>

Tap Seac significa em chinês Torre de Pedra. Segundo o padre Manuel Teixeira: “Por este nome é conhecida a área da cidade situada de um e outro lado da rua do T’ap Seac, área esta mais ou menos limitada” pelo muro Leste do Cemitério de S. Miguel na “Rua da Esperança, parte da Estrada de Adolfo Loureiro, parte da Avenida Conselheiro Ferreira de Almeida e parte da Estrada do Cemitério”
O campo Tap Seac ia até à parte Norte da Avenida Vasco da Gama, onde existia a rua da Flora que mais tarde deu a rua Ferreira do Amaral, quando a avenida do Conselheiro Ferreira de Almeida foi construída em 1895. Tal deve-se à necessidade de fazer o saneamento da zona de S. Lázaro, após uma epidemia de peste que no ano anterior aí fortemente se fizera sentir. Essa zona tinha más condições sanitárias e fora a mais afetcada, numa altura em que começava a ser bastante populosa e com alguma indústria.

Tap Seac em 1949. Foto Jack Birns

A várzea que englobava o Tap Seac era um foco de peste, onde proliferavam os insectos, o que também para ali trazia os pássaros e as flores, que por lá cresciam, disfarçadamente enfeitavam e coloriam aqueles campos lodosos.

As obras da construção da rua foram dirigidas por Abreu Nunes, mas feitas sem permissão do Governo Português e para amansar as reprimendas de Lisboa, sendo José Ferreira do Amaral Ministro da Marinha, foi dado o seu nome à rua com o título de avenida; ele que nunca visitou Macau e em 10 de Junho de 1891 propusera a venda das colónias portuguesas.
As casas do Tap Seac no lado da avenida do Conselheiro Ferreira de Almeida são de 1903 e continuaram a ser edificadas até ao segundo decénio do século XX. Aí encontramos um conjunto de edifícios com características neoclássicas e inseridos no Património da Unesco. Sofreram uma remodelação nas décadas de 70 e 80 do século XX e foram distinguidas com o primeiro prémio da PATA em 1982.
Detalhe da fachada do edifício (Liceu até 1958) na década de 1980
O campo do Tap Seac era um lugar pantanoso e nele existiu uma colina com três enormes rochedos sobrepostos e que pela sua forma se assemelhavam a um pagode, por isso conhecida pela Colina do Pagode ou do Rochedo. A várzea já tinha sido aterrada quando em 1905, as rochas foram dinamitadas e no terreno deu-se início à construção de um campo que contava na parte Sudeste com um poço. No início, esse campo era onde as crianças vinham colocar os seus papagaios a voar, como nos conta o escritor Henrique Senna Fernandes, sendo algumas dessas crianças do Asilo dos Órfãos e Idosos que em frente se situava e depois, quando aí foi colocado o Liceu passou a ser campo de recreio dos alunos desse estabelecimento de ensino.
O Liceu Infante D. Henrique em Macau andara a saltar de lugar em lugar e após ter sido instalado em 1894 no Convento de S. Agostinho, em 1900 passara pela Calçada do Governador e em 1917 foi transferido para onde é hoje o edifício conhecido como Hotel Bela Vista. O edifício do Tap Seac foi construído pela Santa Casa da Misericórdia no princípio do século XX para servir inicialmente como asilo para idosos e orfanato da Santa Casa da Misericórdia. A 20 de Abril de 1923, o governo comprou à Santa Casa o edifício da Boa Vista para o transformar de novo em hotel e o edifício do Asilo para ser o Liceu, onde começou a haver aulas em 1924.
