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Um retrato inédito feito em Macau há 66 anos por George Smirnoff (1903-1947), o pintor russo que esteve abrigado no território durante alguns anos da II Guerra Mundial, vai entrar agora para o espólio do Museu de Artes, pelas mãos do Instituto Internacional de Macau (IIM).
O instituto soube da vontade da proprietária de um retrato feito por Smirnoff de “o doar para um museu de arte que tenha a maior colecção das suas obras”, como apontou ontem em comunicado. Exílios diferentes provocaram o encontro entre o artista russo e Cecilia Maria Yvanovich, em 1945, em Macau. Desse acaso, e das mãos do pintor, saiu um dos poucos retratos produzidos por ele, mais conhecido pelas aguarelas de cenas e paisagens do território. É este retrato que a jovem modelo oferece, 66 anos depois, através do IIM, a Macau, para que ele possa juntar-se às outras obras do mestre, no Museu de Artes.
A invasão de Hong Kong, durante a II Grande Guerra, tinha trazido Cecilia, seus pais e irmãos ao território, em 1942. Os Yvanovich pertencem a uma das famílias macaenses que com o seu suor, sangue e lágrimas ajudaram também a escrever a história de Hong Kong. De Macau, Cecilia Yvanovich guarda ainda gratas recordações daqueles três anos, principalmente da casa onde viveu na Estrada da Vitória e das pessoas com quem conviveu em festas, chás dançantes e outras ocasiões, apesar dos tempos difíceis.
Este retrato, feito por Smirnoff em aguarela, que se pode considerar uma peça única do património artístico e cultural de Macau, será presenteado ao Museu de Artes pessoalmente por Cecilia no dia 28 de Novembro, quando a “modelo” se deslocará a RAEM com a sua filha e netas, para participarem no próximo Encontro das Comunidades Macaenses.
Notícia e imagem publicadas no jornal Hoje Macau de 5-11-2010
Para saber mais sobre a vida e a obra de Smirnoff consultar este post: