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Desde 15-MAR-1999 Superintendente Geral José Proença Branco
De 07-JAN-1998 a 14-MAR-1999
Tenente-coronel Manuel António Meireles de Carvalho
De 17- SET-1991 a 06-JAN-1998
Coronel Fernando da Silva Pinto Ribeiro
De 01-OUT-1986 a 16-OUT-1991
Coronel António Martins Dias
De 04-OUT-1984 a 01-OUT-1986
Tenente-coronel Raúl Miguel Socorro Folques
De 04-OUT-1982 a 04-OUT-1984
Coronel João Manuel Duarte Moniz Barreto
De 04-NOV-1981 a 08-JUL-1982
Major José Alberto Cardeira Rino
De 03-ABR-1979 a 30-NOV-1981
Tenente-coronel Virgílio de Magalhães
De 09-DEZ-1974 a 05-DEZ-1978 Major Rodrigo Lobo d’Ávila
De 26-NOV-1972 a 01-DEZ-1974
Tenente-coronel António Miguel Rodrigues
De 30-DEZ-1970 a 20-OUT-1972
Major Eduardo C.F.B. Velasco
De 09-SET-1967 a 30-DEZ-1970
Tenente-coronel José Luís de Azevedo Ferreira Machado
De 15-DEZ-1966 a 09-SET-1967
Capitão Henrique Manuel Lages Ribeiro
De 17-FEV-1963 a 14-OUT-1963
Tenente-coronel Carlos Armando da Mota Cerveira, interinamente
De 19-JAN-1963 a 14-DEZ-1966
Tenente-coronel Octávio Galvão de Figueiredo
De 02-OUT-1962 a 17-FEV-1962
Capitão Henrique Manuel Lajes Ribeiro, interinamente
De 13-AGO-1962 a 29-SET-1962
Capitão Henrique Manuel Lajes Ribeiro, interinamente
De 26-JUL-1960 a 03-JAN-1963
Major Segismundo Revés
De 05-DEZ-1960 a 07-AGO-1960
Tenente Henrique Ferreira da Conceição Fontes, interinamente
de 08-DEZ-59 a 07-AGO-1960
Capitão Delfim Nunes, interinamente
De 21-OUT-1957 a 28-MAR-1960
Capitão José Vaz Dias da Silva, definitivamente
De 03-SET-1956 a 20-OUT-1957
Capitão José Vaz Dias da Silva, interinamente
De 22 -JAN-1955 a 02-SET-1956
Capitão João Victor Teixeira Bragança
De 02-SET-1954 a 21-JAN-1955
Tenente Artur da Palma Viçoso
De 13-ABR-1953 a 01-SET-1954
Capitão Júlio Augusto da Cruz
De 21-DEZ-1952 a 12-ABR-1953
Tenente José da Conceição Miguel
De 21-JAN-1948 a 20-DEZ-1952
Capitão Luís Augusto de Matos Paletti
De 27-JUN-1946 a 01-JAN-1948
Capitão Álvaro Marques de Andrade Salgado
De 05-ABR-1946 a 26-JUN-1946
Capitão Eduardo Madureira Proença
De 22-MAR-1946 a 04-ABR-1946
Tenente Reformado Augusto Ferreira
De 17-MAR-1941 a 21-MAR-1946
Capitão Alberto Ribeiro da Cunha
De 28-AGO-1939 a 16-MAR-1941
Capitão Eduardo Madureira Proença
De 01-AGO-1939 a 27-AGO-1939
Tenente Júlio Montalvão da Silva
De 05-MAR-1937 a 31-JUL-1939
Capitão Carlos de Sousa Gorgulho (a)
De 23-JAN-1937 a 04-MAR-1937
Capitão Rodrigo Brandão Guedes Pinto
De 01-MAR-1931 a 22-JAN-1937
Capitão Alexandre dos Santos Majer
De 24-MAI-1930 a 28-FEV-1931
Tenente Gaudêncio da Conceição (b)
De 10-DEZ-1926 a 23-MAI-1930
Capitão Frederico Tamagnini de Sousa Barbosa
DE 21-AGO-1926 a 09-DEZ-1926
Tenente Gaudêncio da Conceição
De 16-NOV-1925 a 20-AGO-1925
Capitão Joaquim Manuel Cortês
De 30-SET-1925 a 15-NOV-1925
Tenente Cândido José Jorge
DE 16-JUL-1924 a 29-SET-1925
Tenente Gaudêncio da Conceição
De 01-MAI-1920 a 15-JUL-1924
Afonso da Veiga Cardosa
De 26-NOV-1918 a 30-ABR-1920
Tenente João Marques
e 12-JAN-1918 a 25-NOV-1918
Capitão Dionísio Fonseca
De 11-Jan-1917 a 11-JAN1918
Comissário Daniel Ferreira Júnior
De 01-JAN-1917 a 10-JAN-1917
Comissário José Francisco de Sales da Silva
De 1915 a 1917
Major João Carlos Craveiro Lopes (c)
1888
Coronel Francisco Augusto Ferreira da Silva
1880
Major Francisco Paula da Luz
1879
Coronel António Joaquim Gracia
1869
Coronel Jerónimo Pereira Leite
1861
Capitão Alvim e Capitão Corte Real, nomeados cmdts da 1ª e 2ª companhias do Corpo de Policia
De 14-OUT-1857 a 29-JUL-1863
Bernardino de Senna Fernandes, nomeado Comandante da Policia do Bazar, com honras de capitão
1841
Tenente-coronel António Pereira, Comandante da Policia de S. Lourenço
1841
Tenente-coronel Joaquim Pedro da Costa Brito, nomeado Comandante da Policia de S. António
1822
Capitão Feliciano Firme Monteiro, do Batalhão do Principe Regente, nomeado Comandante da Policia
1822
José Baptista de Miranda Lima, nomeado Intendente da Policia da cidade
1810
Coronel José Osório de Castro, Comandante do Batalhão do Príncipe Regente
1792
Domingos Mesquita, Capitão de Ordenança da Casa Forte de S. Lázaro
1766
D. João Severim Manuel, Capitão de Ordenança da Casa Forte de S. António
1737
Francisco Marques de Sousa, Capitão de Ordenança do Bairro da Sé e Casa Forte de S. Lázaro
1735
Tomé Vaz Vieira, Capitão de Ordenança do Bairro da Sé
1718
Francisco Mendonça Furtado, Francisco Barradas da Rosa e Manuel Dutra Vieira, nomeados pelo senado como Capitães de ordenança das Casas Fortes de S. Lourenço, Santo António e Sé.

a) Foi posteriormente Governador de S.Tomé e Príncipe, de muito má memória!
b) Foi também Cmdt do Corpo de Bombeiros de Macau.
c) Governador-Geral da Índia Portuguesa (1929-1936); pai do PR Marechal Francisco Higino Craveiro Lopes.
Fonte: MSMartins

O Museu da Farmácia (em Lisboa, na rua Marechal Saldanha, bairro de Santa Catarina) foi inaugurado em 1996 e reúne cronologicamente, material alusivo à história da farmácia. Inclui uma ala que reconstrói cenários em tamanho real de diferentes estabelecimentos farmacêuticos ao longo de diferentes épocas, sendo de destacar a farmácia da Macau.
O espólio é constituído por cerca de 13 mil peças arqueológicas e histórias relativas à prática da farmácia, relativas a diferentes épocas e lugares – objectos provenientes de Roma, Grécia, Mesoptâmia, Arábia, Meso-América, China, Macau, Japão, datados desde a Antiguidade, passando pela Idade Média e Renascimento, pelos séculos XVIII e XIX, até aos nossos dias.
O Museu da Farmácia foi distinguido com os prémios Melhor Museu Português em 96/97/98 (pela Associação Portuguesa de Museologia) e Melhor Projecto Farmacêutico em 99 (pela Revista Farmácia e Distribuição).
Excerto de um artigo de Diogo Fernandes publicado na Revista Nam Van nº 16 – Setembro de 1985

Dos cerca de 40 faróis, farolins, bóias de sinalização que existem na península de Macau e nas suas ilhas, há um que se destaca pela sua história e significado – o Farol da Guia, situado na colina com o mesmo nome.
O farol mais antigo da China, ele continua a ser um ponto de atracção turística, seduzindo, pelo seu passado e presente os muitos viajantes que ali se deslocam. Macau é, sabe-se, uma terra onde se depositam valiosos testemunhos de um passado onde o Oriente e o Ocidente se confundiram e este também é o caso do Farol da Guia, uma prova monumental como o são o Passeio da Bela Vista, as Portas do Cerco, a Praia Grande, a Penha, as Ruínas de S. Paulo, a gruta de Camões, o templo da Barra.
Aceso pela primeira vez em 1865, o Farol da Guia iluminou desde então, ininterruptamente, as costas de Macau, o primeiro, alimentado a petróleo, depois, a óleo de coco e, desde 1909, energia eléctrica.
Um aviso aos navegantes, datado de 2 de Outubro de 1 H65, e assinado pelo Cap. do Porto de Macau, João Eduardo Scarnichia, anunciava:
AVISO AOS NAVEGANTES
«Desde a noute de 24 do mez passado se começou a acender um novo pharol construido na fortaleza de Nossa Senhora da Guia, da cidade de Macau. O pharol está na latitude de 22° 11 ‘N, e na longitude de 113° 33’E, de Greenwich. A elevação da luz é de 101,5 metros acima do nível do mar, nas mais altas marés de tempo calmo. A torre do pharol mede 13,5 metros da base à cupola, tem a forma octogonal e é pintada de branco. A lanterna é vermelha. A luz é branca e rotatória, fazendo um giro completo em 64″ de tempo. Pode ser vista a 20 milhas, em tempo claro. N’esta distancia, a duração da luz é de 6″ e a do eclipse de 58″.
A 15 milhas, vê-se a luz durante 11″ e o eclipse dura 54″.
A 12 milhas, o maior clarão de luz dura 12″, e o intervalo do eclipse (de 52″) é cortado pelo aparecimento, quazi instantâneo, de uma luz mais fraca. A 7 milhas, a duração da grande luz é de 14″, e a do eclipse de 50″, aparecendo no meio d’ este a pequena luz, como fica dito.
Logo que seja possível se publicarão as marcações pelo pharol. para demandar o ancoradouro da rada de Macau. Capitania do Porto de Macau, 2 de Outubro de 1865. João Eduardo Scarnicha, Capitão do Porto»
O primeiro farol funcionava com um candeeiro de petróleo. O autor deste engenhoso maquinismo era um hábil macaense, Carlos Vicente da Rocha, tão curioso era o modelo desse farol que o seu autor o enviou para Lisboa, onde se conservou muito tempo na Sala do Risco. do Ministério da Marinha até que um incêndio o.devorou.
Dez anos após a construção deste farol, precipitou-se sobre Macau o mais violento tufão. Foi o próprio construtor do farol, Carlos Vicente da Rocha, que mandou disparar os tiros, anunciando a aproximação deste tufão de 22 de Setembro de 1874. O farol sofreu várias avarias, tendo de ser reconstruída a sua torre.
Curiosamente, o farol da Guia serviu durante décadas como aviso para a população, e embarcações, da aproximação de tempestades tropicais. Com efeito, através de salvas de canhões ou, como mais recentemente, pelo içar de sinais apropriados, os habitantes de Macau sabiam antecipadamente a passagem dos tufões, acompanhando a sua evolução passo a passo.
Durante 45 anos brilhou este farol no alto da Colina da Guia. O primeiro faroleiro foi um velho soldado chamado Diogo, que se apaixonou pela Guia, passando longas vigílias na contemplação estática do seu farol. E em 29 de Junho de 1910, esse farol cedeu o lugar a outro, de aparelhagem moderna, de rotação, importada de Paris.
Revista Nam Van – publicação do Gabinete de Comunicação Social do Governo de Macau

A partir de 1948, os contingentes africanos (da Guiné, Angola e Moçambique) recrutados para Macau, totalizavam, entre praças e cabos, cerca de 500 elementos, e estavam aquartelados na Fortaleza da Guia, em Mong-Há, na Ilha Verde e nas ilhas de Coloane e da Taipa.
