Século XIX


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No quadro de desmoralização moral política e económica que se vivia em Portugal na segunda metade do século XIX, desde finais da guerra civil (1834), vender o império ultramarino em parcelas parecia (a alguns) a única forma de resolver a crise financeira em que o país estava mergulhado. E o que se dizia à boca pequena nos corredores da intriga de Lisboa acabaria por ser assumido pública e notoriamente pelo deputado José Bento Ferreira de Almeida que num discurso no Parlamento, em 21 de Janeiro 1892 propôs, sem medo de perder votos, ou ficar de mal com a opinião pública, colocar em leilão as colónias para fazer face ao défice orçamental do Estado que ascendia a 10 mil contos. Excluía da eventual venda apenas Angola, Goa e S. Tomé e Príncipe (não sei por que não Cabo Verde!…). “A ideia gerou uma violenta repulsa” como seria natural antever.
Apesar do atrevimento político, que actualmente produziria, sem dúvida, aberturas sucessivas de telejornais, primeiras páginas da imprensa e os mais variados comentários da “blogosfera”, mais a queda do Governo, os ecos do discurso, não foram muito além dos corredores de S. Bento, ainda que tenham tido repercussão nos “media” da época. O discurso de Ferreira de Almeida foi seguido, em concordância, por alguns dos mais influentes políticos e intelectuais de Portugal, nomeadamente o influente ministro Conde de Casal Ribeiro que o secundava dizendo no Parlamento: “nós havemos de viver ou deixar de viver segundo o juízo que tivermos cá dentro e não pela nossa grandeza colonial”.
Oliveira Martins juntava-se ao coro afirmando que “as possessões ultramarinas seriam a causa da ruína nacional”. Cumulativamente em “As Farpas” Ramalho Ortigão colocava a questão: “Para que temos colónias?”. Finalmente não se pode deixar de citar Eça de Queiroz que redundantemente dizia mais ou menos o mesmo: “Para evitar esse dia de humilhação, sejamos vilmente agiotas, como compete a uma nação do século XIX e vendamos as colónias”. A inteligência portuguesa parecia nesse momento histórico afinar pelo mesmo diapasão. Mas a verdade é que Ferreira de Almeida ia, tal com os outros todos, já bem contra corrente. Uma opinião pública maioritária que pugnava resolutamente pela defesa “à outrance” do império ultramarino português, contra as ambições das potências europeias que entre si dividiam o mundo a tira-linhas sobre mapas convenientes que não correspondiam minimamente a territórios verdadeiros, gentes e culturas, mas apenas às ambições imperialistas e comerciais de quem sabia, ou pensava, que tinha o Mundo na mão tomava a supremacia.
Por outro lado a opinião pública portuguesa dispersa pelo Mundo e de séculos inter-étnica manifestava também supremacia sobre os hodiernos mapas que representavam na prática a divisão de povos, de culturas e até de famílias sem cuidar de mais nada. O sentimento popular sobrepunha-se ao positivismo global que tinha em pouca conta esses pormenores da “política agiota” e contabilística concentrados em Lisboa. Pouco ouvida em Portugal, a voz do deputado Ferreira de Almeida (e dos outros) não deixou no entanto de ser notada e transmitida pelos embaixadores estrangeiros acreditados na capital portuguesa aos seus governos, em relatórios que acrescentavam exagerados pontos de intriga política ao que eram apenas posições minoritárias entre correntes de vanguarda do pensamento nacional (dir-se-iam os “WikiLeaks” dos dias de hoje) . Quem terá prestado mais atenção ao discurso do mais ou menos obscuro deputado, terá sido o britânico “Foreign Office” que dele terá dado conhecimento a Sir Robert Hart, Inspector-geral das alfândegas marítimas da China. Este irlandês nascido em 1835, tinha a seu cargo todo o sistema alfandegário do “Celeste Império” decorrente dos acordos (designados, posteriormente, por Pequim como “Tratados Desiguais”) resultantes das guerras do ópio que a China tinha perdido e fora obrigada, por isso, a abrir ao comércio internacional vários portos das suas costas para além de ceder inúmeras vertentes da sua soberania nacional e irracionais indemnizações compensatórias sobre prejuízos de guerras que, para além de não ter desencadeado, tinha perdido. Independentemente de justezas morais, ou de direito internacional, certo é que todos esses portos se passaram a pautar por um regime uniforme (Xangai, Hamoy, Shiamen, etc.). Desse conjunto apenas se exceptuava Macau, colónia portuguesa e porto igualmente livre que se encontrava fora da alçada do imperialismo britânico. Perante esse panorama de aparente anomalia (ponto de vista inglês!…) era não só necessário como urgente normalizar a situação, ou seja regularizar as pautas alfandegárias pelos princípios da “Common Law” e foi o que Robert Hart pôs em execução. Num primeiro passo rodeou Macau de uma série de postos alfandegários, nomeadamente sedeados na ilha da Lapa que se destinavam a inviabilizar, na prática, a franquia do porto de Macau, ou seja qualquer navio comercial que aqui aportasse, não pagaria taxas nem impostos desde que as suas mercadorias se destinassem a Macau como porto final de destino. Se fossem mais além os funcionários ingleses ali estavam a dois passos para travar o passo ao comércio livre internacional por que tanto pugnavam (Contrabando patente! clamava Robert Hart, nos jornais da China e no conservador “The Times”).
Na verdade do que se tratava era de um verdadeiro embargo ao comércio livre. No entanto, o cerco não se revelava suficiente nem eficaz, pelo que Robert Hart teve que congeminar melhor forma de acautelar os interesses de Sua Majestade Britânica (que não da China, naturalmente…). Para isso, e fundando-se na história (sempre a história!…), não encontrou melhor fórmula para resolver a questão senão a de congeminar um plano de integrar Macau no âmbito dos “Portos do Tratado” negociados entre as potências ocidentais – Grã-Bretanha, Alemanha e França, entre outras, mas de que Portugal tinha sido excluído). Para o efeito lançou uma operação secreta que visava, não a reocupação de Macau por Pequim, mas antes a venda da colónia portuguesa à China. Para isso engendrou um cálculo financeiro baseado no antigo pagamento anual que Macau rendia à capital do “Império do Meio” chamado “foro do chão”. Um contrato de arrendamento que o governador Ferreira do Amaral (1846-49) tinha deixado de satisfazer, ainda que pagando com a vida o unilateral termo de tal entendimento que vinha de séculos anteriores.
Feitas as contas, Portugal deveria em rendas atrasadas cerca de um milhão e trezentos mil taéis (cerca de 314 mil patacas) que tendo em conta a inflação, nos dias de hoje, seriam bem mais de três mil e quatrocentos milhões de patacas. A “bolada” seria repartida em proporções definidas entre o Ministério dos Negócios Estrangeiros da China (Zongliyamen), as alfândegas (inglesas) de Sir Robert Hart (não se sabe ao certo em que partes) e Portugal. O mediador de todo o projecto seria, nem mais nem menos, do que o bem conhecido D. Sinibaldo de Mas (de que falei em artigos anteriores), um dos fundadores da ideia do Iberismo, que Robert Hart tinha escolhido como pivot essencial para toda a operação, pelas suas excepcionais ligações às cúpulas políticas portuguesas. A proposta idealizada por Hart, foi feita ao veterano funcionário do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Espanha por James Duncan Campbel, líder de uma missão secreta a Madrid destinada a convencer D. Sinibaldo das boas razões de Inglaterra (ainda que sob o interposto nome e oficial mandato da China). D. Sinibaldo de Mas, já velho e retirado da política aceitou a proposta. Sir Robert Hart exultou com a boa vontade do prestigiado diplomata reformado.
Nesse momento, porém, os “desígnios de Deus” mudaram-se de um momento para o outro. Em Portugal a opinião pública juntava-se aos que recusavam a venda do império português em nome dos ideais e contra o lucro agiota, como diria o poeta Guerra Junqueiro. O iberismo tinha passado, de um momento para o outro das mãos dos conservadores e absolutistas de D. Miguel para as Conferências do casino, liberais, democratas e anarquistas da geração de 70 que declaravam que de Portugal nenhuma parcela se encontrava à venda.
Apesar disso, Sir Robert Hart e o “Forheign Ofice” ainda acreditavam que a operação poderia ter sucesso. D. Sinibaldo de Mas tinha na mão (pensavam os ingleses), o “think tank” das elites portuguesas. Erro maior. Não tinha! A política portuguesa que parecia estar sensível à venda já não estava. Mas, como as comunicações nesses tempos tardavam uns dias, o “Foreign Office” também tardou a saber que D. Sinibaldo de Mas se tinha finado (idoso) na sua casa espanhola antes de ter podido empreender qualquer diligência no sentido de vender Macau. Se D. Sinibaldo de Mas não tivesse falecido nessa altura talvez a “Operação Emelie” redundasse num rotundo e universal sucesso que poderia ter desembocado numa curva maior da história universal. Por ele tinha em Portugal não só a Igreja Católica como a classe política (inter-partidária) e a Maçonaria, ou seja todos os mais importantes decisores do Portugal de então. Mas a verdade é que o desaparecimento de um “pivot” essencial do curso dos tempos (D. Sinibaldo) mudou o rumo dos ventos do futuro. Sir Robert Hart recebeu de Duncan Campbel, pelo telégrafo, em cifra, o número de código fatal: – “9735”. Os quatro números de código significavam que a “Operação Emillie” não tinha tido sucesso. Portugal não considerava à venda nenhuma das suas colónias. Os serviços de inteligência ingleses sofreram então um dos mais rotundos fracassos e Macau continuou até hoje a singrar na história.
Artigo da autoria do jornalista/ investigador João Guedes publicado no JTM de 22-3-2011