No ano seguinte à mudança do Liceu para aquele lugar, foi construído o Edifício da Caixa Escolar, na parte Sul do campo plano do Tap Seac. De características neoclássicas, o edifício tinha à sua frente os campos desportivos. O campo maior foi pelado até aos anos 90 e depois, passou a ter relva sintética e servia para a prática de futebol e de hóquei em campo. Existiam outros três campos mais pequenos em cimento; um para basquete e vólei, outro também para essas duas modalidades e por fim um terceiro, um ringue para hóquei em patins, andebol e futebol de cinco. Os campos encontravam-se entre duas ruas cheias de trânsito, a avenida do Conselheiro Ferreira de Almeida para os veículos que se dirigiam para Norte da cidade e a rua Ferreira do Amaral para os que se dirigiam em sentido contrário. Em 2005, esses campos, que tinham uma ocupação diária plena e constante, foram destruídos. Aí apareceu uma praça com calçada à portuguesa e por baixo um parque de estacionamento, com um túnel que desviava o trânsito da praça do Tap Seac para quem viajava para Norte. Assim um troço da avenida Conselheiro Ferreira de Almeida passou a ser pedonal e ficou inserido na praça. Também as árvores desapareceram da praça e hoje esta conta na parte Sul com um edifício envidraçado, mas ainda sem funções.
Anexo ao Liceu de Macau, na Av. Conselheiro Ferreira de Almeida (onde hoje funciona a Direcção dos Serviços de Saúde), foi inaugurado a 30 de Dezembro de 1934, um Ginásio que, para além das práticas desportivas, serviu para a realização de animadas festas e bailes. O ginásio foi desafectado e no edifício passou a funcionar o Dispensário Anti-Tuberculoso e um Posto Oftalmológico.
O Liceu Infante D. Henrique, que no Tap Seac funcionava desde 1924, saiu do edifício em 1958, e foi remodelado para os Serviços de Saúde de Macau. Voltou a estar em obras entre 1988 e 1991 quando foi demolido e construído um moderno edifício, para o mesmo fim. Já em 2005 foi de novo remodelado e passou a ser as instalações do Instituto Cultural.
A seu lado o Centro de Saúde e a Biblioteca Central e continuando na fileira de edifícios históricos, que eram moradias de habitantes ricos da cidade, o Arquivo Histórico e o Centro de Arte Moderna. Ao lado, no conjunto de quatro moradias hoje encontra-se, numa delas, instalado o Centro Ricci com a sua biblioteca e noutra, a Orquestra de Macau.
Foi com uma nova visão urbanística que o engenheiro Abreu Nunes, com o saneamento da várzea do Tap Seac, resolveu um problema para a saúde pública e preparou a cidade para se expandir para o campo que até então predominava na península de Macau.
Artigo da autoria de José Simões Morais, investigador, publicado no JTM de 10-6-2011
Nota: ao longo do blog existem centenas de imagens de locais e edifícios referenciados neste artigo pelo que sugiro uma pesquisa por palavras-chave. Por exemplo: caixa escolar, aterros, várzea, património. conselheiro Ferreira de Almeida, etc.
Anúncios

>

As filmagens e edição são de Hércules António e o vídeo tem duração de 20 minutos. Agradecimentos ao Projecto Memória Macaense do Rogério P. D. Luz (Brasil).

>

Jogos, brinquedos e outras diversões populares de Macau. Apresentação da II parte – 1 Volume, de Ana Maria Amaro, 22 de Junho, às 18 horas, da Delegação Económica e Comercial de Macau, Av. 5 de Outubro, 115 Lisboa.
Com a presença da autora e dos jornalistas João Paulo Meneses e João Botas.

>

fotografia/postal da década de 1950
Ao fundo (na rua de Santa Clara), vê-se a igreja de Santa Rosa (à direita) foi inaugurada em 1936. No final da década de 1950 sofreu remodelações (novos pisos) e aquela cúpula que se vê â esquerda, desapareceu. O edifício em primeiro plano é conhecido por pavilhão octogonal/biblioteca chinesa/八角亭圖書館/ Pak Kok Ting.
Foi construído em 1927 (em betão) sob  projecto do arquitecto chinês Chon Kuan Pui. Começou por ser utlizado como salão de chá e restaurante (Café Francais). Num anúncio de 1937 aparece a referência de localização como “pavilhão de rádio”). O primeiro proprietário terá sido um cidadão macaense que depois o vendeu (década 1940) ao empresário Ho Yin, na época vice-presidente da Associação Comercial Cinhesa. O edifício seria doado à referida associação quando esta decidiu, em 1947, criar uma biblioteca pública chinesa, inaugurada em Novembro de 1948 pelo governador Albano Rodrigues de Oliveira. Fica (ainda hoje existe) no cruzamento da Praia Grande/rua do Campo a caminho do Clube Militar.

Mais fotografias (de várias épocas) neste link:

>

Os órgãos sociais do Instituto Internacional de Macau deliberaram atribuir, para o ano de 2011, o Prémio Identidade, ex-aequo, a “Macanese Families” e ao Projecto Memória Macaense”, ambas páginas electrónicas, criadas e mantidas respectivamente pelo Emérito Prof. Henrique d’Assumpção e Rogério da Luz.

Muitos dos participantes do último Encontro das Comunidades Macaenses tiveram oportunidade de apreciar a apresentação da página digital “Macanese Families”, feita pelo Prof. Henrique António d’Assumpção, mais conhecido por “Quito”. Encontra-se nela incluída a genealogia das famílias macaenses e bem assim informações variadas, de natureza cultural e histórica. O sistema está concebido de modo a permitir a actualização do registo das famílias macaenses, desde que a informação chegue ao administrador do projecto. Pelo alcance da iniciativa que visa perpetuar o registo e a memória de pessoas e dos legados históricos e culturais de Macau, o IIM considerou ser oportuno prestar homenagem a este projecto, em boa hora criado pelo Emérito Prof. Henrique d’Assumpção.
O outro premiado, Projecto Memória Macaenses (PMM), foi criado em 2003, e mantido desde então por Rogério dos Passos Dias da Luz, que jovem emigrara para o Brasil. Foi dos primeiros projectos, dessa natureza, a ser colocado no espaço cibernético, especialmente dedicado a Macau. Como o título sugere, trata-se de “…uma iniciativa pessoal e independente, tendo como objetivo, como o próprio nome diz, a memória macaense. Falar e mostrar imagens daquele Macau, com o qual o seu autor se identifica, pelas suas origens, formação, a vivência familiar, os tempos de escola e das amizades, e pela saudade que bate no peito e faz chorar por aqueles belos tempos que muita história, cada macaense, tem a contar. Neste ano, o IIM decidiu dar igual reconhecimento ao Projecto Memoria Macaense pela obra desenvolvida, ao longo de anos, a qual, de forma desinteressada e dedicada, serviu de instrumento para manter ligados os macaenses, disseminados pelos quatro cantos do mundo.
Em anos anteriores e desde 2003, o IIM tinha atribuído este Prémio a várias instituições designadamente a Diocese de Macau, Santa Casa da Misericórdia, Universidade de Macau, etc., pela sua contribuição para a preservação da identidade macaense.

>

A Coca-cola e a Pespi tinham acabado de ‘chegar’ a Macau. Os painéis publicitários são bem visíveis tendo ao fundo o hotel Central. À esquerda, junto a tabacaria Filipina e ao cinema Apollo um anúncio à marca de cigarros Chesterfield. Logo a seguir, a mercearia Soi Cheong. No meio da praça a estátua do herói macaense, o coronel Nicolau Mesquita. Dia soalheiro, quase sem carros, sem semáforos ou passadeiras. Um triciclo passa frente ao edifício dos Correios e Telégrafos. Os outros estão estacionados logo a seguir. Um retrato de Macau na década de 1950…

>

“Jogos, brinquedos e outras diversões populares de Macau“, II parte – I volume, de Ana Maria Amaro.

A apresentação do livro será feita pela autora e ainda por por João Paulo Meneses e João Botas na Delegação Económica e Comercial de Macau (av. 5 de Outubro, Lisboa) no dia 22 de Junho, pelas 18h.