Entre as 15 e as 18 horas, isto é, durante o período de licença, os soldados africanos, ou visitavam a Rua da Felicidade, ou passeavam pelas ruas de Macau, nos riquexós (alguns já bastante afectados pela cachaça).
À noite, no quartel, e quando as circunstâncias o permitiam, acendiam uma fogueira, onde uma conversa algarviada tentava evocar, sem desânimo, os horizontes longínquos da terra natal.
Apesar disso, o soldado tentava adaptar-se à vida ocidental. Uma forma de aculturação – e talvez a principal- terá sido a religião já que quase todos estavam baptizados, ou pelo catolicismo, ou por tendências cristãs protestantes. Ambas as tendências tiveram muito sucesso na sua influência junto das tropas africanas.
No que diz respeito aos católicos, havia em todos os quartéis uma delegação da Legião de Maria e na Gruta de Nossa Senhora de Fátima, cantava-se o terço todas as noites. Saliente-se também que alguns africanos chegavam a catequizar os seus conterrâneos.
As suas funções no quartel consistiam, para além dos exercícios militares diários, em trabalhos de faxina e de conservação de estradas.
Apesar das doenças que, muitas vezes faziam abater ao afectivo em tantos soldados africanos, estes ficavam em Macau normalmente durante o período duma comissão de dois anos.
Em 1974 já não existiam referências à sua presença e em 1975 é extinto o Comando Territorial Independente de Macau, apagando-se, assim, todos os traços da mentalidade africana que foi utilizada para diversos propósitos, mas que também nunca abdicou da sua originalidade e tradições.
Artigo de PJL na Revista Nam Van nº 23 – 1986
Artigo de de Pedro Dá Mesquita publicado na Revista Nam Van nº 23 – 1 de Abril de 1986
Quis o destino que os landins, povo aliado com os deuses, que o fizeram feiticeiro, se tornasse no exemplo mais acabado de soldado africano ao serviço do exército colonial português.
Estávamos em 1904 e pelo regulamento assinado pelo comissário régio de Moçambique, Mousinho de Albuquerque, todos os homens válidos seriam sujeitos a uma inspecção, a ter lugar de dois em dois anos, para servirem nas companhias expedicionárias e nas companhias de indígenas, estas integradas exclusivamente por elemento landins.

Da passagem de uma vida que se perdia na memória dos tempos, feita pela leitura das estrelas, dos ventos e das nuvens, colocando cada landim numa posição superior e desta superioridade vivendo, a história militar portuguesa coloca estes homens de sorriso permanente e de selváticas paixões, numa alta estima a julgar pelo testemunho do próprio herói do aprisionamento do Gungunhana, que escreveu a dado passo no seu livro «Moçambique» que os landins eram de todas as tropas de negros ao serviço de Portugal as que revelaram «maior instinto guerreiro».
Com tão boas referências, depressa estes homens deixaram a sua terra para servirem em Angola, Timor e Macau, tendo chegado a este último território no ano de 1911, marcando nas cinco décadas seguintes uma presença regular naquele enclave, então colónia portuguesa.
Para quem conhecesse os landins por alturas dos finais do século passado, dificilmente imaginaria que este povo orgulhoso se tornasse alguma vez num soldado disciplinado, temerário, ao serviço de um exército regular.
Armado de escudo, adornado de peles e com zagaias, com as quais desferiam o primeiro golpe em direcção aos rins da vítima, os landins eram uma das etnias mais temidas e conhecidas de todo o Moçambique.
Contam as crónicas que qualquer número de landins, por mais insignificante, que passasse por qualquer aldeia, por mais pobre que ela fosse, quase que por magia
– não fossem eles feiticeiros surgia logo farinha para fabricarem o seu pão favorito, sempre acompanhado por um bom número de cabritos e galinhas
As principais vítimas desta pilhagem permanente era o povo quiteve, que para além de se ver despojado de boa parte dos seus bens, era obrigado a carregar todos os mantimentos dos landins, pois estes nunca tinham «pegado em cargas».
Aliás, conta-se uma história bem curiosa sobre os costumes deste povo que fez um pacto com o céu.