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George Chinnery (Chinese: 錢納利; 5 January 1774 – 30 May 1852) was an english painter who spent most of his life in Asia, especially India and southern China. Chinnery was born in London and after training in England became a famous portrait painter in Ireland by 1802. His father owned several trading ships and his elder brother, William Chinnery, owned what is now Gilwell Park. He was a close friend of the artist, William Armfield Hobday.
Chinnery ran into debt and went to India in 1802 on a ship named Gilwell. He there re-established himself as a painter, but debt prompted a move again in 1825, when he went to southern China. While in China, he mentored Lam Qua, who eventually became a renowned medical portrait painter. He travelled around the Pearl River Delta, between Macau and Canton (now Guangzhou). He had been to Hong Kong after the British founded the city, and subsequently fell ill. He died in Macau in 1852 and is buried in the Old Protestant Cemetery there.
Other than artistic value, his paintings are historically valuable as he was the only western painter in South China between the early and mid 19th century. He presented the life of common people and landscape of the Pearl River delta at that period. Chinnery left sketches for creation of other paintings. He had learnt shorthand from his grandfather and he used his modified shorthand for jotting quick notes on sketches. The Hongkong and Shanghai Banking Corporation has a collection of Chinnery’s works because of his connection to Hong Kong. But also Matheson Ltd, Museu de Arte de Macau, Sociedade de Geografia and several private collectors.
He’s the Western artist who most influenced India and Southern China in the 19th century. He moved to Macao in 1825, and his vivid and lively sketches of local street scenes have become precious historical records for the study of the region’s history.
George Chinnery, nascido em Londres em 1774, é um dos mais conhecidos retratistas que visitaram o Oriente – incluindo a China e a Índia – e  um dos mais influentes pintores ocidentais que trabalharam no Oriente durante o séc. XIX. O seu avô era perito em desenho de croquis e Chinnery, por ordem de seu pai, foi educado na Royal Academy of Arts a partir dos 18 anos. Em 1802, Chinnery deixou a Inglaterra para se fixar no Oriente. Em 1825 radicou-se em Macau em 1825 onde morreu a 30 de Maio de 1852. Está sepultado no Cemitério Protestante. Durante a sua estada no território – que lhe deu um nome de rua, capturou para a posteridade retratos, paisagens e cenas da vida quotidiana. Tais obras preservam os traços da Macau de então e servem como preciosos registos históricos da cidade já que na altura a fotografia dava os primeiros passos. Chinnery viveu também em Cantão e Hong Kong durante um curto período. A Sociedade de Geografia de Lisboa tem uma colecção de desenhos de Chinnery.

