em 2009 depois de viver em Macau mais de duas décadas e de ser uma referência na defesa do património local. Por este dias decorre um abaixo-assinado promovido por Carlos Marreiros para que haja uma rua com o seu nome. “Defensor do património e macaense adoptivo”, olhando para as mãos cheias de anos gastos em Macau, faz todo o sentido que as letras que lhe compõem o nome se fixem numa “rua digna”, diz Carlos Marreiros ao JTM de 9-2-2011 que publicou também esta imagem de ‘Chico’ e Marreiros.

Henrique Senna Fernandes, partiu em Outubro de 2010 e, à semelhança de outras figuras da terra, poderá vir a ter uma estátua em sua homenagem do Jardim das Artes.
A ideia de Carlos Marreiros foi explicada ao Jornal Tribuna de Macau. 
(…) Mereceria uma estátua de bronze. Já o estou a ver sentado num banco do Jardim de Artes…”, idealiza Carlos Marreiros. Henrique de Senna Fernandes, autor de “Amor e Dedinhos de Pé”, deve assim juntar-se a Luís Gonzaga Gomes, Adé dos Santos Ferreira e Camilo Pessanha, todos representados no Jardim de Artes, situado na Av. da Amizade. O arquitecto até já imaginou a posição que Senna Fernandes poderia assumir naquele cenário: “Sentado, a fumar charuto, em tamanho natural ao nível do transeunte. As pessoas poderão sentar-se ao lado e tirar uma fotografia. Com ele a olhar, por exemplo, para o Porto Interior, porque o Jardim de Artes está no enfiamento da última casa dele. Gostava de fazer uma coisa assim”. Miguel de Senna Fernandes aplaude a ideia. “É estupenda, mas será preciso falar também com outros membros da família. De qualquer modo, sabemos que o nosso pai deixou de ser exclusivo e passou a fazer parte do património de Macau”, confessa ao JTM. Também Carlos Marreiros salienta que aquela será mais uma marca da identidade local. (…)