Nas suas permanentes deambulações, os landins conceberam uma forma assaz curiosa de tributação: abriam um furo no alto da cobertura cónica das palhotas circulares, obrigando depois a enchê-Ias até que estas se recusassem a receber mais.
Esta tendência de acumular veio a manifestar-se bem mais tarde em Macau, embora já a nível individual e sob a forma de pré (2 mil escudos em 1950) por todos os
elementos voluntários que estiveram em comissão de serviço no território, ficando célebre um desembarque em Lourenço Marques, em 1932, que vinha de tal forma provido de mercadoria que pagou 18 contos de réis em direitos aduaneiros, e isto não obstante a «vista grossa» por parte dos funcionários da alfândega.
O primeiro par de botas
Providos de uma excelente compleição física – cuja média ultrapassava o metro e setenta de altura – com uma boa capacidade de aprendizagem, com um bom espírito combativo e de tempera­mento alegre, os landins foram considerados as melhores tropas coloniais portuguesas.
Após um recenseamento, eram sujeitos a uma recruta de três a seis meses onde lhes era ministrado o manejo das armas, o aprumo mili­tar e uma instrução mínima. De­pois eram enviados para Angola, Timor e Índia na situação de obrigatoriedade, tendo sido recrutados mais de cem mil entre 1916 e 1918, durante a I Grande Guerra.
O primeiro contigente a embarcar para Macau deixou Lourenço Marques em 11 de Dezembro de 1911 com a 8ª Companhia Indígena, acompanhada de uma secção de bateria mista.
Com um par de botas – as primeiras que calçavam na sua vida – um capacete de ferro, que lhes dava um ar muito mais marcial, e com um uniforme do qual ressaltavam uns largos calções, cerca de duas centenas de landins desembarcaram em Macau nos primeiros dias de 1912, deixando desde logo uma forte impressão, quer na comunidade portuguesa, quer mesmo na chinesa ao realizarem um batuque no qual teve papel importante o manejo das terríveis zagaIas.
Devido ao facto de serem tropas muito bem treinadas e muito disciplinadas, e de serem – segundo Mousinho que as utilizou em primeiro lugar – «umas sentinelas admiráveis» foram colocados nas Portas do Cerco, ponto nevrálgico, sobretudo após a implementação da República Chinesa e onde se tinham registado alguns incidentes.

A coronhada landim
Com fortificações que permitiam a presença de uma companhia, a unidade estacionada nas Portas do Cerco estava sujeita a um trabalho violento, quer no aspecto físico, devido às constantes vigias nas 24 horas do dia, quer pelos incidentes que se repetiam quase diariamente com as tropas colocadas do outro lado da fronteIra.
O dia começava com o retirar dos cavalos-de-frisa pelas 8 horas, que eram colocados a cerca de 30 metros diante das Portas do Cerco, seguindo-se-Ihe o manejo de armas, colocação nos postos e instrução vária. A tarde, os soldados estavam encarregados de diversos melhoramentos nas instalações, encerrando a fronteira pelas 18 horas.
Equipados com espingardas de bom alcance, bazucas, canhões, anti-tanques e várias metralhadoras, as tropas landins colocavam-se em menos de três minutos nos seus postos após soar o alarme, facto que acontecia nas ocasiões mais díspares para manter a eficiência da unidade.
Após a natural apreensão relativamente à recepção que iriam dar aos landins, estes foram bem aceites pelas três comunidades em questão (portuguesa, chinesa el colegas de armas).
Depressa ganharam fama de soldados disciplinados, não só através das inúmeras histórias mas também pelas anedotas que se contavam a seu respeito. Uma delas conta o sucedido com um soldado landim que estava de serviço à residência do governador de Moçambique e deu uma forte coronhada num director dos caminhos
de ferro do Transval, que na ocasião (uma greve) insistiu em transpor uma vedação, e que mais tarde iria provocar certos dissabores ao próprio Mousinho. Instado a defender-se por ocasião de um breve inquérito que ficou arquivado e das razões que o tinham levado a tomar aquela atitude, o soldado limitou-se a responder: – «Faça, alto, palavra de honra, faça fogo».