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O farol começou a funcionar no final de Setembro de 1865. O tufão de 1874 provocou enormes estragos acabando por ficar sem funcionar até cerca de 1910, altura em que sofreu uma remodelação (a que conhecemos hoje) e passou a ser alimentado por electricidade e a ter o conhecido sistema rotativo oriundo de França. Diversos post’s contam esta e outras histórias e mostram imagens do farol antes e depois da remodelação.
 
AVISO AOS NAVEGANTES

Desde a noute de 24 do mez passado se começou a acender um novo pharol construido na fortaleza de Nossa Senhora da Guia, da cidade de Macau. O pharol está na latitude de 22° 11 ‘N, e na longitude de 113° 33’E, de Greenwich. A elevação da luz é de 101,5 metros acima do nível do mar, nas mais altas marés de tempo calmo.
A torre do pharol mede 13,5 metros da base à cupola, tem a forma octogonal e é pintada de branco. A lanterna é vermelha. A luz é branca e rotatória, fazendo um giro completo em 64″ de tempo. Pode ser vista a 20 milhas, em tempo claro. N’esta distancia, a duração da luz é de 6″ e a do eclipse de 58″. A 15 milhas, vê-se a luz durante 11″ e o eclipse dura 54″. A 12 milhas, o maior clarão de luz dura 12″, e o intervalo do eclipse (de 52″) é cortado pelo aparecimento, quazi instantâneo, de uma luz mais fraca. A 7 milhas, a duração da grande luz é de 14″, e a do eclipse de 50″, aparecendo no meio d’ este a pequena luz, como fica dito.
Logo que seja possível se publicarão as marcações pelo pharol para demandar o ancoradouro da rada de Macau.
Capitania do Porto de Macau, 2 de Outubro de 1865.
João Eduardo Scarnicha,Capitão do Porto

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Aqui fica o convite.. feito na primeira pessoa por Rogério Miguel Puga“Mantendo a tradição já mensal do “Seminário Permanente de Estudos sobre Macau”, serei eu a apresentar no dia 31 deste mês uma comunicação sobre representações pictóricas do enclave do século XIX, a partir das obras de George Chinnery e de outros artistas que recolhi no espólio inédito nos depósitos e nas paredes do mais antigo museu norte-americano, o Peabody Essex Museum (Salem, MA).”
O Espólio Inédito de George Chinnery (1774-1852) no Peabody Essex Museum (Salem, E.U.A.)
CETAPS (FCSH) 31 Março 2011 18h FCSH – Edifício I&D (Sala 7, piso 0) – Lisboa

Informações adicionais sobre Chinnery neste post, por exemplo

http://macauantigo.blogspot.com/2009/04/george-chinnery.html

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In Boletim Oficial

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