O prestígio junto das comunidades em Macau foi subindo à medida que eles se iam integrando na vida normal da cidade, sendo vistos nos dias de folga, sempre em grupos, invadindo as lojas centralizadas na Rua Almeida Ribeiro numa azáfama em adquirirem um conjunto mais ou menos fixo de bens: bicicletas, fatos, máquinas fotográficas, arcas em cânfora e outros objectos que afanosamente guardavam como penhor de dois anos de comissão de serviço voluntário em Macau com um bom pré (2 mil escudos em 1950) e isto numa altura em que Macau tinha uma vida mais barata do que em Moçambique ou Portugal.
Por outro lado, um dos passatempos favoritos dos landins ao chegarem a Macau – conforme nos relata o coronel Pedro Barcelos que comandou uma companhia dej landins nas Portas do Cerco entrei Junho de 1951 e Setembro de 19521 – era o de se fazerem transportar nos riquexós, já que parece que «lhes dava um grande prazer o serem levados a custa de braço, pelas ruas de Macau e perante um clima tão extenuante.

A fotografia de rectaguarda
Fora disso e para além de umas visitas esporádicas à rua da Felicidade (ninguém poderia ter escolhido um nome mais sugestivo…), o seu relacionamento foi sempre muito bom, sendo somente de recordar, pelo seu aspecto caricato, um episódio ocorrido em 1931, quando um grupo de dez soldados e 2 cabos landins foi escolhido para representar as forças expedicionárias de Moçambique na exposição colonial de Paris.
Como já dissemos, os landins são dotados de uma excelente estatura física, tendo sido escolhido um deles para servir de soldado tipo para uma fotografia que iria incentivar os seus conterrâneos por altura do recrutamento.
A semelhança do que se fez para o «poster» do recrutamento, foi escolhido um grupo que estava estacionado em Macau, que por tradição recebia os melhores ho
mens; só que na foto em que se via o oficial branco no meio dos soldados o seu tamanho era nitidamente mais baixo do que o dos seus subordinados, o que, de acordo com a mentalidade da época, era visto como uma prova de inferioridade.
A solução encontrada foi simples: preparou-se uma segunda foto, tirada no campo onde se vê uma coluna seguindo na frente os landins e na rectaguarda o guia, dando assim maior corpulência ao europeu.
Mas a vida dos landins não foi só este ritual de compras e de actividade militar, facilmente notado pelo «Bayte», uma saudação tipicamente landim, uma espécie de mistura de sinais que fazem lembrar um aceno e uma continência e que servia como factor de unidade na vida civil, já que todos os antigos soldados se cumprimentavam deste modo, o que dava ainda mais animação as já animadas ruas de Macau.
Na sequência de incidentes fronteiriços o comando militar de Macau achou por bem transferir para uma unidade estacionada na ilha da Taipa a companhia que tinha estado envolvida, não só para desanuviar a situação como também para evitar futuros incidentes com uma unidade já por si excitada.
Até ao final, a companhia limitou-se a fazer missões de observação e de defesa da ilha e a participar, com o acostumado brilho, na cerimónia do 10 de Junho por ocasião do juramento de bandeira de vários recrutas de Macau, onde realizavam exercícios físicos e demonstrações militares, completados com um concerto dado pela orquestra de corda e de um coro formado inteiramente por landins, tudo isto com o mesmo aprumo com que combatiam.
Para definir estes homens alegres damos a voz ao coronel Pedra Barcelos: «o landim é um pragmático, cumpre sempre à risca aquilo que lhe dizem», daí talvez o facto de muitos deles terem dado coronhadas na cabeça de muitos imprevidentes transeuntes, que fugindo ao sol estival numa procura de uma árvore passavam por detrás das guaritas instaladas nas Portas do Cerco…

A revista Nam Van era uma edição do Gabinete de Comunicação Social do Governo de Macau.

Fotografia tirada da Fortaleza do Monte em 1961… se nesta imagem é bem evidente a imponência do edifício (fachada), imaginem no século XVII, quando foi construído e quando o casario em redor era de menores dimensões… Fotografia de autor desconhecido.